Monday, 28 July 2014

Alcorão VS Tora... O Profano do Sagrado

Não há heresia mais traiçoeira do que o fundamentalismo religioso. Isto preocupa-me. 
Tomem-se os exemplos mais conhecidos, os vértices do triângulo mitológico formado por judeus, cristãos e muçulmanos em torno do mesmo Deus. 
Não é preciso mais do que um olhar, a leitura de duas linhas, um minuto do som que emitem, para termos a exacta sensação de que os fundamentalistas de qualquer das três doutrinas estão do lado do filme em que mora o bandido. Só para lembrar exemplos mais vivos na memória, cito três,- que, ainda por cima fazem ou fizeram a política do fundamentalismo religioso: Bush, Bin Laden, Bini Netanyahu (acreditem, Ariel Sharon foi quase um menino de coro ao pé dele). O que é que os três inspiram ou inspiraram? Ódio, medo, repulsa. No que é que os três basearam a sua popularidade? Na disseminação de ódio, medo e repulsa. E como medo, ódio e repulsa podem estar ligados ao que é divino, criador, iluminado? Só pela via da apropriação indébita. 
Os ditos fundamentalistas tomam para si o que não é seu nem de ninguém: a interpretação absoluta e definitiva do que se coloca como a manifestação do transcendente -- os textos sagrados. "Está escrito", rosnam. Sim, está escrito. Mas o que significa? Alguém escreveu, alguém representou, traduziu para uma linguagem, com todos os limites que uma linguagem tem, e que a faz, desde que o mundo é um mundo escrito e retratado, passível de interpretações.
 O exemplo que gosto de citar é a primeira frase do primeiro versículo do Evangelho de João: "No princípio era o Verbo". Que verbo é esse, com maiúscula, e que se atreve a "fazer-se Deus", e mesmo a "ser Deus"? Para mim, é extremamente claro: se o que foi dado ao evangelista para desenhar, designar, representar o infinito, foi a palavra, o escrever, o que pode ser mais infinito do que o verbo? João constrói, com maiúscula, o verbo dos verbos, o infinitivo absoluto. Confessa, em três linhas, que propõe no Verbo, a representação de Deus -- a mais grandiosa, na minha opinião. Pois bem, eu posso estar aqui a dizer disparates, consequência de uma aprendizagem individual que pode até ser duvidosa. Ou posso ter tido o “insight” do milénio. Não importa.
 A visão dos fundamentalistas, por ter sido interpretada autonomamente, eu não li nem encontrei lá o mesmo que eles encontram. Por isso não acredito no mesmo em que eles acreditam. E se eu perguntar a um deles o que quis o evangelista dizer, ele condenará a pergunta. 
O mundo, deste terceiro milénio, vê-se sob a sombra da batalha movida por esses sequestradores do sagrado, os que tomam como seu o que é de Deus. São literal e etimologicamente, os sacrílegos - aqueles que querem legislar o sagrado e, portanto, usurpar o que é de todos. O mundo está sob o domínio desta gente. Piorou com a reeleição de Bush (agora um passado infeliz). 
Os postos de Condoleeza Rice e Alberto Gonzales mostraram desde logo o caminho a seguir por uma humanidade expropriada do seu sentido: Humanidade. E hoje assistimos ao inevitável, tendo em conta o percurso feito até aqui. 
Vamos embalados nos braços de hereges vestidos de santos, até nos adormecermos. Deixamos que nos adormeçam. Sobretudo quando não são as nossas guerras, as nossas casas bombardeadas e os corpos de quem amamos mutilados.
 Há quem fale em anti-Cristo, a figura mítica do apocalipse popular. Não, esses tipos não são tão espectaculares assim! Ao mesmo tempo, são equânimes: são anti-Cristo como são anti-Maomé, anti-Abraão, anti-Alá… São sobretudo e acima de tudo, anti-todos-nós! - Já poucos reconhecem a importância da paz, simples assim, como deve ser. Apenas Paz.
 O problema crucial é: Nós, que almejamos a paz, só vamos vencer quando a palavra guerra deixar de fazer sentido e a palavra tolerância deixar de ser apenas uma palavra e passar a ser um modo de vida. Mas um modo de vida assim, não pode ser totalitário. A tolerância para poder existir terá que ser ela própria intolerante de vez em quando. Ou é possível mantê-la viva, sendo tolerante com os intolerantes? Não pode. E é por isso que esbarraremos sempre nesta perpétua condição humana. Haverá sempre uma “Gaza” por aí.
 É uma fatalidade que nos corre no sangue, não importa o tipo. Em algum lugar do mundo, a cada 31 de Dezembro, alguém dirá sempre: “ Feliz Atentado Novo”. 

