Porque é que eu não encontrei isto antes? :) Com todo o respeito Iron Laidy, ainda não é tarde.
Friday, 3 May 2013
O Preço da Apatia
Há falta de informação e talvez uma certa preguiça em se tentar saber o que se passa neste mundo e que não é contado na comunicação social. A todos os níveis. Dou um exemplo:
Energia limpa (energia ponto zero). Vários inventores desde 1901 têm criado mecanismos que produzem energia sem estarem alimentados pelos meios convencionais e conhecidos.
Neste site, http://www.rense.com/general72/oinvent.htm, pode consultar a história das supressões de inventores da Nova Energia.
A geração de energia com base na energia ponto zero, em 1901 com Tesla, poderia ter redireccionado a sociedade e o planeta numa direcção totalmente oposta à que temos hoje. E teve que ser um banco, J.P.Morgan, que já nessa altura, foi protagonista da 1ª supressão. Curioso, não?
Quando eu abordo este tema com família e amigos, além de acharem que não estou bem da cabeça, não os vejo minimamente “intrigados”, ou interessados em saberem sobre algo que é a solução para a tão falada sustentabilidade e saúde do nosso planeta. E os poucos, muito poucos que se deram ao trabalho de fazerem alguma pesquisa, rematam que não se consegue lutar contra as grandes corporações, grupos económicos que controlam a energia suja que usamos.
O Ser Humano tem que saber quem está acima dos governos locais e quem os manipula descaradamente. Sem se conhecer esta realidade, continua-se nesta batalha caseira, que é sem dúvida importante e tem de ser combatida, que além de nos retirar a vontade de respirar, acaba por nos distrair dos actores globais que estão no topo da pirâmide. Estes actores,que, por andarmos quase um século a dormir e fascinados com o dinheiro fácil, criaram o seu império, e detêm hoje o controlo total dos sistemas financeiros, alimentar, educacional, energético e da saúde.
Esta insensibilidade das pessoas para este e outros temas de tão grande importância é fruto do silêncio cúmplice da comunicação social que leva à, manipulação das massas. Assuntos que envolvam lobis são tabú e este da energia ponto zero é um deles. Por muito, mas mesmo muito menos do que isto, a discussão do assunto das rendas excessivas da EDP, levou à demissão do secretário de estado do sector, e os chulos chefiados pelo Mexia puderam continuar a dormir tranquilamente.
Os portugueses continuam um povo com graves índices de iliteracia e quando gasta uns cêntimos é nos jornais desportivos e nas revistas cor-de-rosa. A ‘manipulação social’ está desta forma prontíssima a actuar.
É este o retrato que faço como uma das causas da inacreditável passividade dos portugueses.
Um exemplo: Na Islândia está um ex-ministro a ser julgado por responsabilidade na crise económica do país, além de terem mandado o FMI às malvas. Estão a recuperar da crise e nós continuamos a descer para o abismo. Na Grécia corre um processo idêntico com um ex-governante. Em Portugal, deixamos os responsáveis pelo estado do país, "viverem à grande e à francesa"(literalmente) e a muitos deles continuam a ser-lhes entregues cargos de relevo, ou proporcionando negócios chorudos como o (PPP) para continuarem a sugar os contribuintes, que continuam a dizer ‘sim senhor ministro’. Estamos apáticos é certo...mas saberemos nós o quanto ao certo, nos custará esta apatia?
A crise segundo Einstein:
"Não podemos desejar ou pretender que as coisas mudem, fazendo sempre o mesmo. A crise é a melhor benção que pode acontecer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera-se a si mesmo sem ficar "superado".Quem atribui à crise os seus fracassos e penúrias, violenta o seu próprio talento e respeita mais os problemas do que as soluções. A verdadeira crise, é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas e dos países é a esperança de encontrar as saídas em soluções fáceis. Sem crise não há desafios, sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um. Falar de crise é promovê-la, e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos duro. Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la." (Albert Einstein)
Thursday, 2 May 2013
Coisas do Facebook
O meu amigo Nuno Dagarman, publicou no mural dele,esta imagem, fazendo uma comparação, como tantas outras que já vi, entre a alegada opulência em que vive o Papa, e a pobreza no mundo. Não fiquei indiferente à indignação do Nuno, nem tão pouco à crueza da imagem e por isso, aqui fica o comentário que lhe fiz e que penso ser talvez, alvo de algumas criticas por parte de quem me lê. Mas peço que me leiam e vejam esta questão de uma forma um pouco mais assertiva, ou menos temperamental , se quiserem. É um exercício difícil, eu sei, mas, lá vai:
