Monday, 30 September 2013

Duas coisas que ninguém nos obriga a ser: hipócritas e bestas.



Lembro-me de ter visto na televisão um programa em que uma gralha, equilibrada no braço de um semáforo que atravessava a via rápida, num momento calculado, deixa cair no asfalto uma noz que tem no bico e vê-a ser esmagada pelo pneu de um carro que passa. Depois, num ruminar estratégico digno de um Júlio César às portas da Gália, a gralha espera que o sinal fique vermelho e mergulha em voo picado para o chão, recolhendo apressadamente os bocados esmagados da noz. 
Recordo-me de uma outra que, em cativeiro olha com olhos de ver um tubo de vidro estreito em cujo interior é colocado um cesto pequenino com comida. O cesto tem asa e tudo. Em cima do tubo, na horizontal, está um arame fino e direito com cerca de vinte centímetros. 
A gralha olha para aquilo e pensa, imagina, coloca hipóteses… Primeiro, pega no arame com o bico e introdu-lo certeiro no tubo, mas não consegue sacar o cesto. Tira o arame, pensa mais um bocadinho, voa com ele no bico até ao poleiro, preso a uma parede com fissuras, e enfia-o num pequeno orifício. Empurra-o com o bico até lhe curvar a ponta em forma de anzol, retira-o, voa de novo até ao tubo, espeta com o arame por ali adentro e engancha a parte retorcida na pega do cesto, puxando-o para cima. Come o que estava lá dentro, regala-se de se ver tão esperta. 
Enquanto engulo mais uma garfada de bife do lombo, recordo os chimpanzés, capazes de interiorizar um léxico superior a sete mil palavras e que, carregando nas letras de uma máquina, compõem frases como: eu quero água (assim mesmo, com sujeito, predicado e complemento directo), gosto de ti ou estou triste. 
Sim, esses mesmos chimpanzés, que encarceramos nos zoos para gáudio das nossas criancinhas, e que embalam os seus bebés, atrás das grades, como nós as embalamos a elas (parecendo, até, que também lhes cantam ao ouvido). E as formigas? Que, em África, constroem formigueiros gigantes dotados de sistemas de ar condicionado, cuja sofisticação é digna de um open space no centro de Manhattan? E a cadela da minha amiga Vera? Uma pequinois gentil que um dia se travou de amores por uma ninhada de gatinhos órfãos com empenho tal que ela, que nunca havia sido mãe, encheu as maminhas de leite e alimentou-os a todos até lhe terem o dobro do tamanho. 
Ainda hoje, quando brigam com o outro cão lá da casa, preto e grande, ela atira-se-lhe ao focinho até que ele, esparvoado com tamanho arrojo, desiste dos seus intuitos trucidantes e mastigadores. E lá acaba a lamber os gatos, como uma mãe que seca as lágrimas do filho com as costas da mão e lhe sussurra "pronto, pronto, já passou". Ok, ok, nunca vi um porco a andar de bicicleta, mas já vi um polvo a desatarrachar um frasco com os tentáculos e a abrir a fechadura de uma porta de entre várias, aprendendo que era aquela que lhe permitiria sair (ou entrar). E bastou-lhe uma única vez, sem estímulos repetidos ou qualquer outro engodo pavloviano, uma única vez, caraças! E o bicho ficou a saber para sempre qual era o caminho da liberdade.
 E aquele mistério dos elefantes, que vão todos morrer ao mesmo sítio, e o das baleias, que se suicidam aos molhos de encontro à praia, e o dos golfinhos, que derramam ternura sobre crianças doentes e as ajudam à cura, sem nada pedirem em troca? 

Por tudo isto, lamento não me conseguir livrar do pé para a mão de tantos milénios de escravidão à voragem carnívora que os antepassados me inscreveram no ADN, e de me vergar amiúde, ao peso de uma gula que me deixa à mercê de um bom bife do lombo com molho à café. 
Às vezes, no entanto, sou atacada pela calada da noite por estertores franciscanos e dou por mim a pensar que isto de comer animais mortos que são quase meus irmãos e que de mim diferem, apenas, por milionésimos de ADN, é assim como que uma espécie de canibalismo e que, para além de os comer, ainda os destrato com aquela sobranceria própria dos humanos, o que não está nada bem. 

O prólogo é sempre o mesmo: determinada, a cada ataque sorrateiro de culpa, acabo na fila de um qualquer restaurante vegetariano e finjo proveito, embora quase vomite com a consistência espumosa do tofu e do seitan. Ao fim de uma semana de jejum vegetariano a experimentar todas as receitas de massa e batata com courgettes que me aparecem nas revistas femininas, começo a ter sonhos eróticos com bifinhos de perú e bitoques, de preferência com ovo a cavalo. Não sem deixar de admirar profundamente quem o consegue, diga-se. Acho, aliás, que um vegan convicto se encontra num estádio superior da existência: mais perto da perfeição, de Deus ou seja lá do que for que represente aquele todo místico em que eu própria acredito. Mas eu por aqui continuo, no meu limbo moral privado, resignando-me à ideia de, na reencarnação seguinte, vir a este mundo sob a forma de uma aranha peluda, nojenta e potencialmente espezinhável logo na primeira semana de vida. 
Não obstante esta fraqueza assumida, intuo facilmente que somos todos muito estúpidos e que, se não conseguimos deixar de os fazer sofrer para nosso prazer (nos matadouros, nas touradas, na caça, no circo), ao menos que não estejamos tão contentes com a nossa presunçosa superioridade no pódium da cadeia alimentar e tão convencidos de que somos muito mais espertinhos do que eles, os animais, essas bestas irracionais que sobreviveram ao dilúvio na arca flutuante de um velho lunático, apenas para se reproduzirem e nos servirem.

Quando se fala de defender animais, defender os seus direitos, não significa que estamos a tentar dar-lhes direitos de cidadania. Apenas e só, quem defende o seu direito à vida, defende apenas isso: O seu direito à vida. Não se entende por isso, que todos passemos a ser vegetarianos e que não os possamos matar para consumo. Apenas que, aos animais criados para consumo seja dada a dignidade de uma existência pacífica e digna e na morte lhes seja dado um fim, o mais indolor possível. A isto chama-se respeito por seres que, não sendo iguais a nós, não são também inferiores. São apenas diferentes. A nossa pretensa “superioridade” devia permitir-nos perceber isso.

Um porco consegue memorizar entre 500 a 600 palavras e entender os seus significados. Tem um ADN muito idêntico ao dos humanos e imaginem, se o porco aprendesse a verbalizar como nós, poderíamos com as suas 500 palavras, conversar com ele. Claro que todas as limitações do porco o impedem de dialogar com os humanos. Mas nós também nada sabemos dos seus roncos, ou o que significam, nem tão pouco aprendemos a sua forma de comunicar. E somos “superiores”. Outra coisa que sabemos: Somos 7 mil milhões de humanos no planeta. Conseguiríamos alimentos se abdicássemos todos de consumir carne? Não creio. Com tantas bocas para alimentar será viável, desistir da criação de animais em bloco, compactada em espaços infernalmente exíguos? Talvez isso não seja possível. Pelo menos para já.

Se eu pensar que nos aviários os frangos nascem e morrem sempre na mesma posição, sem qualquer hipótese de se movimentarem 1metro que seja, durante toda a sua vida, e que, para que eles se mantenham imóveis e não constituam ameaça para os seus pares, lhes são cortados os bicos e as patas (em vida) … Que aos patos lhes são enfiados tubos pelas goelas abaixo, e que assim passam toda a sua existência sobre este planeta, sendo incessantemente alimentados, para depois da morte, se transformarem em foie gras, que as vaquinhas que nos dão a carne e o leite vivem da mesma forma, toda a sua vida em espaços exíguos, sem o vislumbre de um raio de sol, ou relva fresca…bem… nós somos umas bestas. Mas esta bestialidade justifica-se infelizmente pela necessidade de alimentar 7 mil milhões de bocas.

.Mas não justifica a crueldade com que tratamos os animais noutras circunstâncias. Arrepia-me a festa em que se celebra a perícia de um cavaleiro, espetando farpas no lombo de um animal, que antes disso já foi electrocutado nos testículos, (não importa se o animal é um bovino preto, um touro bravo, um crocodilo ou uma toupeira), é estúpido! Se o objectivo maior do sofrimento que infligimos seja a quem for, é o nosso prazer imediato e não uma necessidade, é estúpido! Ontem mesmo recebi uma mensagem de alguém que dizia: “ Você nem sequer sabe o que é um touro bravo!” Apeteceu-me mandá-lo catar-se! Defendam os senhores da tauromaquia, a sua arte, da forma que entenderem. Mas não digam que um touro bravo é uma raça distinta optimizada para sofrer na arena, geneticamente modificada para não sentir dor! Nem tão pouco digam que hoje ainda é aceitável que se torturem animais gratuitamente, porque a actividade faz parte das tradições ou da cultura de um povo. Ao longo da nossa história, o homem bem ou mal, tem evoluído no sentido de perceber que o que já não nos serve deve ser mandado fora. É esta a luta dos que condenam as touradas. Queremos apenas que se comece finalmente a perceber que há que separar o trigo do joio. Sermos bestas por necessidade, é um mal, mas é um mal menor. O mal maior é sem dúvida, sermos bestas por hedonismo.