( Escrito em 2004  para o  blog " Divagações". Continua tão actual! )


Saturday, 26 July 2014

A Terra (santa) Amaldiçoada…

Tablóides sensacionalistas, mais uns quantos canais de televisão (que por acaso até são lideres de audiências), profetas da desgraça, Edvards Munchs da era digital, esses pintores de gritos e de lágrimas e de dor. Viver num mundo onde a humanidade se hostiliza, se fere e mata por conta do ouro, da banca, do petróleo e de livros antigos. É o que temos. E como me disse ainda ontem, alguém muito mais jovem do que eu, (alguém a quem a fé na humanidade nunca chegou a nascer): “ Somos intrinsecamente maus. O gene da bestialidade, da maldade, da intolerância, está plantado em nós como uma semente que se colou ao útero da Terra. Ocasionalmente há uma luz que se acende aqui ou acolá. Uma ou outra parte do globo ilumina-se com uma frágil corrente de paz e amor, mas nunca tem tempo para se fortalecer nem nunca nasce ao mesmo tempo em todo o lado”.
Sou forçada a concordar com ele. E a minha fé, que deve ter nascido mais ou menos no mesmo dia que eu, vai morrendo um bocadinho mais todos os dias. 
Morre nas páginas dos jornais, no ecrã da televisão e até nas cronologias do Facebook. Eu tento contrapor o meu jovem oponente no debate. “Não. Nós melhorámos. Nós já fomos maus. Isso é passado. Olha a Idade Média, a Inquisição. Lembras-te da Inquisição? “ O Rafael olha-me como se me visse através de um vidro fosco, embaciado com fantasias. “ Idade Média? Inquisição, a caça às bruxas, as cruzadas??? E já em pleno Sec-XX, XXI?? A 1ªe 2ª Grande Guerra, Hiroshima, Nagasaki, o Holocausto, o Iraque de Sadam, a mutilação genital feminina, (que não se pratica apenas em países da Ásia e África, mas também na Europa), Tiananmen, Timor, o leste europeu, as redes de tráfico de mulheres e crianças, o 11 de Setembro, a escravatura infantil, a politica do filho único na China que atira com milhares de bebés (principalmente do sexo feminino para os contentores da morte), e de novo a caça às bruxas e bruxos da actualidade que já levou centenas à execução no Cambodja, e de novo, sempre de novo, por séculos de história, a mortandade entre irmãos que lutam por uma terra que de Santa só o nome?”
E poderíamos continuar, temo. “ E que lutam em nome de um Deus que terá um dia, sem querer (creio), conduzido estas criaturas a uma epopeia de sangue e desgraça, quando lhes disse que aquela era a Terra Prometida.” Mais uma vez, palavras mortas em livros velhos.
“ Somos intrinsecamente maus.” 
Pois somos, Rafael. O gene da bestialidade, da maldade, da intolerância, está plantado em nós como uma semente que se colou ao útero da Terra.


Thursday, 24 July 2014

Intimidade

Há momentos e situações em que o olhar comunica mais que as palavras, isso também é intimidade. Creio que sou capaz de dizer muitas coisas sem falar, é o outro que também tem de compreender e de saber interpretar. Quando se estabelece essa relação de intimidade e de amizade, não é necessário falar. (...) Frequentemente é melhor não o fazer porque as palavras estão muito gastas.

António Lobo Antunes



Sunset

Acreditem...é o pôr-do-sol na Foz do Arelho. Atrevam-se a dizer que não temos praias bonitas por aqui!


(Fotos - Cristina Pinto)

Thursday, 17 July 2014

Há fotografias que não lembram ao diabo!  :) (eclipse lunar)



Tuesday, 15 July 2014

Jesus Cristo bebia cerveja

A Tell A Story lançou recentemente o seu primeiro livro de um autor português traduzido para inglês. O autor chama-se Afonso Cruz, e o nome do livro é: "Jesus Cristo bebia cerveja". Se por causa disto, nas celebrações religiosas, os padres começarem a trocar o habitual vinho por uma Guiness fresquinha, até eu começo a ir à missa. Com um bocadinho de sorte, talvez venha um copito a acompanhar a tradicional hóstia. E com um bocadinho mais de sorte, ainda aparece outro livro com o nome: Jesus Cristo comia Gambas à La Guilho.