"Esta , (depois de todas as que eu costumo ler em relação à politica e aos políticos),é talvez das criticas mais injustas que me passam pelos olhos. É óbvio que quando olhamos para uma imagem destas temos que nos chocar e pensar que não há nada de divino na forma como a igreja se comporta perante o mundo. E não há, de facto. A igreja ao longo dos séculos tem cometido tantos erros que eu dificilmente poderia ver num Papa, alguém que é um representante de Deus. ( segundo a minha forma de olhar para Deus, claro.) Contudo, insisto naquilo que me parece de injustiça, ao criticarmos a tão falada opulência do Vaticano versus pobreza no mundo. De que tipo de opulência falamos nós afinal? Julgo que é preciso clarificar esta questão. Referimo-nos à Basílica de S. Pedro, e à Capela Sistina? Bom, se nos referimos a isso, então eu posso argumentar, que não é o papa que vive na opulência, porque o Papa não vive aí, o papa vai aí, como qualquer um de nós pode ir, e relembrar que esses edifícios maravilhosamente ornamentados, foram assim construídos para, em consonância com a tradição cristã, honrar a Deus com os melhores materiais que a terra tem. O ouro é dos nossos bens mais preciosos. Penso que é normal, querermos (acreditando nisso) honrar o altíssimo com o que de melhor somos capazes. Se me rebateres o argumento dizendo que : " ah, mas Deus lá quer saber do ouro, ele está-se nas tintas para esse tipo de honrarias", sou levada a concordar contigo, porque efectivamente me parece que Deus não está minimamente interessado em metais preciosos. Ainda assim, não posso afirmá-lo convictamente, sob pena de ser muita presunção minha acreditar que conheço a natureza de Deus. Resta-nos portanto, os cómodos que o papa ocupa e o espólio de arte que a igreja detém. Veremos primeiro os aposentos do papa. Se procurares no google ( e convido-te a fazê-lo), facilmente descobrirás que o homem, que além de líder espiritual dos católicos e também (tal como um presidente da republica) é Chefe de Estado do Vaticano, não ocupa aposentos propriamente exuberantes. Tem um quarto com paredes nuas, brancas, uma cama, uma cómoda e um roupeiro. Um ambiente até bastante austero, para quem alegadamente vive no luxo. Claro que não são móveis do IKEA, como... olha, como os meus, mas o meu quarto é muito mais giro. Não troco, obrigada. :P passemos então ao espólio de arte que a igreja vem coleccionando ao longo dos séculos. Já ouvi inclusivamente quem defenda que a igreja devia era vender toda a sua arte e fazer chegar esse dinheiro aos pobres. Peço-te que sejas pragmático em relação a isto: Supondo que a igreja vende a sua arte, acabará com a pobreza no mundo? Não, pois não? Não. Infelizmente a pobreza é um flagelo permanente que existe e continuará a existir independentemente do que uma igreja possa fazer para acabar com ela. A pobreza é um buraco sem fundo,que poderá ser menos fundo, se todos nós globalmente, fizermos alguma coisa quanto a isso. Existe até uma passagem curiosa na Bíblia, em que Judas acusa Tiago de estar a esbanjar um óleo raro para untar os pés de Cristo e lhe pergunta: Porque não vendes antes o óleo e matas a fome aos pobres? Ao que Jesus, terá respondido: Se eu vender o óleo, mato a fome de quantos pobres e por quanto tempo? Penso que a mensagem de certa forma é: apesar de ser necessário agir, ajudando quem é mais frágil, se nos desfizermos do que temos para dar, então também nós ficaremos tão frágeis quanto quem nos pede ajuda e o mundo não ganhará mais um rico, ao contrário: ganhará mais um pobre. Quem ganha com isso? Termino este comentário que já vai longo, (desculpa :P) lembrando apenas mais duas coisas: Uma, é que, apesar de tudo o que se possa dizer sobre a opulência do Vaticano, ainda é a igreja católica quem mais faz pelo pobres em todo o mundo. ( não chega , nós sabemos, mas pelo menos a igreja faz .) Não é por certo a IURD que faz, ou a protestante, ou o islamismo, o induismo, o judaísmo, blábláblá...é a Católica. relembro as missões, os médicos sem fronteiras, o investimento no ensino, as misericórdias. E outra é que, para quem gostar (obviamente) da comparação ao tão místico mundo budista, ( já vi que te dizes budista, não quero ferir-te), trazido para a nossa civilização ocidental através das novas concepções religiosas e filosóficas da New Age, meu amigo, recomendo vivamente que voltes a procurar na internet, o palácio de Potala em Lhasa no Tibete, e vê com os teus próprios olhos a magnificência , o luxo em que vivia Sua Santidade o Dalai Lama ( que eu muito admiro), antes de se exilar na Índia. Desse luxo, ninguém fala. E olha que estamos a falar de um líder espiritual que vivia sim, na opulência, quando os seus próprios conterrâneos vivia (e vive), na mais absoluta miséria. E agora só a título de curiosidade, caso não saibas, talvez gostes de saber que um dos rituais sagrados e muito apreciados pelos nossos amigos pacifistas budistas, é a entrega ao seu Dalai Lama, da pele de crianças pequenas, que são esfoladas vivas para o efeito. É, segundo eles dizem, um ritual de purificação para celebrar a chegada do seu novo líder. Enfim, já me alonguei demais. Depois disto tudo, cheguei a informar-te que não sou católica e que abomino qualquer tipo de religião? Não? Bom, já disse. "
"Esta , (depois de todas as que eu costumo ler em relação à politica e aos políticos),é talvez das criticas mais injustas que me passam pelos olhos. É óbvio que quando olhamos para uma imagem destas temos que nos chocar e pensar que não há nada de divino na forma como a igreja se comporta perante o mundo. E não há, de facto. A igreja ao longo dos séculos tem cometido tantos erros que eu dificilmente poderia ver num Papa, alguém que é um representante de Deus. ( segundo a minha forma de olhar para Deus, claro.) Contudo, insisto naquilo que me parece de injustiça, ao criticarmos a tão falada opulência do Vaticano versus pobreza no mundo. De que tipo de opulência falamos nós afinal? Julgo que é preciso clarificar esta questão. Referimo-nos à Basílica de S. Pedro, e à Capela Sistina? Bom, se nos referimos a isso, então eu posso argumentar, que não é o papa que vive na opulência, porque o Papa não vive aí, o papa vai aí, como qualquer um