Porque (quem sabe?) talvez os touros, sejam eles quais forem, temam as multidões e aterrorizados tentem defender-se como podem da perseguição do cavalo, das farpas e do barulho ensurdecedor à sua volta, (levando por vezes à morte, cavaleiros e forcados). Talvez as preguiças gostem de sexo tântrico e por isso demorem horas a assegurar a sua descendência; e talvez os leões, bichos gregários por natureza, tenham problemas com a sogra e já não a possam ver à frente; e os ursos, quando hibernam, sofram de claustrofobia e depois tenham pesadelos; e os pinguins, todos iguais e aos milhões, tenham crises de identidade; e os salmões, tenham tendências depressivo-suicidas e por isso venham morrer rio acima; e as baleias, saibam de facto cantar, e algumas de entre elas sejam prima donnas com direito a privilégios especiais de diva e a camarote individual; e as coelhas só tenham orgasmos múltiplos e por isso fodam tanto; e os gatos sintam um profundo desprezo pelos humanos e por isso não os olhem quando eles os chamam; e as formigas não gostem de estar sozinhas; e as toupeiras sofram de agorafobia; e os cães se comportem como groupies à beira da histeria porque nos adoram, e quando crescerem querem ser como nós, as pessoas, os seus maravilhosos donos. Quem pode garantir que não seja assim? Quem? Talvez que o universo em que se move esta Terra onde nos encontramos mais não seja do que um grão de poeira reflectido na retina de um grilo e, este, um habitante microscópico de um outro planeta, em órbita numa galáxia diferente e encaixada num universo muito maior. Portanto, "bora" aí apanhar do chão um bocadinho de humildade, dessa que anda por aí espalhada, que todos espezinham e ninguém quer, assumir a nossa ignorância no que respeita a esta merda toda e ter algum respeitinho, designadamente, pelo grilo.

Saturday, 21 September 2013

Pais & Amantes



Se decido postar o que se segue em plena madrugada de sábado, é por uma boa razão. Depois de ter obrigado a gaiata-que-minerva-até-à-exaustão-com-excursões-nocturnas-não-autorizadas, a voltar para casa submissa a um castigo que lhe vai durar todo o fim-de-semana, deixei a minha orelha esquerda a cozer ao telemóvel durante 2 horas seguidinhas de conversa deprimente e perturbadora.


A causa: Um divórcio. Não o meu, (que isso já foi chão que deu uvas),mas o de uma amiga que agora chora desalmadamente o leite derramado e não vê maneira de remediar o mal feito. E por isso e também porque os bons conselhos nunca são de mais (e ainda por cima, são de graça), aqui fica um especialmente dedicado à malta casada, juntada ou amancebada, embarcada nessa conquista viking que é ter filhos pequenos:

Excepto em caso de doença, pesadelo, tristeza reconhecida notarialmente ou trovoada ribombante, não deixem os vossos rebentos dormirem convosco na cama.


Caso não saibam, desde já vos informo que não é o facto de terem filhos em comum que faz de vocês um CASAL a sério perante os deuses, os homens ou entidades intermédias. Não. Precisam também e em especial, de:

- porta do quarto fechada + reboliço entre os lençóis + gemidos abafados + risos atravessados + porta do quarto aberta + pésantepés corredor fora + assaltos ao frigorífico às quatro da manhã + líquidos bebidos pelo mesmo copo + dedinhos do outro lambidos com esmero.

Para que tal seja possível, ensinem o vosso filho, desde aquele primeiro dia em que o têm nos braços, a gostar do seu próprio quarto e a confiar incondicionalmente naquelas quatro paredes. Se preciso for, fiquem la com ele até que perca o medo, deitem-se no chão ou onde for, mas não o deixem invadir um espaço que é vosso ( tal esforço é uma espécie de PPR com benefícios fiscais: acabará por ser recompensado). Caso contrário, preparem-se para um casamento incompleto, frustrado, cortado a meio e noves fora nada.

- Pisguem-se sempre que puderem, mas só os dois, não sejam lorpas. Têm avós, tias, amigos, baby sitters, disponíveis para vos aturarem os rebentos durante três dias? Óptimo. Digam-lhes bye-bye sem olharem para trás, segurem a lagrimita que teima em cair, desapertem o coração e façam-se a uma pousada, a um parador, a uma pensão, a uma noite ao relento. Só os dois. De preferência, dêem aos hóspedes do quarto ao lado um bom motivo para se queixarem ao gerente, no dia seguinte.


Cheguem saciados, de mãos dadas, sorriso imbecil agrafado no rosto e prontos para pegarem plos cornos mais uns meses de procissão familiar e êxtases em surdina. E nunca, por nunca, digam orgulhosamente cá eu, não vou para lado nenhum sem os meus filhos, se eu vou, eles vêm também. Desenganem-se: não é por causa disso que são melhores pais, nem que os outros vão achar que vocês são melhores pais. Aliás, são melhores pais, quanto mais felizes forem; para serem felizes, entre outras coisas, têm que se tocar com indecência, têm que se comer como perninhas assadas de frango caseiro e que se chupar um ao outro até ao ossinho; enfim, têm que se amar, pornograficamente, amar.

Por isso, caro/a leitor/a: se a tua cara-metade insistir para que viajem sempre todos juntos para todo o lado, atreladinhos uns aos outros que nem comboio de feira, desconfia e pensa bem na vida. É muito provável que tal signifique que não quer estar a sós contigo, daí ensanduichar os miúdos entre vocês. Não é por nada mas… o amor é uma chama que só arde se alimentada e por muito menos que isto, muitas relações acabam às escuras.




Saturday, 14 September 2013

As grandes descobertas da ciência, são sempre obra do acaso!



Acabei de ler que a amiga de "uma mente quase perigosa" depois de ser informada acerca dos cms que compunham o membro do gaijo que lhe cativava a atenção, chega a casa e agarra numa régua (ela não tem assim uma ideia muito exacta das medidas). Acontece que a régua era do seu filho (moço pikeno). Impressas na régua de 15 cms, estavam 3 imagens do Winnie the Pooh.

Palavras sábias saíram da sua boca: "2,5 Winnie the Poohs... Certo..."

E assim foi criado o sistema moderno de medição de pilas: os Winnie the Poohs ou, em abreviado, os WP's.

1 WP = 5 cms









Thursday, 12 September 2013

Disconnect

Acabei agora mesmo de ver. Disconnect é uma história intrigante que envolve várias pessoas numa trama cruel só possível graças às ligações virtuais que se vão criando por aqui. O enredo de "Disconnect" centra-se no impacto que a Internet e as formas modernas de comunicação têm na vida dos seres humanos. Alexander Skarsgard interpreta um ex-fuzileiro naval que procura um affair após ser emocionalmente rejeitado pela esposa. Grillo é um pai solteiro, perito em computadores, que procura proteger o filho de 15 anos dos perigos da Internet mas não sabe que este último mantém uma relação online. Nyqvist dá vida a um individuo que o personagem de Skarsgard acredita ter roubado a sua identidade. Risenborough interpreta uma jornalista, que investiga uma história sobre um jovem modelo que posa nu na web. Histórias que podem ser as nossas e que nos alertam para os perigos da nossa ligação ao mundo virtual. Não tem efeitos especiais,enredo fantasioso nem elenco de luxo, mas é tão realista que vale mesmo a pena ver.



Tuesday, 20 August 2013

So Fucking Love

O amor é fodido. hei-de acreditar sempre nisto. onde quer que haja amor, ele acabará, mais tarde ou mais cedo, por ser fodido (…)e por que é que fodemos o amor? porque não resistimos. é do mal que nos faz. parece estar mesmo a pedir.de resto, ninguém suporta viver num amor que não esteja pelo menos parcialmente fodido. tem de haver escombros. tem de haver progresso para pior e desejo de regresso a um tempo mais feliz.e um amor só um bocado fodido pode ser a coisa mais bonita deste mundo.”[...]
( Miguel Esteves Cardoso)....( Gosto especialmente da ultima frase ...:))))

Tuesday, 30 July 2013

50 sombras cinza



As cinquentas sombras de um Grey, que por si só é cinzento o quanto baste…

Falar deste livro é perigoso. Corre-se o risco de descambar para a crítica fácil (isto porque é mesmo muito fácil criticar a obra). A obra? O povo ancestral da Mesopotâmia, (pais da escrita, na altura cuneiforme) devem ter dado voltas ao túmulo quando a senhora E. L. James, vomitou para o mundo inteiro a sua literatura masturbatória. Atenção que eu nada tenho contra literatura masturbatória nem mesmo contra a pornografia em geral, mas ler mais de 500 páginas de relatos de virgens universitárias entregues ao sexo depravado, perigoso e (segundo a autora) altamente satisfatório, é dose!