Wednesday, 2 July 2014

Eyes

Those damn eyes fucked me forever. We made love just looking at them.



Tuesday, 10 June 2014

Bonecas do prazer

Existem homens que simplesmente não conseguem amar mulheres verdadeiras. Em vez disso, compram bonecas realistas (sex dolls) que acumulam em casa, um harém de silicone, nas quais já gastam fortunas. É a elas que recorrem para “amor, afecto e sexo“. “Uma rapariga humana pode ser-te infiel ou trair-te às vezes, mas estas bonecas nunca fazem essas coisas.Elas pertencem-me a 100 %.”
What a fucked up guy… ! E parece que esta incapacidade de relacionamento humano, de estabelecer uma relação afectiva/amorosa/sexual com outro ser humano, afecta cada vez mais homens no Japão…

Haverá algo mais triste que a incapacidade de amar (e ser amado)?…
Lembram-se do filme “Boneca Mecânica”, com a Melanie Griffith (Cherry 2000)?
Eu gosto imenso deste género de filmes que exploram a fronteira homem-máquina (Terminator, Bicentennial Man, I Robot, Artificial Inteligence, etc), o tema fascina-me. Claro que a Cherry realmente parecia uma mulher verdadeira, era um robot hiper-realista. Estas são apenas bonecas imóveis.
Espero que um dia estas bonecas-robot sejam mesmo muito realistas e hiper-baratas, talvez o tráfico, violação e escravização, abuso e violência dos homens (e algumas mulheres!) sobre as mulheres (reais) acabe, se as bonecas servirem a procura de sexo e violência por parte de homens perturbados e/ou sem escrúpulos.
Vi há umas semanas na televisão um filme sobre esta questão e fiquei horrorizada.
Uma coisa é ler sobre isso e ver uma coisa aqui e outra ali, outra é espreitar a vida de alguém concreto enredado nesse pesadelo do tráfico e exploração sexual de mulheres…
Não compreendo como pode haver gente tão cruel…




Sunday, 8 June 2014

Homens sem imaginação

É verdade que Proust disse que as mulheres belas deviam de ser deixadas para os homens sem imaginação. Mas também é verdade que Proust era gay.




Tuesday, 20 May 2014

Como é que isso funciona no dia-a-dia?
Falo, naturalmente, das unhas super-extra-longas-Cruella-Devilish.
A sério, eu não compreendo como é que dá para fazer a vida do quotidiano com umas unhas que vão daqui a Bagdad.
Assim por alto, consigo lembrar-me de que provavelmente nem conseguiria apertar o fecho das calças,quanto mais enfiar uns collants nas pernas, ou até mesmo lavar os dentes, sem acertar numa bochecha.
Posto isto, temo dizer que as verdadeiras heroínas são as lojistas, senhoras da limpeza, secretárias e demais profissões que envolvam grande uso de mãos ( vá lá consigo lembrar-me de outras mas não quero ser brejeira ), pois eu nunca seria capaz de fazer o que quer que fosse no meu dia-a-dia sem acabar com uma vista vazada.


Wednesday, 14 May 2014

A Poesia dos Números

Na matemática, obtém-se uma forma aproximada de um coração através da seguinte fórmula: (x2+y2-1)3-x2y3=0. É a chamada curva implícita. Afinal de contas, uma designação poética. Quem diria?


Tuesday, 13 May 2014

Se eu mandasse em Portugal, a ASAE deixava de fiscalizar casas de pasto e os respectivos prostíbulos anexos. Deixava de implicar com madeiras emporcalhadas e cagava na cena dos PPL-PPP-PPC (pia-para-legumes; pia-para-peixe e o resto já sabem).
A ASAE para já mudava logo de nome porque eu não o entendo na sua totalidade: “Autoridade de Segurança Alimentar e Económica” - eu entendo o que seja segurança alimentar, afinal temos de estar atentos ao que metemos na boca, na medida do possível. Mas segurança económica? São poucos os que podem dizer “sinto-me seguro economicamente”. E esta segurança nada parece ter a ver com a ASAE.

Mas, como dizia, a ASAE transmutar-se-ia para a Autoridade de Segurança Auditiva e Económica (afinal não interessa se uma pessoa entende ou não o termo, acabo de aprender que o que importa é soar bem) e passava a fiscalizar locais de diversão diurna de entrada livre, como a Stadivarius ou a Bershka.