de nós pode ir, e relembrar que esses edifícios maravilhosamente ornamentados, foram assim construídos para, em consonância com a tradição cristã, honrar a Deus com os melhores materiais que a terra tem. O ouro é dos nossos bens mais preciosos. Penso que é normal, querermos (acreditando nisso) honrar o altíssimo com o que de melhor somos capazes. Se me rebateres o argumento dizendo que : " ah, mas Deus lá quer saber do ouro, ele está-se nas tintas para esse tipo de honrarias", sou levada a concordar contigo, porque efectivamente me parece que Deus não está minimamente interessado em metais preciosos. Ainda assim, não posso afirmá-lo convictamente, sob pena de ser muita presunção minha acreditar que conheço a natureza de Deus. Resta-nos portanto, os cómodos que o papa ocupa e o espólio de arte que a igreja detém. Veremos primeiro os aposentos do papa. Se procurares no google ( e convido-te a fazê-lo), facilmente descobrirás que o homem, que além de líder espiritual dos católicos e também (tal como um presidente da republica) é Chefe de Estado do Vaticano, não ocupa aposentos propriamente exuberantes. Tem um quarto com paredes nuas, brancas, uma cama, uma cómoda e um roupeiro. Um ambiente até bastante austero, para quem alegadamente vive no luxo. Claro que não são móveis do IKEA, como... olha, como os meus, mas o meu quarto é muito mais giro. Não troco, obrigada. :P passemos então ao espólio de arte que a igreja vem coleccionando ao longo dos séculos. Já ouvi inclusivamente quem defenda que a igreja devia era vender toda a sua arte e fazer chegar esse dinheiro aos pobres. Peço-te que sejas pragmático em relação a isto: Supondo que a igreja vende a sua arte, acabará com a pobreza no mundo? Não, pois não? Não. Infelizmente a pobreza é um flagelo permanente que existe e continuará a existir independentemente do que uma igreja possa fazer para acabar com ela. A pobreza é um buraco sem fundo,que poderá ser menos fundo, se todos nós globalmente, fizermos alguma coisa quanto a isso. Existe até uma passagem curiosa na Bíblia, em que Judas acusa Tiago de estar a esbanjar um óleo raro para untar os pés de Cristo e lhe pergunta: Porque não vendes antes o óleo e matas a fome aos pobres? Ao que Jesus, terá respondido: Se eu vender o óleo, mato a fome de quantos pobres e por quanto tempo? Penso que a mensagem de certa forma é: apesar de ser necessário agir, ajudando quem é mais frágil, se nos desfizermos do que temos para dar, então também nós ficaremos tão frágeis quanto quem nos pede ajuda e o mundo não ganhará mais um rico, ao contrário: ganhará mais um pobre. Quem ganha com isso? Termino este comentário que já vai longo, (desculpa :P) lembrando apenas mais duas coisas: Uma, é que, apesar de tudo o que se possa dizer sobre a opulência do Vaticano, ainda é a igreja católica quem mais faz pelo pobres em todo o mundo. ( não chega , nós sabemos, mas pelo menos a igreja faz .) Não é por certo a IURD que faz, ou a protestante, ou o islamismo, o induismo, o judaísmo, blábláblá...é a Católica. relembro as missões, os médicos sem fronteiras, o investimento no ensino, as misericórdias. E outra é que, para quem gostar (obviamente) da comparação ao tão místico mundo budista, ( já vi que te dizes budista, não quero ferir-te), trazido para a nossa civilização ocidental através das novas concepções religiosas e filosóficas da New Age, meu amigo, recomendo vivamente que voltes a procurar na internet, o palácio de Potala em Lhasa no Tibete, e vê com os teus próprios olhos a magnificência , o luxo em que vivia Sua Santidade o Dalai Lama ( que eu muito admiro), antes de se exilar na Índia. Desse luxo, ninguém fala. E olha que estamos a falar de um líder espiritual que vivia sim, na opulência, quando os seus próprios conterrâneos vivia (e vive), na mais absoluta miséria. E agora só a título de curiosidade, caso não saibas, talvez gostes de saber que um dos rituais sagrados e muito apreciados pelos nossos amigos pacifistas budistas, é a entrega ao seu Dalai Lama, da pele de crianças pequenas, que são esfoladas vivas para o efeito. É, segundo eles dizem, um ritual de purificação para celebrar a chegada do seu novo líder. Enfim, já me alonguei demais. Depois disto tudo, cheguei a informar-te que não sou católica e que abomino qualquer tipo de religião? Não? Bom, já disse. "
«Sem tirar nem pôr»
Por Alice Brito, advogada e dirigente do Bloco de Esquerda. O texto é uma crítica feroz às inefáveis afirmações de Ulrich, o presidente do banco BPI. Publicado no blog "Paradigma da Matrix" em Fevereiro deste ano, mas actual. Excelente texto. Vale a pena ler.
«Sei que a raiva não é boa conselheira. Paciência. Aí vai.
Havia dantes no coração das cidades e das vilas umas colunas de pedra que tinham o nome de picotas ou pelourinhos. Aí eram expostos os sentenciados que a seguir eram punidos com vergastadas proporcionais à gravidade do seu crime. Essa exposição tinha também por fim o escárnio popular. Era aí que eu te punha, meu glutão.
Atadinho com umas cordas para que não fugisses. Não te dava vergastadas. Vá lá, uns caldos de vez em quando. Mas exibia-te para que fosses visto pelas pessoas que ficaram sem casa e a entregaram ao teu banco. Terias de suportar o seu olhar, sendo que o chicote dos olhos é bem mais possante que a vergasta.
Terias, pois, de suportar o olhar daqueles a quem prometeste o paraíso a prestações e a quem depois serviste o inferno a pronto pagamento. Daqueles que hoje vivem na rua.