A única coisa que se aproveita aqui, são os gajos que por acaso até são lindos de morrer, que por acaso até são multi-milionários e que por acaso até oferecem audis e macs e blackberrys em troca de uma ausência total de cuecas em jantares familiares. Infelizmente (para frustração do leitor) o sexo nem é depravado, nem perigoso, nem sequer é excitante. Se alguém já pegou num destes livros com o intuito de dar a si próprio uma alegria orgástica, desiluda-se desde já, pois tudo o que consegue é mandar umas gargalhadas (vá lá, se calhar o riso é o novo ponto G). As supostas tendências sado-maso do Sr. Grey ficam-se por pactos de submissão (que não incluem orgias, nem nada que se possa considerar imoral ou humilhante) que por acaso ninguém cumpre. A sério que levar com um cinto de cabedal no rabo é o mais extremo que a desgraçada da Anastasia consegue aguentar?

Bolas chinesas é sado? Sou uma precursora da nova sexualidade moderna, está-se mesmo a ver… E sobre o sexo ser altamente satisfatório, enfim, o Grey e a virgem que fornicam que se fartam, pelo que as leitoras (duvido que algum homem tenha paciência de ler para além do prólogo…ah…o livro tem prólogo?…nem sei.

Se calhar não. Afinal em pornografia para quê preliminares?), podem deleitar-se com aproximadamente duzentas e quarenta e oito variações de estupidificante (e repetitivo) pinocanço vaginal.

Viva o sexo na banheira! Viva o quarto do Desejo Proibido, vivam as f** na cama de ferro com as mãos atadas numa gravata cinzenta.

E agora digam-me lá meus amigos que estão desse lado do ecrã e que já desfrutaram desta magnífica obra de humor universal: é impressão minha ou as quecas são mais do estilo rapidinhas, ao modo coelho, que terminam SEMPRE com orgasmos simultâneos?

É impressão minha ou o Mestre de maléfico não tem nada?

Mas que raio de SUPER-GAJO-DO-SEXO-BRUTAL é este que rebenta logo com a escala do prazer assim que a submissa morde o lábio?

Mesmo considerando a E. L. James a nova promessa do humor literário e as Sombras do Grey um passatempo fundamental para manter um sorriso nos lábios (os de cima, atenção), alguém que já tem mais de 35, tem também uma vida para além do trabalho, contas para pagar e putos com que se preocupar, certo?

Quero com isto dizer que há sexo em mais de 3 décadas de vida. E cada um de nós, algum respeito por si próprio. É por isso que chegar à triste constatação que dezenas de milhões de mulheres (será exagero?) all over the world têm nesta fantochada o novo manual do pós-feminismo, a mim, até se multiplicam as urticarias, não me lixem! Quanto mal fez ao gajedo planetário a Shonda Rhimes e as séries infantiloides e descerebradas como o Sexo e a Cidade ou o Scandal, senhores! Digo isto, obviamente, porque em todas elas, as mulheres são postas ao nível de acéfalas que não podem ver um gajo giro com profundos problemas de empatia e sociabilidade (e com dinheiro e poder, óbvio) à frente, que começam logo a ter convulsões vaginais como se não houvesse amanhã. Do sexo selvagem e desenfreado à paixão mais tórrida é um instante, (segundo dizem) porque uma mulher nasce para amar e ser amada. E transformar um sociopata num marido perfeito?

Esta é a verdadeira obra! Aqui na fabulosa Trilogia Grey (de que só li o primeiro volume porque até eu tenho os meus limites) repete-se o mesmo esquema: gaja sem qualquer tipo de experiência que cai rendida de amor aos encantos do perturbado Charming Prince que no fundo sofre e não sabe o que lhe convém até que a conhece e se apaixona perdidamente por ela. Como se o amor fosse o todo-poderoso.

Como se o amor redimisse, mesmo que à base da submissão (ai, ele é ciumento, ai ele gosta de me mandar fazer coisas que fazem corar o diabo, ai eu estou fascinada pelo poder sexual e por chibatadas).

Amor possessivo e muito luxo. Será que é isso que as mulheres de hoje querem? Demonstrações de amor que incluam viagens de avião ao amanhecer, um carrinho (topo de gama e alta cilindrada novo), um gajo ciumento que não as larga, e sexo extremo, extremo nem que seja só um bocadinho para as assustadiças e complacentes Capuchinhos não fugirem a sete pés?

Sinceramente, até a minha Deusa Interior ficou decepcionada...Mas claro, ela não se excita com a promessa de domesticar o Lobo Mau. Deve ser porque está habituada a ler literatura para gente crescida. Uma pergunta final: A Senhora E.L. James, ficará muito ofendida se eu lhe guardar a obra, naquele cantinho que fica entre o bidé e o cesto da roupa suja? Não é por nada, mas pelo menos dava-lhe utilidade naqueles dias em que me esqueço de comprar o papel higiénico.

Saturday, 20 July 2013

É ou não é demagogia?



Se o Sr. António José Seguro estivesse mesmo interessado em salvar o país, teria mostrado alguma honestidade ao invés de dar azo a esta promiscuidade politica que revelou nos últimos dias.

Talvez muitos portugueses não se tenham dado conta, mas enquanto decorriam as negociações para o acordo, o pretenso futuro PM, votava a favor da moção do PEV. É inequívoco para mim, que só pessoas que por tradição ( e não mais que isso) votam sempre PS, acreditam nas suas patranhas.O PS por definição é o partido da demagogia, e conta maioritariamente com os votos dos velhos deste país.

Não é novidade nenhuma para ninguém que a população sénior constitui um importante eleitorado socialista. Esses e aqueles que para além de pobres materialmente também o são de espírito e de capacidade intelectual. Como temos um país cheio de velhos e de pobres , uns e outros na sua maioria iletrados e papagaios das opiniões alheias, gente portanto, que não pensa pela sua própria cabeça nem tem capacidade para tal, o partido socialista vai seguindo e somando e já se prepara ( freneticamente para subir ao poleiro).

O Sr Seguro, é tão evidente na sua ânsia pelo poder, que sinceramente me enoja. ( podia ao menos disfarçar um bocadinho.) O actual governo lixou-se literalmente para tentar resolver situações complicadas que o executivo de José Sócrates (e outros anteriores) criou, e agora vem o Sr. Seguro armado em herói, estragar o que está a ser bem feito, para, como os portugueses gostam , aliviar-lhes a carteira , sem ao menos ter a honestidade de avisar os portugueses que esse alivio que todos desejamos tem um preço, e a que a seguir é preciso pagar. Outra vez.

E outra vez se for necessário. E que é por isso que Portugal nunca foi um país próspero, nunca avançou como os seus parceiros da União Europeia, que na hora certa souberam fazer ajustes, para voltar a crescer.

A verdade é que Portugal nunca teve políticos à altura. Nunca tivemos governantes que percebessem efectivamente o verdadeiro potencial do país. Nunca se focaram naquilo que nós temos de melhor e de mais vantajoso em relação ao resto da Europa. O nosso mar, o nosso solo, o nosso clima, as nossas praias...as ilhas...e as infraestruturas que nos podiam ter dado um grande avanço, se quem nos governou nos últimos 30 e tal anos, tivesse visão e sentido estratégico: O porto de Sines, as Lages...as nossas barragens...

E o que dizer dos nossos cérebros? Daqueles que se formaram por cá, que são muito bons no que fazem e que acabam por dar o que têm de melhor a outros países, só porque nunca tivemos um governo que apostasse na área cientifica e tecnológica? E a Educação? Gastaram-se rios de dinheiro em cursos que pouco deram a quem os frequentou e que só contaram para as estatísticas.

Hoje temos uma panóplia de gente com diplomas do 12º ano mas que na verdade não tem mais que o 4º! Isso é que é desenvolvimento? É esta arte que os socialistas têm para mascarar a realidade que nós queremos para o nosso país? Eu prefiro a solidez das coisas bem feitas. Das coisas que levam o seu tempo e que até podem ser dolorosas durante alguns anos, mas que depois são resistentes, verdadeiras, duradouras.

Não quero para Portugal o partido do faz de conta, dos remendos, da demagogia, do discurso fácil e popular, do facilitismo em toda a linha, sem a previsão séria e calculada dos riscos, das desvantagens , das consequências. Não quero para o meu país um partido que gasta hoje o que me vai faltar amanhã.

Que gasta hoje, o que vai faltar aos meus filhos e netos amanhã. Ou será que já toda a gente se esqueceu que temos filhos e que eles terão os deles...que país lhes queremos deixar?