Licença comercial só após o cessar de uma Rihanna esganiçada em alto volume de som. Logo teríamos uma larga massa de adolescentes em crise existencial. Arrisco algumas razões:

a. talvez uma toada sexy-fresh-pop ajude a esquecer a falta de dinheiro para comprar metade da loja
b. talvez uma toada sexy-fresh-pop ajude as adolescentes a sentirem-se sexy-fresh-pop ao espelho com os trapinhos igualmente sexy-fresh-pop (é todo um universo…)
c. talvez uma toada sexy-fresh-pop deixe os funcionários sem qualquer capacidade para pensar na merda da vida.
d. talvez uma toada sexy-fresh-pop abafe os comentários das fêmeas mais ranhosas (“o cu dela não cabe ali…no way!”)

Fortes neuras e stresses domésticos são a incapacidade dos progenitores actuais.
Se pensarmos em pequena escala vamos dar ao fim do mundo.

Vejamos:

200 adolescentes ficam histéricas porque a Pull estava em total silêncio. Cada uma delas fica frustrada porque esteve atenta o suficiente para ler as etiquetas dos preços.
Depois de toda a tensão para escolher apenas uma peça apercebe-se que terá de fazer uma cirurgia para ter mamas. Sai do vestiário e ouve uns risinhos trocistas que põem fim à amizade de semanas e semanas. Estas 200 adolescentes seguem em fúria para casa.

E já estão a ver o filme – mães em pânico, pais que não cedem ao diálogo, tias que põem água na fervura, uma tensão de morte durante dias até que, 200 adolescentes resolvem experimentar cocaína. E estas 200 adolescentes espalhadas por vários estabelecimentos de ensino…é uma bola de neve. Se isto ocorresse numa altura como esta: febre das comprinhas para o verão + exames, imaginem…

De modos que a minha teoria bate certo – a música imprópria para consumo nos estabelecimentos comerciais tem tudo a ver com o lado ordeiro de um povo. Tenho dito.


Sunday, 11 May 2014

Orgulho besta

E há quem se deixe ressequir por dentro, assim, por coisa tão pouca?
(perguntas de resposta óbvia.)
Os brasileiros chamam-lhe, salvo erro, «orgulho besta».
 O adjectivo é devido, porque a estupidez revela-se em toda a linha de manifestação desta terrível forma de sentimento. Também sou orgulhosa – quem o não é? – e também me custa dar o braço a torcer. Mas há um ponto de sufocação, de ânsia por uma aproximação, uma explicação ou um passo em frente, que me derrota invariavelmente os «orgulhos bestas», por inexpugnável que pareça a fortaleza em que se barricaram, num prazo que nunca ultrapassa os dois dias. 
É, deduzo, virtude da minha condição feminina. Estou, de resto, pronta a admitir que, mais do que a expressão de uma índole conciliadora, esteja em causa a propensão da mulher para verbalizar os seus estados de alma e esvaziar em jactos de palavras os copos de águas turvas que vai enchendo gota a gota. 
O certo é que consigo quebrar o silêncio e pedir - como peço - desculpa. Razão por que não conto morrer de estupidez. Porque o «orgulho besta» é dos tais que recusam, sem um estremecimento de dúvida, o amor, a compreensão, a mão estendida, mesmo que ao fazê-lo risquem da sua vida qualquer hipótese de felicidade.



Wednesday, 23 April 2014

Os cínicos da solidariedade dizem que as pessoas só ajudam os outros porque se querem sentir melhor. E têm razão. Quase nada na vida é feito sem egoísmo. Mas a questão é que há egoísmos bons.


Friday, 18 April 2014

Páscoa



A Páscoa é para mim a época mais especial do ano. Ainda mais que o Natal, que adoro. Mas a Páscoa tem para mim um sentido especial. Único. Não porque Jesus tenha morrido e ressuscitado ao 3º dia.

Na verdade nem sei se tal aconteceu e não me interessa tão pouco.

Interessa-me que a Páscoa marca o fim da passagem por este mundo, de alguém que quer tenha vivido exactamente como descrevem os livros sagrados- o filho de Deus-, quer tenha vivido com um homem excepcional que deixou uma mensagem ímpar, poderosíssima e intemporal, foi, em qualquer dos casos, um homem inspirador, dotado de um QI impressionante, que o soube usar para o que vale realmente a pena: Construir, Unir, Pacificar, Nutrir, Amar.

Sejamos nós capazes de seguir os seus passos, mesmo que não todos, um pedaço do seu trilho e o mundo será efectivamente aquele que (pelo menos assim o dizemos), desejamos alcançar.