Daqueles que, para não viverem na rua, vivem hoje aboletados em casa dos pais, dos avós, dos irmãos, assim a eito, atravancados nos móveis que deixaram vazias as casas que o teu banco, com a sofreguidão e a gulodice de todos os bancos, lhes papou sem um pingo de remorso.
Dizes com a maior lata que vivemos acima das nossas possibilidades. Mas não falas dos juros que cobraste. Não dizes, nessas ladainhas que andas sempre a vomitar, que quando não se pagava uma prestação, os juros do incumprimento inchavam de gordos, e era nesse inchaço que começava a desenhar-se a via-sacra do incumprimento definitivo.
Olha, meu estupor, sabes o que acontece às casas que as pessoas te entregam? Sabes, pois… São vendidas por tuta e meia, o que quer dizer que na maior parte dos casos, o pessoal apesar de te ter dado a casa fica também com a dívida. Não vale a pena falar-te do sofrimento, da vergonha, do vexame que integra a penhora de uma casa, porque tu não tens alma, banqueiro que és.
Tal como não vale a pena referir-te que os teus lucros vêm de crimes sucessivos. Furtos. Roubos. Gamanços. Comissões de manutenção. Juros moratórios. Juros compensatórios, arredondamentos, spreads, e mais juros de todas as cores. Cartões de crédito, de débito, telefonemas de financeiras a oferecerem empréstimos clausulados em letrinhas microscópicas, cobranças directas feitas por lumpen, vale tudo, meu tratante. Mesmo assim tiveste de ser resgatado para não ires ao fundo, tal foi a desbunda. E, é claro, quem pagou o resgate foram aqueles contra quem falas todo o santo dia.
Este país viveu décadas sucessivas a trabalhar para os bancos. Os portugueses levantavam-se de manhã e ainda de olhos fechados iam bulir, para pagar ao banco a prestação da casa. Vidas inteiras nisto. A grande aliança entre a banca e a construção civil tornavam inevitável, aí sim, verdadeiramente inevitável, a compra de uma casa para morar. Depois os juros aumentavam ou diminuíam conforme era decidido por criaturas que a gente não conhece. A seguir veio a farra. Os bancos eram só facilidades. Concediam empréstimos a toda a gente. Um carnaval completo, obsessivo, até davam prendas, pagavam viagens, ofereciam móveis. Sabiam bem o que faziam.
Na possante dramaturgia desta crise entram todos, a banca completa e enlouquecida, sendo que todos são um só. Depois veio a crise. A banca guinchou e ganiu de desamparo. Lançou-se mais uma vez nos braços do Estado que a abraçou, mimou e a protegeu da queda.
Vens de uma família que se manteve gloriosamente ricalhaça à custa de alianças com outros da mesma laia. Viveram sempre patrocinados pelo Estado, fosse ele ditadura ou democracia. Na ditadura tinham a pide a amparar-vos. Uma pide deferente auxiliava-vos no caminho. Depois veio a democracia. Passado o susto inicial, meu Deus, que aflição, o povo na rua, a banca nacionalizada, viraram democratas convictos. E com razão. O Estado, aquela coisa que tu dizes que não deve intervir na economia, têm-vos dado a mão todos os dias. Todos os dias, façam vocês o que fizerem.
Por isso falas que nem um bronco, com voz grossa, na ingente necessidade de cortes nos salários e pensões. Quanto é que tu ganhas, pá?
Peroras infindavelmente sobre a desejável liberalização dos despedimentos.
Discursas sem pejo sobre a crise de que a cambada a que pertences é a principal responsável.
Como tu, há muitos que falam. Aliás, já ninguém os ouve. Mas tu tinhas que sobressair. Depois do “ai aguenta, aguenta”, vens agora com aquela dos sem-abrigo. Se os sem-abrigo sobrevivem, o resto do povo sobreviverá igualmente.
Também houve sobreviventes em Auschwitz, meu nazi de merda!
É isso que tu queres? Transformar este país num gigantesco campo de concentração?
Depois, pões a hipótese de também tu poderes vir a ser um sem-abrigo. Dizes isto no dia em que anuncias 249 milhões de lucros para o teu banco. É o que se chama um verdadeiro achincalhamento.
Por tudo isto te punha no pelourinho. Só para seres visto pelos milhares que ficaram sem casa. Sem vergastadas. Só um caldo de vez em quando. Podes dizer-me que é uma crueldade. Pois é. Por uma vez terás razão. Nada porém que se compare à infinita crueldade da rapina, da usura que tu defendes e exercitas.
És hoje um dos czares da finança. Vives na maior, cercado pelos sebosos Rasputines governamentais. Lembra-te porém do que aconteceu a uns e ao outro.»
«Sei que a raiva não é boa conselheira. Paciência. Aí vai.
Havia dantes no coração das cidades e das vilas umas colunas de pedra que tinham o nome de picotas ou pelourinhos. Aí eram expostos os sentenciados que a seguir eram punidos com vergastadas proporcionais à gravidade do seu crime. Essa exposição tinha também por fim o escárnio popular. Era aí que eu te punha, meu glutão.
Atadinho com umas cordas para que não fugisses. Não te dava vergastadas. Vá lá, uns caldos de vez em quando. Mas exibia-te para que fosses visto pelas pessoas que ficaram sem casa e a entregaram ao teu banco. Terias de suportar o seu olhar, sendo que o chicote dos olhos é bem mais possante que a vergasta.
Terias, pois, de suportar o olhar daqueles a quem prometeste o paraíso a prestações e a quem depois serviste o inferno a pronto pagamento. Daqueles que hoje vivem na rua.