Friday, 12 July 2013

Os meus dias do Fuck Off Facebook:



Sim, para voltar a viver depois de um coração partido têm que desamigar o sujeito(a) que vos partiu o coração. A máquina trituradora do amor, o docinho, a coisinha, a pumpkin, a cotovia, o zégão. O facto de uma máquina trituradora do amor continuar a viver, a conviver, a ouvir músicas - mesmo que não ...sejam as nossas - a rir, a rir alto, meu deus, a rir alarvemente, a dizer que tem fome, que tem sono, que tem insónias, que precisa de chocolate, de coca zero, de vinho, uvas e bolos, que quer ir beber caipirinhas, que tem uma vontade louca de dançar - e ainda não conseguimos esquecer a maneira como a pessoa dançava, nem como respirava, nem como nos pedia para não ficarmos a olhar para uma parte qualquer do corpo, nem como comia, nem como, nem como nada, nem como tudo... Todas essas vontades podem bem levar-nos à loucura, pior ainda, a detestar a pessoa que antes adorávamos porque não é a nós que o nosso coraçãozinho agora diz as coisinhas todas. Portanto, como não há coisa mais triste que um amor acabado e isso e o luto fazem parte dos fins e é impossível fazer um luto de jeito quando uma super-spider continua a viver e a rir alto das piadolas parvalhonas dos outros - tudo na tela do nosso computador - o melhor é desamigar e nunca, nunca mais lá voltar, nem que seja um cagalhonésimo de micronésimo de segundo só para ir espreitar.


Monday, 8 July 2013

Óbvio:

 O desastre incontornável. Se vais fazer pontaria, não bebas. ( Baco, não voltes a embebedar o cupido:)



Thursday, 4 July 2013



Começo a acreditar que o melhor lugar para se estar no Vivaci é mesmo a Bertrand. Para além de me possibilitar resistir à tentação de comprar mais umas roupinhas (o que o meu roupeiro agradece), ainda me dá um ar de intelectual, inteligente e culta. =D
O "menino" que está ao balcão, iludido por essa visão magnificente da minha pessoa, até me perguntou: " A Doutora vai levar um ou os dois?"...

-"Doutora? Hum..., só por causa da promoção levo os dois.Mas...um de cada vez." ;).

Tuesday, 14 May 2013

O escritor português, Luis Miguel Rocha, autor de Best Sellers como " A Filha do Papa" esteve no Programa Feedback da Mais Oeste Rádio. Mais de 60 minutos repletos de temas interessantes e actuais. Livros, literatura, Igreja Católica e Vaticano. Mais de 60 minutos que valem a pena recordar.

(Parte II)

( Parte III )

(Parte IV)

(Parte V Final)

Sunday, 12 May 2013

Guys VS Girls :)))))

Friday, 10 May 2013

A Filha do Papa. Leram?



Entretanto já coloco aqui o audio da entrevista.
(Ah...e não é por nada, mas este é mesmo um dos meus autores contemporâneos favoritos.)
Luis Miguel Rocha, foi uma honra entrevistar-te!



Sunday, 5 May 2013

A mãe morreu...

Para todas as mães deste mundo e arredores. Em especial para a minha. ♥

Da mãe, os filhos só vêem o que é mãe. Só conhecem a mãe. A mãe é sopa e o cheiro dos refogados. A mãe é a mão que esfrega as costas no banho, que escova o cabelo enriçado, que seca o cabelo molhado, a mão que afaga, que estraga. A boca que sopra a sopa, que sopra a ferida. Os filhos são os parasitas da mãe. Comem-lhe o coração que cresce da noite para o dia para que nunca lhes falte o pão-coração. O que é que a mãe quer? A mãe não quer nada. Quem tem mãe, tem tudo, diz a quadra, e quem é tudo não precisa de nada. Então, o que há-de querer a mãe? Não é dela o coração que nos alimenta, que bombeia o amor que nos entra nas veias, que nos corre na casa? E quem é que quereria a mãe? Se a mãe ainda quer, se a mãe ainda sonha, se a mãe ainda crê, perde tempo. A mãe tem dois filhos. Nós somos tudo o que a mãe pode querer, tudo o que a mãe está autorizada a querer. Quando respira, é mãe. Quando passa a roupa, é mãe. Quando come, é mãe. Quando aquece o prato solitário no micro-ondas, quando, à noite, vê televisão em silêncio, quando adormece sozinha na cama, quando na cama acorda sozinha, quando o corpo se move nos sonhos e não toca ninguém, quando toma banho e a água escorre pelos veios do corpo e só a água visita certas sombras de corpo, é sempre mãe e mãe e mãe. A mãe não pode dizer nada. Não pode dizer que está farta desta merda e que quer desistir, que está cansada de ter uma vagina e um útero que só existem nas consultas de ginecologia, que só existem para as dores, os miomas, as hemorragias. A mãe não pode sofrer por ela, porque mãe é mãe, só há uma, mater dolorosa, pietà de filho morto nos braços; e a piedade que ela merece? Os braços que hão-de segurá-la? Ontem, a mãe apaixonou-se e os filhos fizemos cara de nojo, apontámos os nossos dedos mimados ao coração da mãe, que é nosso, que diariamente o comemos. Quem nos dará o coração? Quem se alimenta da felicidade selvagem que a mãe descobriu? A mãe apaixonou-se e isso foi um erro e um erro é vida. Agora, a mãe pode voltar a sorrir por ela, a sofrer por ela, a comer o seu próprio coração. Mas nós, filhos-parasita, não queremos a mãe-canibal. O livro começa assim: “Ontem, a mãe morreu.” E prossegue: “Ontem, por fim, voltou a ser apenas uma mulher.”

(Bruno Vieira Amaral)


Para os meus filhos...

Por mais anos que passem pela vida dos nossos filhos, para nós, eles serão sempre as crianças que oferecemos ao mundo. :)

♥♥

Se nós, Mães, pudéssemos transmitir aos nossos filhos apenas vinte por cento da opinião que temos deles, a sua auto-estima seria indestrutível.

Rafael e Mariana, Ninguém mais do que vocês, merece que eu vos dedique algumas palavras.