Uma Páscoa Feliz para todos.


Tuesday, 15 April 2014

Não há tempo para perder tempo...

Nada nos muda mais e melhor do que os anos. 4 ou 5 vezes as mãos cheias de anos, são uma metamorfose implacável, intransigente e irrecusável. Não há quem não se reformule, endureça e mude definitivamente as lentes com que olha o mundo à sua volta. 
Hoje, depois de em cada dedo eu contar um ano e multiplicá-los aos 10 por 4, as minhas mãos cheias de vivências estão mais hábeis mas também mais ásperas. E quem pode censurar? 
Quem pode dizer com total honestidade que nas curvas da vida nunca derrapou, nunca embateu numa árvore, num muro, nunca capotou e perdeu a esperança de que a meio da noite, num local inóspito e isolado ninguém aparecesse para o salvar? Ou que as forças lhe falhassem para procurar ajuda? São esses momentos que nos tornam mais solitários, às vezes orgulhosamente solitários e convictos de que tantos embates serviram ao menos para nos ajudar a seguir em frente sem outra mão a guiar-nos os passos. 
O tempo muda-nos. Reveste-nos com uma pelicula de arrogância, quer queiramos quer não. Não porque deixemos de ser humildes, mas porque aprendemos a adaptar a nossa humildade às circunstâncias. 
Acabamos por perceber que quem se afasta de nós há 3, 2 ou mesmo 1 década atrás, não poderá em boa verdade reconhecer-nos quando se dá um reencontro. Talvez as feições traiam as nossas mudanças interiores e nos denunciem a pessoa que sempre fomos. Mas basta que nos falem, 5 ou dez minutos, não mais que isso, e serão óbvias as diferenças. 
Já não dizemos que estamos bem quando não estamos, mas também já não somos ingénuos ao ponto de pensar que a pergunta exige uma resposta. 
Morre-nos um pouco, todos os dias, a paciência para coisas que antes nos passavam ao lado e somos surpreendidos com a nossa capacidade de seleccionar o que vale ou não a pena deixar passar ao lado. Já não temos tempo a perder com o que nos desagrada ou fere. 
Sabemos reconhecer o cinismo venha ele de onde vier e sabemos também lidar com ele nem que para isso seja necessário reagirmos como um espelho. 
Já não nos melindramos com críticas nem nos deixamos bajular com elogios. 
O tempo mata-nos muita coisa. E não damos pela sua morte até ao momento em que nos sentimos capazes de desistir do que não nos faz bem. E isso, o tempo também nos ensina. 
Nem sempre desistir é mau. Nem sempre é sinal de fraqueza, de cobardia e muito menos de fracasso. É tantas vezes o contrário. 
Morre-nos com o passar dos dias, também a vontade de agradar a quem na verdade não agradamos, de amar quem não nos ama. 
Os dias que passam por nós, na verdade não passam. Esperam que nós passemos por eles. E vão-nos contando muitos segredos. E quando menos esperamos já eles nos confidenciaram que não vale a pena tentarmos retê-los, seja para o que for, porque seja qual for a nossa vontade, eles só fazem o que querem e ensinam-nos a fazer o mesmo. A fazermos o que queremos, a irmos para onde e com quem queremos. 
Deixamos de aceitar jogos, manipulações e mentiras. Ambas as mãos repletas de anos trazem-nos trilhos que sulcam a nossa pele, mas são esses trilhos as marcas de aprendizados que quem se atreve a ignorar recusa a sua própria história. 
Nada que os anos ensinam é tão importante como a visão exacta da importância. 
Da importância das pessoas com quem convivemos, da importância das coisas que nos são ditas, da importância das coisas que por nós são feitas, da importância do que somos. 
Num dia, ou numa noite em que o tempo que já vivemos nos atravessa os sentidos e nos sustém as memórias, todos os relógios do mundo se unem numa conspiração atemorizante sobre nós mesmos e a nossa própria importância. A importância do que somos. 
E invariavelmente, acredito, a conclusão é sempre a de que somos tão mais importantes quanto o que amámos e fomos amados. E é isto. Ambas as mãos repletas de anos resumem-se a isto: A esta simplicidade, que de tão grande é ridícula. Não importa mais nada. 
O que temos, o que conquistámos o quanto nos realizámos. O que pode realmente mudar a nossa trajectória, o que pode genuinamente penetrar no nosso âmago e transformá-lo numa casca de noz à deriva, é descobrirmo-nos impedidos de amar e de sermos amados. 
Para os que são pais, serão eles, os filhos, os responsáveis por esse equilíbrio entre nós mesmos e o passar dos dias. Para os que são pais, são eles, os filhos, os transmissores de que passamos a depender para nos comunicarmos internamente.
 Para os que são pais, são eles, os filhos, a razão maior da nossa vida, do nosso amor, do nosso tempo. Perdendo um filho, não há apenas um ciclo que se fecha. 
Há um vórtice que se abate sobre nós e nos impulsiona para uma realidade paralela, onde tudo o que os nossos dias nos ensinaram ao longo de décadas da nossa existência perde o sentido e a razão. 
E o tempo, esse professor implacável, dá-nos senão a derradeira, a maior das lições: A de que, termos ao nosso lado quem nos ama e quem amamos é que o faz valer verdadeiramente a pena.