Daqueles que, para não viverem na rua, vivem hoje aboletados em casa dos pais, dos avós, dos irmãos, assim a eito, atravancados nos móveis que deixaram vazias as casas que o teu banco, com a sofreguidão e a gulodice de todos os bancos, lhes papou sem um pingo de remorso.
Dizes com a maior lata que vivemos acima das nossas possibilidades. Mas não falas dos juros que cobraste. Não dizes, nessas ladainhas que andas sempre a vomitar, que quando não se pagava uma prestação, os juros do incumprimento inchavam de gordos, e era nesse inchaço que começava a desenhar-se a via-sacra do incumprimento definitivo.
Olha, meu estupor, sabes o que acontece às casas que as pessoas te entregam? Sabes, pois… São vendidas por tuta e meia, o que quer dizer que na maior parte dos casos, o pessoal apesar de te ter dado a casa fica também com a dívida. Não vale a pena falar-te do sofrimento, da vergonha, do vexame que integra a penhora de uma casa, porque tu não tens alma, banqueiro que és.
Tal como não vale a pena referir-te que os teus lucros vêm de crimes sucessivos. Furtos. Roubos. Gamanços. Comissões de manutenção. Juros moratórios. Juros compensatórios, arredondamentos, spreads, e mais juros de todas as cores. Cartões de crédito, de débito, telefonemas de financeiras a oferecerem empréstimos clausulados em letrinhas microscópicas, cobranças directas feitas por lumpen, vale tudo, meu tratante. Mesmo assim tiveste de ser resgatado para não ires ao fundo, tal foi a desbunda. E, é claro, quem pagou o resgate foram aqueles contra quem falas todo o santo dia.
Este país viveu décadas sucessivas a trabalhar para os bancos. Os portugueses levantavam-se de manhã e ainda de olhos fechados iam bulir, para pagar ao banco a prestação da casa. Vidas inteiras nisto. A grande aliança entre a banca e a construção civil tornavam inevitável, aí sim, verdadeiramente inevitável, a compra de uma casa para morar. Depois os juros aumentavam ou diminuíam conforme era decidido por criaturas que a gente não conhece. A seguir veio a farra. Os bancos eram só facilidades. Concediam empréstimos a toda a gente. Um carnaval completo, obsessivo, até davam prendas, pagavam viagens, ofereciam móveis. Sabiam bem o que faziam.
Na possante dramaturgia desta crise entram todos, a banca completa e enlouquecida, sendo que todos são um só. Depois veio a crise. A banca guinchou e ganiu de desamparo. Lançou-se mais uma vez nos braços do Estado que a abraçou, mimou e a protegeu da queda.
Vens de uma família que se manteve gloriosamente ricalhaça à custa de alianças com outros da mesma laia. Viveram sempre patrocinados pelo Estado, fosse ele ditadura ou democracia. Na ditadura tinham a pide a amparar-vos. Uma pide deferente auxiliava-vos no caminho. Depois veio a democracia. Passado o susto inicial, meu Deus, que aflição, o povo na rua, a banca nacionalizada, viraram democratas convictos. E com razão. O Estado, aquela coisa que tu dizes que não deve intervir na economia, têm-vos dado a mão todos os dias. Todos os dias, façam vocês o que fizerem.
Por isso falas que nem um bronco, com voz grossa, na ingente necessidade de cortes nos salários e pensões. Quanto é que tu ganhas, pá?
Peroras infindavelmente sobre a desejável liberalização dos despedimentos.
Discursas sem pejo sobre a crise de que a cambada a que pertences é a principal responsável.
Como tu, há muitos que falam. Aliás, já ninguém os ouve. Mas tu tinhas que sobressair. Depois do “ai aguenta, aguenta”, vens agora com aquela dos sem-abrigo. Se os sem-abrigo sobrevivem, o resto do povo sobreviverá igualmente.
Também houve sobreviventes em Auschwitz, meu nazi de merda!
É isso que tu queres? Transformar este país num gigantesco campo de concentração?
Depois, pões a hipótese de também tu poderes vir a ser um sem-abrigo. Dizes isto no dia em que anuncias 249 milhões de lucros para o teu banco. É o que se chama um verdadeiro achincalhamento.
Por tudo isto te punha no pelourinho. Só para seres visto pelos milhares que ficaram sem casa. Sem vergastadas. Só um caldo de vez em quando. Podes dizer-me que é uma crueldade. Pois é. Por uma vez terás razão. Nada porém que se compare à infinita crueldade da rapina, da usura que tu defendes e exercitas.
És hoje um dos czares da finança. Vives na maior, cercado pelos sebosos Rasputines governamentais. Lembra-te porém do que aconteceu a uns e ao outro.»
"Who is John Galt?"
Já tive o prazer de ver grandes filmes. Este de que vou falar agora não é um grande filme do ponto de vista cinematográfico. Não tem um elenco de actores conhecidos do grande público, não tem o apoio de um deslumbrante painel de efeitos especiais, não tem sequer uma grande fotografia. Mas tem uma grande estória: uma sequela baseada no romance de Ayin Rand. Este Atlas Shrugged, pode não levar ninguém numa viagem vertiginosa ao centro do universo, mas vai de certeza obrigá-lo a perguntar muitas vezes: "Who is John Galt?"
Recomendo. ;)
Sunday, 28 April 2013
Este também ouve passarinhos!