Na verdade, nenhum livro, por maior que seja, poderá ter escrito tudo quanto seria possível dedicar-vos.
Mas ainda que eu não escreva nenhum livro, ainda que as minhas palavras sejam poucas, são sinceras, verdadeiras e todas elas saem do meu coração com a esperança imensa de entrarem no vosso.
A sensação mais forte, mais profunda, que me invadiu, quando vos apertei pela primeira vez contra o meu coração foi a de DAR. Dar-vos a vida. Dar-vos alimento. Dar-vos Amor. Dar-vos segurança...
E essa sensação acompanha-me docemente enquanto vos vejo crescer!
Qual é o melhor do meu mundo... o Sol, a Lua?
O que eu não vos daria se pudesse...Mas sou apenas mãe.
Muitas vezes, nos vossos primeiros anos, fui o vosso escudo, o vosso anjo, a vossa fada.
Agora, que diante de vós se abrem os caminhos e estou cada dia mais perto de vos deixar partir, poderei sempre oferecer-vos as minhas palavras para que vos acompanhem e ajudem... Para que, inclusivamente, sorriam ao ouvi-las. Porque contar-vos experiências, agradecer-vos, pedir-vos perdão, e recordar... tudo, tudo festeja a maravilha de vos ter.
Gostaria tanto de proteger-vos...
Das palavras falsas de quem se dirá vosso amigo, da nota injusta no exame para o qual estudaram tanto, da chuva que estragou aquele tão esperado passeio, de depositarem a vossa fé em algo ou alguém que acabará por vos desapontar... De amarem a pessoa errada (não porque ela não vos agrade, mas porque não saiba fazer-vos felizes.) De serem magoados e de sofrerem, de todas as traições, decepções, doenças, tudo, tudo... E contudo eu terei de abrir-vos a porta e dizer-vos : Vão e vivam a vossa própria vida!
Um bastião de integridade, um farol para orientar corajosamente o vosso destino, assim queria eu ser para os dois, sempre.
Mas, por vezes, esta torre inclina-se, e tudo à minha volta escurece.
Então, sinto as vossas mãos no meu ombro, e ouço as vossas palavras de conforto.
Percebo nesse momento, que não estou sozinha, e tudo volta a encher-se de luz...
O meu coração está desde sempre convosco.
Já vos acompanhou na escola, no recreio. Nas barulhentas festas de aniversário, nas vossas brincadeiras com carrinhos e bonecas.
Hoje, ele acompanha-vos na cumplicidade com que trocam os vossos segredos, nos primeiros amores que vos faz bater o coração mais depressa, na emoção, com que vivem cada experiência da vossa vida pela primeira vez.
Desejo... Que descubram que as melhores coisas deste mundo, não têm preço, mas sim muito valor: Uma gota de orvalho numa pétala de rosa ao amanhecer, os entardeceres na praia, a mãozinha do bebé a apertar a vossa...
Que sim, seja a pessoa que amam quando tocar o telefone, a tempestade a fustigar as janelas, e vocês, com quem vos for mais querido, protegidos dentro de casa, a alegria do vosso animal de estimação quando regressam... A palavra Obrigada... A palavra Perdão...
E desejo que descubram que as coisas que, sim, têm preço são apenas aquelas que a vida nos dá, e que a vida pode tirar-nos tudo, num só instante. Devem por isso, viver de espírito livre , ligados unicamente ao que poderem transportar no coração.
Desejo que a madrugada vos surpreenda a conversar com amigos, a defenderem apaixonadamente as vossas convicções...
Que acreditem sim, que podem contribuir para um mundo melhor.
Desejo também que nunca cresçam por completo, que guardem no vosso coração a ingenuidade de acreditar que, por vezes, o mundo pode ser mágico, (mas nem todos são capazes de o ver),que nem sempre as causas justas são impossíveis, que há dias que amanhecem duas vezes...
Desejo que encontrem o Amor firme, profundo e quotidiano de alguém que vos saiba fazer felizes. E que o vivam para o resto da vida.
Mas também desejo que, nem que seja por uma só vez, experimentem a loucura, a paixão total e esmagadora que nos leva ao céu e ao inferno. Que a vivam plenamente...e a deixem ir, depois.
Desejo que descubram o prazer da leitura, a embriagadora sensação de viver, por umas horas, com os personagens de um romance. A fascinante possibilidade de esquecerem a inquietação ou a tristeza, viajando nas páginas de um livro, para África, ou morrendo de amor na areia escaldante de uma praia paradisíaca.
E também vos desejo, a profunda emoção da poesia. Que o vosso espírito vibre com a palavra exacta que expressa o que sentem...
Levem-me sempre no vosso coração, para onde quer que vão.
Vocês jamais sairão do meu!
Agora compreendo as mães que acreditam que os seus filhos, são os melhores do mundo.
Não vos desejo amargos ou descrentes.
Se alguém vos ferir profundamente, renasçam das vossas cinzas. Enfrentem os desafios. Nunca se sintam vencidos ou derrotados.
Não permitam que vos convençam de que tudo termina em decepção. Ergam os olhos, fitem-nos no horizonte.
E tenham fé...
Desejo que tenham fé em Deus. Que sejam sempre capazes de O procurar ou imaginar como souberem ou como poderem, mas não desistam de O encontrar.
Não vos parece que a vida seria demasiado absurda se não existisse algo mais? Basta olharem ao vosso redor para O encontrarem das formas mais diversas.
A mim… basta-me olhar-vos.

Friday, 3 May 2013

La hora chanante

Porque é que eu não encontrei isto antes? :) Com todo o respeito Iron Laidy, ainda não é tarde.


O Preço da Apatia






Há falta de informação e talvez uma certa preguiça em se tentar saber o que se passa neste mundo e que não é contado na comunicação social. A todos os níveis. Dou um exemplo:
Energia limpa (energia ponto zero). Vários inventores desde 1901 têm criado mecanismos que produzem energia sem estarem alimentados pelos meios convencionais e conhecidos.
Neste site, http://www.rense.com/general72/oinvent.htm, pode consultar a história das supressões de inventores da Nova Energia.
A geração de energia com base na energia ponto zero, em 1901 com Tesla, poderia ter redireccionado a sociedade e o planeta numa direcção totalmente oposta à que temos hoje. E teve que ser um banco, J.P.Morgan, que já nessa altura, foi protagonista da 1ª supressão. Curioso, não?
Quando eu abordo este tema com família e amigos, além de acharem que não estou bem da cabeça, não os vejo minimamente “intrigados”, ou interessados em saberem sobre algo que é a solução para a tão falada sustentabilidade e saúde do nosso planeta. E os poucos, muito poucos que se deram ao trabalho de fazerem alguma pesquisa, rematam que não se consegue lutar contra as grandes corporações, grupos económicos que controlam a energia suja que usamos.
O Ser Humano tem que saber quem está acima dos governos locais e quem os manipula descaradamente. Sem se conhecer esta realidade, continua-se nesta batalha caseira, que é sem dúvida importante e tem de ser combatida, que além de nos retirar a vontade de respirar, acaba por nos distrair dos actores globais que estão no topo da pirâmide. Estes actores,que, por andarmos quase um século a dormir e fascinados com o dinheiro fácil, criaram o seu império, e detêm hoje o controlo total dos sistemas financeiros, alimentar, educacional, energético e da saúde.
Esta insensibilidade das pessoas para este e outros temas de tão grande importância é fruto do silêncio cúmplice da comunicação social que leva à, manipulação das massas. Assuntos que envolvam lobis são tabú e este da energia ponto zero é um deles. Por muito, mas mesmo muito menos do que isto, a discussão do assunto das rendas excessivas da EDP, levou à demissão do secretário de estado do sector, e os chulos chefiados pelo Mexia puderam continuar a dormir tranquilamente.
Os portugueses continuam um povo com graves índices de iliteracia e quando gasta uns cêntimos é nos jornais desportivos e nas revistas cor-de-rosa. A ‘manipulação social’ está desta forma prontíssima a actuar.
É este o retrato que faço como uma das causas da inacreditável passividade dos portugueses.
Um exemplo: Na Islândia está um ex-ministro a ser julgado por responsabilidade na crise económica do país, além de terem mandado o FMI às malvas. Estão a recuperar da crise e nós continuamos a descer para o abismo. Na Grécia corre um processo idêntico com um ex-governante. Em Portugal, deixamos os responsáveis pelo estado do país, "viverem à grande e à francesa"(literalmente) e a muitos deles continuam a ser-lhes entregues cargos de relevo, ou proporcionando negócios chorudos como o (PPP) para continuarem a sugar os contribuintes, que continuam a dizer ‘sim senhor ministro’. Estamos apáticos é certo...mas saberemos nós o quanto ao certo, nos custará esta apatia?


A crise segundo Einstein:

"Não podemos desejar ou pretender que as coisas mudem, fazendo sempre o mesmo. A crise é a melhor benção que pode acontecer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera-se a si mesmo sem ficar "superado".Quem atribui à crise os seus fracassos e penúrias, violenta o seu próprio talento e respeita mais os problemas do que as soluções. A verdadeira crise, é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas e dos países é a esperança de encontrar as saídas em soluções fáceis. Sem crise não há desafios, sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um. Falar de crise é promovê-la, e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos duro. Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la." (Albert Einstein)


Glorioso!


Thursday, 2 May 2013

Já somos duas! :)


Coisas do Facebook

O meu amigo Nuno Dagarman, publicou no mural dele,esta imagem, fazendo uma comparação, como tantas outras que já vi, entre a alegada opulência em que vive o Papa, e a pobreza no mundo. Não fiquei indiferente à indignação do Nuno, nem tão pouco à crueza da imagem e por isso, aqui fica o comentário que lhe fiz e que penso ser talvez, alvo de algumas criticas por parte de quem me lê. Mas peço que me leiam e vejam esta questão de uma forma um pouco mais assertiva, ou menos temperamental , se quiserem. É um exercício difícil, eu sei, mas, lá vai:

"Esta , (depois de todas as que eu costumo ler em relação à politica e aos políticos),é talvez das criticas mais injustas que me passam pelos olhos. É óbvio que quando olhamos para uma imagem destas temos que nos chocar e pensar que não há nada de divino na forma como a igreja se comporta perante o mundo. E não há, de facto. A igreja ao longo dos séculos tem cometido tantos erros que eu dificilmente poderia ver num Papa, alguém que é um representante de Deus. ( segundo a minha forma de olhar para Deus, claro.) Contudo, insisto naquilo que me parece de injustiça, ao criticarmos a tão falada opulência do Vaticano versus pobreza no mundo. De que tipo de opulência falamos nós afinal? Julgo que é preciso clarificar esta questão. Referimo-nos à Basílica de S. Pedro, e à Capela Sistina? Bom, se nos referimos a isso, então eu posso argumentar, que não é o papa que vive na opulência, porque o Papa não vive aí, o papa vai aí, como qualquer um de nós pode ir, e relembrar que esses edifícios maravilhosamente ornamentados, foram assim construídos para, em consonância com a tradição cristã, honrar a Deus com os melhores materiais que a terra tem. O ouro é dos nossos bens mais preciosos. Penso que é normal, querermos (acreditando nisso) honrar o altíssimo com o que de melhor somos capazes. Se me rebateres o argumento dizendo que : " ah, mas Deus lá quer saber do ouro, ele está-se nas tintas para esse tipo de honrarias", sou levada a concordar contigo, porque efectivamente me parece que Deus não está minimamente interessado em metais preciosos. Ainda assim, não posso afirmá-lo convictamente, sob pena de ser muita presunção minha acreditar que conheço a natureza de Deus. Resta-nos portanto, os cómodos que o papa ocupa e o espólio de arte que a igreja detém. Veremos primeiro os aposentos do papa. Se procurares no google ( e convido-te a fazê-lo), facilmente descobrirás que o homem, que além de líder espiritual dos católicos e também (tal como um presidente da republica) é Chefe de Estado do Vaticano, não ocupa aposentos propriamente exuberantes. Tem um quarto com paredes nuas, brancas, uma cama, uma cómoda e um roupeiro. Um ambiente até bastante austero, para quem alegadamente vive no luxo. Claro que não são móveis do IKEA, como... olha, como os meus, mas o meu quarto é muito mais giro. Não troco, obrigada. :P passemos então ao espólio de arte que a igreja vem coleccionando ao longo dos séculos. Já ouvi inclusivamente quem defenda que a igreja devia era vender toda a sua arte e fazer chegar esse dinheiro aos pobres. Peço-te que sejas pragmático em relação a isto: Supondo que a igreja vende a sua arte, acabará com a pobreza no mundo? Não, pois não? Não. Infelizmente a pobreza é um flagelo permanente que existe e continuará a existir independentemente do que uma igreja possa fazer para acabar com ela. A pobreza é um buraco sem fundo,que poderá ser menos fundo, se todos nós globalmente, fizermos alguma coisa quanto a isso. Existe até uma passagem curiosa na Bíblia, em que Judas acusa Tiago de estar a esbanjar um óleo raro para untar os pés de Cristo e lhe pergunta: Porque não vendes antes o óleo e matas a fome aos pobres? Ao que Jesus, terá respondido: Se eu vender o óleo, mato a fome de quantos pobres e por quanto tempo? Penso que a mensagem de certa forma é: apesar de ser necessário agir, ajudando quem é mais frágil, se nos desfizermos do que temos para dar, então também nós ficaremos tão frágeis quanto quem nos pede ajuda e o mundo não ganhará mais um rico, ao contrário: ganhará mais um pobre. Quem ganha com isso? Termino este comentário que já vai longo, (desculpa :P) lembrando apenas mais duas coisas: Uma, é que, apesar de tudo o que se possa dizer sobre a opulência do Vaticano, ainda é a igreja católica quem mais faz pelo pobres em todo o mundo. ( não chega , nós sabemos, mas pelo menos a igreja faz .) Não é por certo a IURD que faz, ou a protestante, ou o islamismo, o induismo, o judaísmo, blábláblá...é a Católica. relembro as missões, os médicos sem fronteiras, o investimento no ensino, as misericórdias. E outra é que, para quem gostar (obviamente) da comparação ao tão místico mundo budista, ( já vi que te dizes budista, não quero ferir-te), trazido para a nossa civilização ocidental através das novas concepções religiosas e filosóficas da New Age, meu amigo, recomendo vivamente que voltes a procurar na internet, o palácio de Potala em Lhasa no Tibete, e vê com os teus próprios olhos a magnificência , o luxo em que vivia Sua Santidade o Dalai Lama ( que eu muito admiro), antes de se exilar na Índia. Desse luxo, ninguém fala. E olha que estamos a falar de um líder espiritual que vivia sim, na opulência, quando os seus próprios conterrâneos vivia (e vive), na mais absoluta miséria. E agora só a título de curiosidade, caso não saibas, talvez gostes de saber que um dos rituais sagrados e muito apreciados pelos nossos amigos pacifistas budistas, é a entrega ao seu Dalai Lama, da pele de crianças pequenas, que são esfoladas vivas para o efeito. É, segundo eles dizem, um ritual de purificação para celebrar a chegada do seu novo líder. Enfim, já me alonguei demais. Depois disto tudo, cheguei a informar-te que não sou católica e que abomino qualquer tipo de religião? Não? Bom, já disse. "

A pequenez de algumas coisas...

Querido Universo...Não. Isto não é uma banana da Madeira. :)


«Sem tirar nem pôr»

Por Alice Brito, advogada e dirigente do Bloco de Esquerda. O texto é uma crítica feroz às inefáveis afirmações de Ulrich, o presidente do banco BPI. Publicado no blog "Paradigma da Matrix" em Fevereiro deste ano, mas actual. Excelente texto. Vale a pena ler.





«Sei que a raiva não é boa conselheira. Paciência. Aí vai.

Havia dantes no coração das cidades e das vilas umas colunas de pedra que tinham o nome de picotas ou pelourinhos. Aí eram expostos os sentenciados que a seguir eram punidos com vergastadas proporcionais à gravidade do seu crime. Essa exposição tinha também por fim o escárnio popular. Era aí que eu te punha, meu glutão.

Atadinho com umas cordas para que não fugisses. Não te dava vergastadas. Vá lá, uns caldos de vez em quando. Mas exibia-te para que fosses visto pelas pessoas que ficaram sem casa e a entregaram ao teu banco. Terias de suportar o seu olhar, sendo que o chicote dos olhos é bem mais possante que a vergasta.

Terias, pois, de suportar o olhar daqueles a quem prometeste o paraíso a prestações e a quem depois serviste o inferno a pronto pagamento. Daqueles que hoje vivem na rua.

Daqueles que, para não viverem na rua, vivem hoje aboletados em casa dos pais, dos avós, dos irmãos, assim a eito, atravancados nos móveis que deixaram vazias as casas que o teu banco, com a sofreguidão e a gulodice de todos os bancos, lhes papou sem um pingo de remorso.

Dizes com a maior lata que vivemos acima das nossas possibilidades. Mas não falas dos juros que cobraste. Não dizes, nessas ladainhas que andas sempre a vomitar, que quando não se pagava uma prestação, os juros do incumprimento inchavam de gordos, e era nesse inchaço que começava a desenhar-se a via-sacra do incumprimento definitivo.

Olha, meu estupor, sabes o que acontece às casas que as pessoas te entregam? Sabes, pois… São vendidas por tuta e meia, o que quer dizer que na maior parte dos casos, o pessoal apesar de te ter dado a casa fica também com a dívida. Não vale a pena falar-te do sofrimento, da vergonha, do vexame que integra a penhora de uma casa, porque tu não tens alma, banqueiro que és.

Tal como não vale a pena referir-te que os teus lucros vêm de crimes sucessivos. Furtos. Roubos. Gamanços. Comissões de manutenção. Juros moratórios. Juros compensatórios, arredondamentos, spreads, e mais juros de todas as cores. Cartões de crédito, de débito, telefonemas de financeiras a oferecerem empréstimos clausulados em letrinhas microscópicas, cobranças directas feitas por lumpen, vale tudo, meu tratante. Mesmo assim tiveste de ser resgatado para não ires ao fundo, tal foi a desbunda. E, é claro, quem pagou o resgate foram aqueles contra quem falas todo o santo dia.

Este país viveu décadas sucessivas a trabalhar para os bancos. Os portugueses levantavam-se de manhã e ainda de olhos fechados iam bulir, para pagar ao banco a prestação da casa. Vidas inteiras nisto. A grande aliança entre a banca e a construção civil tornavam inevitável, aí sim, verdadeiramente inevitável, a compra de uma casa para morar. Depois os juros aumentavam ou diminuíam conforme era decidido por criaturas que a gente não conhece. A seguir veio a farra. Os bancos eram só facilidades. Concediam empréstimos a toda a gente. Um carnaval completo, obsessivo, até davam prendas, pagavam viagens, ofereciam móveis. Sabiam bem o que faziam.

Na possante dramaturgia desta crise entram todos, a banca completa e enlouquecida, sendo que todos são um só. Depois veio a crise. A banca guinchou e ganiu de desamparo. Lançou-se mais uma vez nos braços do Estado que a abraçou, mimou e a protegeu da queda.

Vens de uma família que se manteve gloriosamente ricalhaça à custa de alianças com outros da mesma laia. Viveram sempre patrocinados pelo Estado, fosse ele ditadura ou democracia. Na ditadura tinham a pide a amparar-vos. Uma pide deferente auxiliava-vos no caminho. Depois veio a democracia. Passado o susto inicial, meu Deus, que aflição, o povo na rua, a banca nacionalizada, viraram democratas convictos. E com razão. O Estado, aquela coisa que tu dizes que não deve intervir na economia, têm-vos dado a mão todos os dias. Todos os dias, façam vocês o que fizerem.

Por isso falas que nem um bronco, com voz grossa, na ingente necessidade de cortes nos salários e pensões. Quanto é que tu ganhas, pá?

Peroras infindavelmente sobre a desejável liberalização dos despedimentos.

Discursas sem pejo sobre a crise de que a cambada a que pertences é a principal responsável.