Lembrei-me agora que queria falar sobre isto. talvez alguém por aqui me consiga elucidar.
Eu sou mulher, é certo ( não tenho duvidas, juro!) eheheh...mas as mulheres têm coisas que eu não entendo. Alguém me explica, porque é que há algum tempo atrás, elas usavam pestanas postiças, querendo fazer crer que eram verdadeiras e agora usam máscaras (rimmel) nas pestanas verdadeiras com efeito de pestanas falsas?
Estou confusa...há coisas que me dão vontade de ser gajo... 



E se...?


"E" e "Se" são duas palavras tão inofensivas quanto qualquer palavra, mas coloca-as juntas lado a lado, e elas têm o poder de te assombrar pelo resto da tua vida. "E se".. E se? E se?



Saturday, 5 April 2014

Delícia, delícia. Assim você me...engorda :)

Merengue de frutos silvestres. 
Há coisas muito boas neste mundo!


Wednesday, 26 March 2014

“Como provar aos homens o quanto estão enganados ao pensar que deixam de se apaixonar quando envelhecem, quando eles nem mesmo sabem que envelhecem justamente, quando deixam de se apaixonar?!”
―Gabriel García Marquez



Tuesday, 18 March 2014

Livros



É a democratização da cultura. Escrevem-se livros.
Quase toda a gente escreve um livro. 
100 páginas quando muito e já está. Sem sumo, mau português. 
A maioria são poemas ou estórias que não acrescentam nada à vida de quem os lê. São assim os democratas da cultura. 
Mulheres que se dizem poetas, homens que se auto proclamam de poetisas...absurdo? Já o li, escrito por gente que assina livros!! Todos autores, escritores da sua vaidadezinha pessoal irritante. 
E depois há os outros. Os que não querem atirar com nada para as editoras antes da certeza, ou pelo menos a convicção de que vai valer a pena. Não para o autor mas para o leitor. Porque quem tem que ganhar com um livro é o leitor. 
Se eu não for capaz de transportar quem me lê para dentro da estória ou da história; se eu não for capaz de o fazer sentir a brisa marítima, enquanto ela o espera no cais; se eu não lhe puder levar o perfume das açucenas; se o meu drama, romance, comédia, tragédia, não invadir o espaço em que aquele livro se abriu; se eu não provocar um soluço, um arrepio, uma gargalhada, o medo a invadir os ossos de quem se retesou na cadeira e virou a página com o coração aos pulos...então porquê escrever, apresentar...vender...tentar ser algo que não sou, porquê escrever?
 Escrever realmente não obedece a democratizações. Quem o faz bem, não precisa delas para nada e quem o não sabe fazer, deve dedicar-se a outra coisa qualquer.



Wednesday, 12 March 2014

Não fujas ainda. Deixa que o nosso ardor prossiga, que os teus passos rematem os meus em movimentos cada vez mais féericos. Chegará o momento (é sempre assim, nos sonhos) em que as ervas, que pisamos, se enrolarão às nossas pernas, impondo-nos a pausa circunspecta que nos obrigará, de novo, a respirar.



Tuesday, 11 March 2014

O Sexo e o Poder

"Tudo na vida tem a ver com sexo. Menos o sexo. O sexo tem a ver com Poder."
(in House Of Cards)


Monday, 10 March 2014

Scorpions, despedem-se de Espanha com a bandeira portuguesa. Amazing!




Friday, 7 March 2014

João Chaves,a voz do Oceano Pacífico da RFM, comigo na Mais Oeste Rádio, a apresentar o Luas & Marés desta quinta-feira.