O homem a quem Chávez falou através de um passarinho também acredita que o ex-líder da Venezuela se substituiu ao Espírito Santo (digo isto porque os católicos acreditam que é o Espírito Santo quem escolhe o novo Papa. Eu cá, acho que são os cardeais que o escolhem). Mas Maduro vai ainda mais longe e acredita que foi Chávez quem o escolheu, pelo menos desta vez. Isto é preocupante. Não mais do que a fraude vergonhosa que envolveu todo o acto eleitoral, é certo, mas são indícios demasiado óbvios de que o homem é completamente louco. Ou isso ou Maduro tem um jardim carregadinho de papoilas. Só isso pode explicar esta pretensão doentia de ser o "ópio do povo".
"Maduro sugere que Chávez influenciou escolha do papa"
por Lusa, publicado por Ricardo Simões Ferreira
"Sabemos que o nosso comandante está de pé e face a face com Cristo", disse Maduro, despoletando um coro de gargalhadas durante uma iniciativa política, e apenas oito dias após a morte de Chávez, que se manteve 14 anos no poder.
"Algo deve ter tido influência para que um papa sul-americano fosse nomeado. Alguma nova mão aproximou-se de Cristo, e disse: Chegou o tempo da América do Sul. Isso é o que penso", declarou o sucessor de Chávez. "Um destes dias vai convocar um congresso constitucional no céu para alterar a igreja no mundo e para que o povo, o único povo puro de Cristo, governe este mundo", sugeriu, numa nova referência ao ex-chefe de Estado."
"Maduro sugere que Chávez influenciou escolha do papa"
por Lusa, publicado por Ricardo Simões Ferreira
"Sabemos que o nosso comandante está de pé e face a face com Cristo", disse Maduro, despoletando um coro de gargalhadas durante uma iniciativa política, e apenas oito dias após a morte de Chávez, que se manteve 14 anos no poder.
"Algo deve ter tido influência para que um papa sul-americano fosse nomeado. Alguma nova mão aproximou-se de Cristo, e disse: Chegou o tempo da América do Sul. Isso é o que penso", declarou o sucessor de Chávez. "Um destes dias vai convocar um congresso constitucional no céu para alterar a igreja no mundo e para que o povo, o único povo puro de Cristo, governe este mundo", sugeriu, numa nova referência ao ex-chefe de Estado."
Almas Gémeas...
Não deve haver coisa mais triste neste mundo que nos apaixonarmos pela nossa alma gémea.
Não falo daquela tristeza que nos pára os sorrisos à chegada, falo de uma tristeza que se veste de alegria, de coração quente, de sangue que nos pula nas veias, de ilusão.
É tão fácil gostar da nossa “alma gémea”, mas tão fácil, que será muito fácil pensar que se gosta de alguém quando de facto apenas gostamos de nós, num outro corpo.
O que acontece é que todos andamos à procura dessa “alma gémea”, dessa coisa que nos completa, que nos deixa confortáveis, e amar - se for possível - não pode ser só uma forma de conforto, não deve ser só um cobertor que nos aquece a existência dos sentidos.
Sentir é muito mais do que adormecer. É ouvir, é ver, é gesticular com as palavras, é ir mais além, é discordar e mesmo assim querer ficar mais um pouco, mais uma hora, ou duas, só para sentir o prazer de não concordar!
Depois, bem depois, vem aquela irritaçãozinha de ver pessoas que acabam as frases uns dos outros, que se riem muito, e que dizem que foram feitos um para o outro. Mas que burrice. Que estupidez. Que forma tão parva de mascarar o amor.Haverá coisa mais chata de termos sido feitos para alguém?
Gosto de pensar que fui feita para descobrir, para pensar, para correr a vida sem olhar para trás, e se tivesse sido feita para alguém, jamais seria para a minha alma gémea, para alguém que me fosse “igual”.
É preciso dizer que gostar da nossa alma gémea não é amar a diferença, a discussão, as perspectivas diferentes, os mundos que apesar de desiguais convivem. Conviver com as nossas ideias, não é mais de que um amor narcisista que temos por nós mesmos, e se só gostamos de quem somos, seremos incapazes de amar alguém.
O amor, a existir, não se encontra em quem nos é parecido ou igual, encontra-se na forma como conseguimos sorrir à divergência, fintar a discordância, conviver com o não.
Pobres almas que se apaixonam pelas suas gémeas. Que precisam de alguém que as complete, que lhes adivinhe o pensamento não por conhecer a reacção, mas porque estão a pensar no mesmo. Tristes existências que existem sem marcar.
E não me digam que encontraram o amor, porque acharam o agasalho cómodo de uma alma gémea.
Crimes Perfeitos
"Sim, o Demónio consegue assumir qualquer disfarce. Mas é no corpo de uma mulher tomada pela paixão que ele se sente em pleno. Nenhuma outra forma lhe assenta com tanta perfeição.
É nessa pele que o Demónio se sente ainda mais Demónio..."
(Marla in Crimes Perfeitos)
Ai de quem diga que não viajamos...
Há cada vez mais caldenses, que quando dão o seu passeio de fim de semana, ficam-se pela Foz do Arelho. De tanto o fazerem, acredito mesmo que já nem conhecem o resto do concelho e muito menos, algum lugar fora dele. Como é que eu sei isso? Combinando saídas com caldenses. E percebendo que esses caldenses não fazem a mais pálida ideia, onde fica o lugarejo que estou a sugerir. Alem disso, generalizou-se por aqui uma espécie de comodismo de viúva de militar. “ Eh pá, é muito complicado ir para aí. Não queres combinar antes ali no Infante ao pé da rotunda?”. Uma preguiça, uma falta de curiosidade, uma atitude do género
“ir beber um copo ao Pato Bravo em S.Martinho ou uma ginjinha no Toupeira em Óbidos já é ir para o estrangeiro.” De certa forma, percebo os benefícios desta falta de vontade em deixar os lugares do costume, este sedentarismo. Nesta altura de pouco "guito" é bom poder acreditar que ir da avenida 1º de Maio ao Avenal já é fazer um safari.