Como tu, há muitos que falam. Aliás, já ninguém os ouve. Mas tu tinhas que sobressair. Depois do “ai aguenta, aguenta”, vens agora com aquela dos sem-abrigo. Se os sem-abrigo sobrevivem, o resto do povo sobreviverá igualmente.

Também houve sobreviventes em Auschwitz, meu nazi de merda!

É isso que tu queres? Transformar este país num gigantesco campo de concentração?

Depois, pões a hipótese de também tu poderes vir a ser um sem-abrigo. Dizes isto no dia em que anuncias 249 milhões de lucros para o teu banco. É o que se chama um verdadeiro achincalhamento.

Por tudo isto te punha no pelourinho. Só para seres visto pelos milhares que ficaram sem casa. Sem vergastadas. Só um caldo de vez em quando. Podes dizer-me que é uma crueldade. Pois é. Por uma vez terás razão. Nada porém que se compare à infinita crueldade da rapina, da usura que tu defendes e exercitas.

És hoje um dos czares da finança. Vives na maior, cercado pelos sebosos Rasputines governamentais. Lembra-te porém do que aconteceu a uns e ao outro.»

"Who is John Galt?"



Já tive o prazer de ver grandes filmes. Este de que vou falar agora não é um grande filme do ponto de vista cinematográfico. Não tem um elenco de actores conhecidos do grande público, não tem o apoio de um deslumbrante painel de efeitos especiais, não tem sequer uma grande fotografia. Mas tem uma grande estória: uma sequela baseada no romance de Ayin Rand. Este Atlas Shrugged, pode não levar ninguém numa viagem vertiginosa ao centro do universo, mas vai de certeza obrigá-lo a perguntar muitas vezes: "Who is John Galt?"
Recomendo. ;)




Sunday, 28 April 2013

Este também ouve passarinhos!





O homem a quem Chávez falou através de um passarinho também acredita que o ex-líder da Venezuela se substituiu ao Espírito Santo (digo isto porque os católicos acreditam que é o Espírito Santo quem escolhe o novo Papa. Eu cá, acho que são os cardeais que o escolhem). Mas Maduro vai ainda mais longe e acredita que foi Chávez quem o escolheu, pelo menos desta vez. Isto é preocupante. Não mais do que a fraude vergonhosa que envolveu todo o acto eleitoral, é certo, mas são indícios demasiado óbvios de que o homem é completamente louco. Ou isso ou Maduro tem um jardim carregadinho de papoilas. Só isso pode explicar esta pretensão doentia de ser o "ópio do povo".

"Maduro sugere que Chávez influenciou escolha do papa"
por Lusa, publicado por Ricardo Simões Ferreira

"Sabemos que o nosso comandante está de pé e face a face com Cristo", disse Maduro, despoletando um coro de gargalhadas durante uma iniciativa política, e apenas oito dias após a morte de Chávez, que se manteve 14 anos no poder.

"Algo deve ter tido influência para que um papa sul-americano fosse nomeado. Alguma nova mão aproximou-se de Cristo, e disse: Chegou o tempo da América do Sul. Isso é o que penso", declarou o sucessor de Chávez. "Um destes dias vai convocar um congresso constitucional no céu para alterar a igreja no mundo e para que o povo, o único povo puro de Cristo, governe este mundo", sugeriu, numa nova referência ao ex-chefe de Estado."

Almas Gémeas...




Não deve haver coisa mais triste neste mundo que nos apaixonarmos pela nossa alma gémea.
Não falo daquela tristeza que nos pára os sorrisos à chegada, falo de uma tristeza que se veste de alegria, de coração quente, de sangue que nos pula nas veias, de ilusão.
É tão fácil gostar da nossa “alma gémea”, mas tão fácil, que será muito fácil pensar que se gosta de alguém quando de facto apenas gostamos de nós, num outro corpo.

O que acontece é que todos andamos à procura dessa “alma gémea”, dessa coisa que nos completa, que nos deixa confortáveis, e amar - se for possível - não pode ser só uma forma de conforto, não deve ser só um cobertor que nos aquece a existência dos sentidos.
Sentir é muito mais do que adormecer. É ouvir, é ver, é gesticular com as palavras, é ir mais além, é discordar e mesmo assim querer ficar mais um pouco, mais uma hora, ou duas, só para sentir o prazer de não concordar!

Depois, bem depois, vem aquela irritaçãozinha de ver pessoas que acabam as frases uns dos outros, que se riem muito, e que dizem que foram feitos um para o outro. Mas que burrice. Que estupidez. Que forma tão parva de mascarar o amor.Haverá coisa mais chata de termos sido feitos para alguém?

Gosto de pensar que fui feita para descobrir, para pensar, para correr a vida sem olhar para trás, e se tivesse sido feita para alguém, jamais seria para a minha alma gémea, para alguém que me fosse “igual”.

É preciso dizer que gostar da nossa alma gémea não é amar a diferença, a discussão, as perspectivas diferentes, os mundos que apesar de desiguais convivem. Conviver com as nossas ideias, não é mais de que um amor narcisista que temos por nós mesmos, e se só gostamos de quem somos, seremos incapazes de amar alguém.

O amor, a existir, não se encontra em quem nos é parecido ou igual, encontra-se na forma como conseguimos sorrir à divergência, fintar a discordância, conviver com o não.
Pobres almas que se apaixonam pelas suas gémeas. Que precisam de alguém que as complete, que lhes adivinhe o pensamento não por conhecer a reacção, mas porque estão a pensar no mesmo. Tristes existências que existem sem marcar.

E não me digam que encontraram o amor, porque acharam o agasalho cómodo de uma alma gémea.

Crimes Perfeitos






"Sim, o Demónio consegue assumir qualquer disfarce. Mas é no corpo de uma mulher tomada pela paixão que ele se sente em pleno. Nenhuma outra forma lhe assenta com tanta perfeição.
É nessa pele que o Demónio se sente ainda mais Demónio..."
(Marla in Crimes Perfeitos)


Ai de quem diga que não viajamos...


Há cada vez mais caldenses, que quando dão o seu passeio de fim de semana, ficam-se pela Foz do Arelho. De tanto o fazerem, acredito mesmo que já nem conhecem o resto do concelho e muito menos, algum lugar fora dele. Como é que eu sei isso? Combinando saídas com caldenses. E percebendo que esses caldenses não fazem a mais pálida ideia, onde fica o lugarejo que estou a sugerir. Alem disso, generalizou-se por aqui uma espécie de comodismo de viúva de militar. “ Eh pá, é muito complicado ir para aí. Não queres combinar antes ali no Infante ao pé da rotunda?”. Uma preguiça, uma falta de curiosidade, uma atitude do género
“ir beber um copo ao Pato Bravo em S.Martinho ou uma ginjinha no Toupeira em Óbidos já é ir para o estrangeiro.” De certa forma, percebo os benefícios desta falta de vontade em deixar os lugares do costume, este sedentarismo. Nesta altura de pouco "guito" é bom poder acreditar que ir da avenida 1º de Maio ao Avenal já é fazer um safari.

E os meus Óscares vão para:


Sense and Sensibility – Sensibilidade e Bom Senso (1995)





Há qualquer coisa de irresistível nas histórias de amor de tempos passados, quando as mulheres envergavam vestidos maravilhosos, os homens cortejavam-nas com uma elegância sublime e o chá das cinco era um verdadeiro ponto de encontro social. Uma obra-prima de Jane Austen que conta a vida das adoráveis irmãs Elinor (Emma Thompson) e Marianne (Kate Winslet) Dashwood desde o momento em que perdem tudo, até reencontrarem a verdadeira felicidade. Também ajuda que o Hugh Grant anda lá pelo meio! Mesmo hoje, em pleno século XXI, o amor requer apenas algum senso e sensibilidade… nada mais, não acham?

Mundo Imperfeito





Numa ‘March Against Child Labour’ em Nova Iorque, a repórter pergunta a uma criança que acompanha os pais: «Sabes porque é que estás aqui?». O miúdo respondeu: «Sei, é para protestar contra o trabalho infantil dos meninos que são obrigados a fazer Nikes no Vietname». A repórter insistiu: «Tens pena desses meninos?». A criança concordou: «Sim, acho que os meninos do Vietname também deviam poder jogar na Playstation e ver televisão, depois da natação.» 
Estima-se que no Mali, 55% das crianças entre os 10 e os 14 anos trabalhem. No Brasil serão mais de 15% e no Bangladesh cerca de 1/3. No Quénia são mais de 40%. Na China, cerca de 10%. Em todo o terceiro mundo a fotografia é a mesma, o trabalho infantil é não só uma triste realidade, como é, muitas vezes, a normalidade.
Milhões de crianças vietnamitas trabalham, nos arrozais, nas sweatshops, em fábricas de vão de escada que fornecem multinacionais e, principalmente, em casa. Serão os pais vietnamitas gente sem coração nem amor pelos filhos?