Amo o Rui Veloso. Amo-o com um amor antigo e intenso. Lembro-me de escutar o “Anel de Rubi” madrugadas adentro, na companhia de amigos e de lhe ter feito uma nova letra que foi a primeira que cantarolei para um público de meia dúzia de adolescentes.
Foi também ao som desta música que dei o primeiro beijo. Nessa altura fui vê-lo a Coimbra e também pela primeira vez senti o que é não conseguirmos fugir ao arrebatamento e ao deslumbre. As músicas do Veloso, foram-me acompanhando ao longo da vida e estiveram presentes em muitos momentos cruciais , como os que me mostraram que na verdade muitas vezes não há mesmo estrelas no céu, ainda que acreditemos ter todo o tempo do mundo para as ver.
Aos 15, 16,17 anos não há rapariga que não sonhe com o seu cavaleiro andante e não foram poucas as vezes que a voz do Veloso me acompanhou nas horas de desatino e dor após o fim de um namorico. “Não, nunca me esqueci de ti”, era um pensamento meu que na voz dele fazia ainda mais sentido. E hoje o Veloso continua a fazer todo o sentido. Não porque ache que já não há canções de amor, mas porque acredito que muitas vezes e cada vez mais, as pessoas invocam o amor em vão. E no final, ou mudamos de postura e aplicamos as regras da sensatez ou seremos obrigados a aceitar que estarmos assim na vida é basicamente o mesmo que estarmos no alterne. Vamos alternando as pessoas que passam por nós, dando assim largas ao nosso “lado lunar” esquecendo que seja a que preço for, vamos também amar. Nem que seja uma única vez na vida, nem que seja um qualquer Chico fininho ou camponesa, a quem juraremos o nosso amor e pediremos que não nos minta. Afinal, o amor e a morte são as duas únicas promessas que a vida nos faz. E o prometido é devido.


Friday, 21 February 2014

Ai,Jesus!!

Quanto mais a gente filosofamos, mais parvamos e idiotas ficamos =D


Friday, 7 February 2014

Está frio, imenso frio.
As nuvens escancararam-se e chove.
O vento consegue penetrar nas paredes e entrar-me no corpo, aqui, nesta sala desassossegada pelas gotas de chuva a bater nas vidraças.
As vergastadas do mau tempo atingem também o meu estado de espírito.
Está frio, aqui.
Há dias em que está frio lá fora e aqui está-se bem.
Hoje não.


Sou uma rapariga às "direitas"



Digam o que disserem a "esquerda" faz-me impressão. causa-me uma atrofia mental qualquer que me impede até de perceber o conceito, a origem, o embrião da coisa.( sim, já sei que o termo surgiu durante a Revolução Francesa, em referência à disposição dos assentos no parlamento; o grupo que ocupava os assentos da esquerda apoiavam as mudanças radicais da Revolução). Segundo a wikipédia (fui lá espreitar)"na Ciência Política, a esquerda é considerada a posição que geralmente implica o apoio a uma mudança do enfoque social, do governo em exercício, com o intuito de criar uma sociedade mais igualitária".Diz ainda " O termo "esquerda" passou a definir vários movimentos revolucionários na Europa, especialmente socialistas, anarquistas e comunistas". Se já estava mau, fala-se em anarquistas e piorou. Sociedade igualitária é uma ova, uma treta, pior do que uma utopia é uma distopia. Em vez de um sonho que não se torna realidade seria um pesadelo, a descida do inferno à terra. Nascemos diferentes. Todos temos ideais diferentes, lutamos em batalhas diferentes, temos diferentes aptidões, vontades diferentes, então que raio de necessidade é esta da igualdade? Defender igualdade na oportunidade não é o mesmo que defender a igualdade no resultado. Eu acredito na 1ª, não acredito na 2ª. A cada um de nós cabe o esforço por ir mais além, por se chegar onde se quer, por se ganhar o que é merecido. MERECIDO! Esta ideologia de esquerda alicia os incompetentes e incentiva os preguiçosos. Desmotiva e arrasa qualquer um que se empenhe, que se esforce, que produza.
A igualdade (neste contexto) é o descaminho da justiça. O inferno é de esquerda, (sim, quem vai para o inferno vai para a esquerda do Pai, já quem vai para o céu...pois...vai para a direita) Quando alguém é completamente idiota dizemos que é um zero à esquerda...Até no candonblé (coisa de gente desocupada) os exus (entidades de níveis inferiores) são de esquerda...Com tudo isto, porque é que na politica o que é de esquerda podia ser bom se em tudo o resto é mau?
Está provado que a esquerda é perniciosa. Se não acreditam vejam as fotos do Che. Eu que sou uma rapariga às direitas e gosto de ver beleza, harmonia e suavidade nas coisas (algumas coisas)fico animadita quando olho para o Che antes da sua chegada ao comunismo e muito triste quando olho para ele no após integração comuna. A esquerda é mesmo uma coisa lixada, pois.