E os meus Óscares vão para:
Sense and Sensibility – Sensibilidade e Bom Senso (1995)
Há qualquer coisa de irresistível nas histórias de amor de tempos passados, quando as mulheres envergavam vestidos maravilhosos, os homens cortejavam-nas com uma elegância sublime e o chá das cinco era um verdadeiro ponto de encontro social. Uma obra-prima de Jane Austen que conta a vida das adoráveis irmãs Elinor (Emma Thompson) e Marianne (Kate Winslet) Dashwood desde o momento em que perdem tudo, até reencontrarem a verdadeira felicidade. Também ajuda que o Hugh Grant anda lá pelo meio! Mesmo hoje, em pleno século XXI, o amor requer apenas algum senso e sensibilidade… nada mais, não acham?
Mundo Imperfeito
Numa ‘March Against Child Labour’ em Nova Iorque, a repórter pergunta a uma criança que acompanha os pais: «Sabes porque é que estás aqui?». O miúdo respondeu: «Sei, é para protestar contra o trabalho infantil dos meninos que são obrigados a fazer Nikes no Vietname». A repórter insistiu: «Tens pena desses meninos?». A criança concordou: «Sim, acho que os meninos do Vietname também deviam poder jogar na Playstation e ver televisão, depois da natação.»
Estima-se que no Mali, 55% das crianças entre os 10 e os 14 anos trabalhem. No Brasil serão mais de 15% e no Bangladesh cerca de 1/3. No Quénia são mais de 40%. Na China, cerca de 10%. Em todo o terceiro mundo a fotografia é a mesma, o trabalho infantil é não só uma triste realidade, como é, muitas vezes, a normalidade.
Milhões de crianças vietnamitas trabalham, nos arrozais, nas sweatshops, em fábricas de vão de escada que fornecem multinacionais e, principalmente, em casa. Serão os pais vietnamitas gente sem coração nem amor pelos filhos?
É fácil para um europeu do século XXI manifestar a sua indignação por estes números e exigir medidas para banir o trabalho infantil. Infelizmente não é possível acabar com o trabalho infantil gritando em manifestações ou publicando decretos-lei. A solução, a única solução, é o tempo. É esperar que os países mais pobres se desenvolvam, enriqueçam, e que os pais das futuras gerações consigam alimentar os seus filhos sem precisar de sacrificar a sua infância.
A ideia de que se podem castigar os países/empresas onde há trabalho infantil, através de embargos comerciais, essa sim, constitui um crime contra a pobreza. O miúdo do Vietname que passa a noite a coser bolas para a Nike, subcontratado por um qualquer subcontratado de um subcontratado da Nike, é invejado pelo filho do vizinho que trabalha 10 horas por dia nos arrozais ou nas minas e que também gostava mais de coser bolas em casa. Não só pagam melhor, como é uma bênção para os pais vietnamitas ter um filho a trabalhar em casa.
Se o ocidente decide impedir a importação de produtos vietnamitas por causa do trabalho infantil, está apenas a tirar os miúdos de casa e a mandá-los de volta para os arrozais. A alternativa nunca é a Playstation ou os Morangos com Açúcar. É apenas mais pobreza e mais trabalho.
É óbvio que devemos sensibilizar, lamentar e por vezes exigir. Mas não podemos impor a quem nada tem que morra à fome em nome do nosso bem-estar intelectual.
É disto que trata a reportagem da SIC. Das desigualdades que proliferam por esse mundo afora. Desigualdades que para uns são mais trágicas que para outros. Na Europa do Norte, ou melhor, na Dinamarca a grande preocupação é que as desigualdades diminuam entre si e a Finlândia. Os dinamarqueses querem chegar lá…ao nível de (im) perfeição dos finlandeses. Nós queremos quando muito equipararmo-nos aos franceses, já para não dizer, dos espanhóis. E o que dizer dos guineenses? Com toda a certeza que eles desejam as nossas “más” condições, a nossa taxa de desemprego, a nossa qualidade de ensino, o nosso sistema de saúde, etc. O mundo é mesmo isto. Imperfeito.
E um ocidental, não pode fazer nada para acabar com este drama? Pode. Para começar podemos enquanto cidadãos delegar nos nossos políticos a responsabilidade de tomar medidas de apoio aos países subdesenvolvidos. Como por exemplo exigir o levantamento de todas as barreiras alfandegárias que impedem os países mais pobres de iniciar a sua longa caminhada na senda do desenvolvimento. Pode ser solidário. Ser solidário também com o vizinho que mora ao lado, porque não é só na Guiné- Bissau que há dificuldades extremas. Nós por cá também temos muitas famílias que mal conseguem o sustento. E muito sinceramente, acho que esta reportagem deixou muito a desejar no que toca à realidade em que vive a maioria das famílias portuguesas. Como bem sabemos, casais com rendimentos mensais semelhantes ao que vimos na reportagem, ele engenheiro e ela professora e um nível de vida como o que foi mostrado continua a ser o sonho do mundo perfeito, para milhares de portugueses. O sonho…não a realidade. Como não há-de sê-lo para milhões de africanos?
Quanto à Dinamarca…bem, quanto à Dinamarca, sinceramente não me ocorre mais nada a não ser isto:
“Porque protestam estas pessoas?” - perguntou Maria Antonieta.*
“Têm fome. Pedem pão.” - respondeu o cocheiro.