É fácil para um europeu do século XXI manifestar a sua indignação por estes números e exigir medidas para banir o trabalho infantil. Infelizmente não é possível acabar com o trabalho infantil gritando em manifestações ou publicando decretos-lei. A solução, a única solução, é o tempo. É esperar que os países mais pobres se desenvolvam, enriqueçam, e que os pais das futuras gerações consigam alimentar os seus filhos sem precisar de sacrificar a sua infância.

A ideia de que se podem castigar os países/empresas onde há trabalho infantil, através de embargos comerciais, essa sim, constitui um crime contra a pobreza. O miúdo do Vietname que passa a noite a coser bolas para a Nike, subcontratado por um qualquer subcontratado de um subcontratado da Nike, é invejado pelo filho do vizinho que trabalha 10 horas por dia nos arrozais ou nas minas e que também gostava mais de coser bolas em casa. Não só pagam melhor, como é uma bênção para os pais vietnamitas ter um filho a trabalhar em casa.
Se o ocidente decide impedir a importação de produtos vietnamitas por causa do trabalho infantil, está apenas a tirar os miúdos de casa e a mandá-los de volta para os arrozais. A alternativa nunca é a Playstation ou os Morangos com Açúcar. É apenas mais pobreza e mais trabalho.
É óbvio que devemos sensibilizar, lamentar e por vezes exigir. Mas não podemos impor a quem nada tem que morra à fome em nome do nosso bem-estar intelectual.
É disto que trata a reportagem da SIC. Das desigualdades que proliferam por esse mundo afora. Desigualdades que para uns são mais trágicas que para outros. Na Europa do Norte, ou melhor, na Dinamarca a grande preocupação é que as desigualdades diminuam entre si e a Finlândia. Os dinamarqueses querem chegar lá…ao nível de (im) perfeição dos finlandeses. Nós queremos quando muito equipararmo-nos aos franceses, já para não dizer, dos espanhóis. E o que dizer dos guineenses? Com toda a certeza que eles desejam as nossas “más” condições, a nossa taxa de desemprego, a nossa qualidade de ensino, o nosso sistema de saúde, etc. O mundo é mesmo isto. Imperfeito.
E um ocidental, não pode fazer nada para acabar com este drama? Pode. Para começar podemos enquanto cidadãos delegar nos nossos políticos a responsabilidade de tomar medidas de apoio aos países subdesenvolvidos. Como por exemplo exigir o levantamento de todas as barreiras alfandegárias que impedem os países mais pobres de iniciar a sua longa caminhada na senda do desenvolvimento. Pode ser solidário. Ser solidário também com o vizinho que mora ao lado, porque não é só na Guiné- Bissau que há dificuldades extremas. Nós por cá também temos muitas famílias que mal conseguem o sustento. E muito sinceramente, acho que esta reportagem deixou muito a desejar no que toca à realidade em que vive a maioria das famílias portuguesas. Como bem sabemos, casais com rendimentos mensais semelhantes ao que vimos na reportagem, ele engenheiro e ela professora e um nível de vida como o que foi mostrado continua a ser o sonho do mundo perfeito, para milhares de portugueses. O sonho…não a realidade. Como não há-de sê-lo para milhões de africanos?
Quanto à Dinamarca…bem, quanto à Dinamarca, sinceramente não me ocorre mais nada a não ser isto:
“Porque protestam estas pessoas?” - perguntou Maria Antonieta.*
“Têm fome. Pedem pão.” - respondeu o cocheiro.
“Se não têm pão, comam croissants.”


(Maria Antonieta, que se tornou rainha consorte de França em 1770 após o seu casamento com Luís XVI. O seu reinado de ostentação e desinteresse pelo povo, durou até à revolução francesa que teve inicio a 5 de Maio de 1789 e terminou a 9 de Novembro de 1799.)

Crise...


“Não me dês conselhos, dá-me dinheiro”, este provérbio espanhol, parece á primeira vista consensual. É sabido que os conselhos não pagam dividas, principalmente numa conjuntura económica dita de crise.
Diz também o saber popular, neste caso em Português, “Não dês de comer, dá uma enxada”.
Será que o défice não é tanto orçamental, mas mais um défice de enxadas ?, Tais como, educação, formação, organização, saúde, cultura cívica. Não serão estas e outras enxadas que semearam a verdadeira qualidade de vida?
Objectivamente, o ditado espanhol é muito mais apelativo que o português, mas a isso também vamos estando habituados, senão vejamos:

Dá-me uma enxada .

Dá-me dinheiro .

Escolham . . .

Se a tua pedra afundar...





O paradigma do séc.XXI: enquanto me deres carinho e tratares de mim, eu vou-te amar. Então, trocamos o nosso amor por um punhado de carinhos e boas intenções. Aprendemos as regras desde a infância: se fores uma boa menina, dou-te um chocolate.
Parece que ninguém é amado simplesmente pelo que é, por existir no mundo da forma como sente, mas sim, pelo que faz em troca desse amor. E quando alguém, por alguma razão, deixa de dar carinho e se afasta? A maioria carrega no botão do desliga-amor, activado pelos medos e sentimentos de abandono, e corre na direcção dos braços mais quentinhos das redondezas. A história ciclicamente renova-se: enquanto fizeres coisas por mim , eu amo-te e fico ao teu lado, porque afinal, em primeiro lugar eu tenho de me amar a mim próprio. Mas que espécie de amor é esse?
É um amor que não serve nem a nós mesmos nem aos outros.
Eu também tenho receios, fantasmas aterrorizantes que atacam de quando em vez, mas não quero acreditar no que eles dizem. Quando saio de uma relação importante, penso que o mundo no qual eu acreditava tem que existir! Deve existir! Nem que este lugar seja apenas num qualquer lugar recôndito, entre a cabeça e o coração... Mesmo que ele não exista em mais recanto algum, se eu, pelo menos, puder construí-lo em mim, como um templo das coisas mais bonitas em que acredito, o mundo encher-se-á de amor e nunca mais ficará doente. Nesse mundo, ninguém precisará de trocar o melhor de si mesmo por coisa alguma porque todo o amor terá o poder de nascer sozinho entre os dedos das mãos. Qualquer amor que seja puro alimenta-se até do respirar, do contemplar do mar, do fechar dos olhos, do abrir das asas que não temos para voarmos lado a lado. Nesse mundo, as pessoas não se abandonam. Elas nunca se vão embora porque não fomos uns bons meninos. Ou porque ficamos com os braços tão fracos que não conseguimos abraçar e ficar por perto.
Mesmo quando o outro se vai embora, nós não vamos. Ficamos e fazer um jardim, um banquinho cheio de cores do qual cuidamos porque aquele é o banquinho onde repousam as coisas bonitas,as grandes recordações, as marcas que nos deixam os grandes amigos. Quem um dia ocupou um lugar especial na nossa vida, sabe que, a qualquer momento, em qualquer lugar, daqui a quantos anos, não sei, pode simplesmente voltar, sem mais explicações.
No mundo que conhecemos as relações dão-se por aí, mas não têm verdade.
“Eu fico sobre a pedra, enquanto estiveres saudável, amoroso e bem-humorado. Enquanto assim for, nós amamo-nos. Se a pedra se afundar, eu não mergulho para te dar a mão, eu salto para outra pedra e começo outro amor”.
Mas o que pode ser mais arrebatador nesse mundo do que o encontro entre duas pessoas? Para mim, reside aí todo o mistério da vida, a intenção mais genuína de um abraço. Encontrar alguém para encostar a ponta dos dedos no fundo do mar, é o máximo de encontro que pode existir, não mais que isso. Encostar a ponta dos dedos no fundo do mar. E isso não é nada fácil, porque existem os fantasmas do abandono, que desejam a todo instante, interromper os nossos abraços com o medo e a desconfiança.

Mas se eu não entender isto agora, a minha arte será uma grande mentira, as minhas histórias de amor serão todas mentiras, o meu livro será uma grande mentira porque neles o que impera mais que tudo é a lealdade, como um Sancho Pança atrás do seu louco Dom Quixote.
É a certeza de existir um lugar, em algum recanto, onde somos acolhidos por um grande amigo.
Se a tua pedra se afundar, eu salto contigo para te dar a mão.

(Autor Desconhecido)

E os meus óscares vão para:


NOTHING HILL


O que pode acontecer quando a maior estrela do cinema se apaixona por uma pessoa comum? A resposta está neste filme do diretor Roger Mitchell. Com Julia Roberts e Hugh Grant nos principais papéis.Claro que toda a gente já viu, mas rever é sempre delicioso.




Mais uma comédia romântica para elas, que eles também não dispensam.




Wednesday, 20 March 2013

“If you don’t go after what you want, you will never have it. If you don’t ask, the answer is always no. If you don’t step forward, you’re always in the same place.”



Tuesday, 19 March 2013