“Se não têm pão, comam croissants.”
(Maria Antonieta, que se tornou rainha consorte de França em 1770 após o seu casamento com Luís XVI. O seu reinado de ostentação e desinteresse pelo povo, durou até à revolução francesa que teve inicio a 5 de Maio de 1789 e terminou a 9 de Novembro de 1799.)
Crise...
“Não me dês conselhos, dá-me dinheiro”, este provérbio espanhol, parece á primeira vista consensual. É sabido que os conselhos não pagam dividas, principalmente numa conjuntura económica dita de crise.
Diz também o saber popular, neste caso em Português, “Não dês de comer, dá uma enxada”.
Será que o défice não é tanto orçamental, mas mais um défice de enxadas ?, Tais como, educação, formação, organização, saúde, cultura cívica. Não serão estas e outras enxadas que semearam a verdadeira qualidade de vida?
Objectivamente, o ditado espanhol é muito mais apelativo que o português, mas a isso também vamos estando habituados, senão vejamos:
Dá-me uma enxada .
Dá-me dinheiro .
Escolham . . .
Se a tua pedra afundar...
O paradigma do séc.XXI: enquanto me deres carinho e tratares de mim, eu vou-te amar. Então, trocamos o nosso amor por um punhado de carinhos e boas intenções. Aprendemos as regras desde a infância: se fores uma boa menina, dou-te um chocolate.
Parece que ninguém é amado simplesmente pelo que é, por existir no mundo da forma como sente, mas sim, pelo que faz em troca desse amor. E quando alguém, por alguma razão, deixa de dar carinho e se afasta? A maioria carrega no botão do desliga-amor, activado pelos medos e sentimentos de abandono, e corre na direcção dos braços mais quentinhos das redondezas. A história ciclicamente renova-se: enquanto fizeres coisas por mim , eu amo-te e fico ao teu lado, porque afinal, em primeiro lugar eu tenho de me amar a mim próprio. Mas que espécie de amor é esse?
É um amor que não serve nem a nós mesmos nem aos outros.
Eu também tenho receios, fantasmas aterrorizantes que atacam de quando em vez, mas não quero acreditar no que eles dizem. Quando saio de uma relação importante, penso que o mundo no qual eu acreditava tem que existir! Deve existir! Nem que este lugar seja apenas num qualquer lugar recôndito, entre a cabeça e o coração... Mesmo que ele não exista em mais recanto algum, se eu, pelo menos, puder construí-lo em mim, como um templo das coisas mais bonitas em que acredito, o mundo encher-se-á de amor e nunca mais ficará doente. Nesse mundo, ninguém precisará de trocar o melhor de si mesmo por coisa alguma porque todo o amor terá o poder de nascer sozinho entre os dedos das mãos. Qualquer amor que seja puro alimenta-se até do respirar, do contemplar do mar, do fechar dos olhos, do abrir das asas que não temos para voarmos lado a lado. Nesse mundo, as pessoas não se abandonam. Elas nunca se vão embora porque não fomos uns bons meninos. Ou porque ficamos com os braços tão fracos que não conseguimos abraçar e ficar por perto.
Mesmo quando o outro se vai embora, nós não vamos. Ficamos e fazer um jardim, um banquinho cheio de cores do qual cuidamos porque aquele é o banquinho onde repousam as coisas bonitas,as grandes recordações, as marcas que nos deixam os grandes amigos. Quem um dia ocupou um lugar especial na nossa vida, sabe que, a qualquer momento, em qualquer lugar, daqui a quantos anos, não sei, pode simplesmente voltar, sem mais explicações.
No mundo que conhecemos as relações dão-se por aí, mas não têm verdade.
“Eu fico sobre a pedra, enquanto estiveres saudável, amoroso e bem-humorado. Enquanto assim for, nós amamo-nos. Se a pedra se afundar, eu não mergulho para te dar a mão, eu salto para outra pedra e começo outro amor”.
Mas o que pode ser mais arrebatador nesse mundo do que o encontro entre duas pessoas? Para mim, reside aí todo o mistério da vida, a intenção mais genuína de um abraço. Encontrar alguém para encostar a ponta dos dedos no fundo do mar, é o máximo de encontro que pode existir, não mais que isso. Encostar a ponta dos dedos no fundo do mar. E isso não é nada fácil, porque existem os fantasmas do abandono, que desejam a todo instante, interromper os nossos abraços com o medo e a desconfiança.
Mas se eu não entender isto agora, a minha arte será uma grande mentira, as minhas histórias de amor serão todas mentiras, o meu livro será uma grande mentira porque neles o que impera mais que tudo é a lealdade, como um Sancho Pança atrás do seu louco Dom Quixote.
É a certeza de existir um lugar, em algum recanto, onde somos acolhidos por um grande amigo.
Se a tua pedra se afundar, eu salto contigo para te dar a mão.
(Autor Desconhecido)
E os meus óscares vão para:
NOTHING HILL
O que pode acontecer quando a maior estrela do cinema se apaixona por uma pessoa comum? A resposta está neste filme do diretor Roger Mitchell. Com Julia Roberts e Hugh Grant nos principais papéis.Claro que toda a gente já viu, mas rever é sempre delicioso.
Mais uma comédia romântica para elas, que eles também não dispensam.
Wednesday, 20 March 2013
“If you don’t go after what you want, you will never have it. If you don’t ask, the answer is always no. If you don’t step forward, you’re always in the same place.”
Tuesday, 19 March 2013
Subscribe to:
Posts (Atom)







.png)