Wednesday, 5 February 2014

"Um dia de monja,um dia de puta, um dia de Joplin,um dia de Teresa de Calcutá, um dia de merda."

Monday, 3 February 2014



Éláaaa...não sei se me candidato...

Candidato, não me candidato, candidato, não me candidato,candidato, não me candidato...candidato...não me candidato!


Monday, 27 January 2014

Auschwitz

O Holocausto de que Auschwitz ficou como símbolo maior, é algo que ainda hoje consegue espantar-nos pelos caminhos a que podem levar o fanatismo ideológico. 
Como não deixa de surpreender que também hoje, perante a monstruosidade repulsiva do Holocausto, haja ainda quem o negue (decerto para que ele volte a acontecer),- como gostariam de o ver de regresso com a destruição de Israel -, nessa fantasia paranóica dos que, com o lenço “fatha” ao pescoço, lambem a propaganda do Hamas e a repetem da mesma forma que os velhos adoradores das SS gabavam nestes, a sincronia dos seus passos de ganso após atulharem as câmaras de gás com as descargas dos seus ódios aos judeus. 
Passaram então 69 anos. Que nunca mais se repita.


Saturday, 25 January 2014

Fazer aos outros o que não gostamos que nos façam a nós: É da PRAXE!

Há uma lista imensa de coisas que não são toleráveis numa sociedade que se diz minimamente civilizada e desenvolvida. Entre muitas outras, vem-me assim à cabeça, conduzir com excesso de álcool, destruir propriedade alheia, defender e/ou praticar a violência doméstica e PRAXAR. Ontem, vinha no carro de Torres para Caldas, e ouvi, durante o percurso, um debate na Rádio Renascença sobre este ritual que marca o início da vida universitária para milhares de jovens. 
Sempre considerei as praxes tão perniciosas como qualquer outra forma de controlo e manipulação de uns sobre outros. Quase uma espécie de bullying consentido pelas vítimas e qualquer forma de bullying, deve ( a meu ver), não apenas ser combatido, mas exterminado, especialmente tratando-se deste bullying: praticado numa fase da vida juvenil, em que demonstrações de poder misturadas com violência gratuitas, não fazem qualquer sentido. 
Como tal, depois de ouvir os intervenientes deste debate na rádio, - entre eles o reitor da Universidade Católica- , afirmando que as praxes enquanto fomentadoras do bom enquadramento dos caloiros no novo meio escolar, devem continuar a existir, eu digo com toda a legitimidade que me assiste, que todas as praxes ,(nos moldes em que são feitas), deviam ser proibidas! Todas! Mesmo as mais inócuas, engraçadas, wathever, "consentidas" pelos caloiros. 
E se a minha opinião é esta porque tenho um filho a frequentar a universidade, e que, para meu alivio não aceitou ser praxado, - (graças a Deus), esteve-se “cagando” para a integração e boa harmonia entre ele e os colegas mais velhos- , também é verdade que penso desta maneira porque acredito que na verdade a maioria dos caloiros não "consente" nada, nem tão pouco lhes passa pela cabeça que o pode fazer. Os caloiros que muitas vezes aparecem nas grandes cidades para frequentar o ensino superior, são da província, (convém não esquecer) e para além de todo um novo meio escolar envolvente, deparam-se com uma nova cidade, distante do local onde deixaram familiares e amigos e sentem-se por isso, perdidos, de parte nenhuma, completamente “estrangeiros”, nesta nova etapa das suas vidas. 
É perfeitamente normal que o maior desejo que têm, seja precisamente o de se sentirem integrados, enturmados, fazendo parte de um grupo de quem esperam posterior camaradagem e protecção. Obviamente que não quero com isto dizer que todos os praxados são uns totós, uns nerds, completamente xoninhas e sem um pingo de personalidade. Agora, também não duvido, que muitos destes miúdos sejam de facto tudo isso e muito mais. Não duvido que muitos entrem no ensino superior exactamente com a mesma postura que levaram do secundário: submissos, habituados a apanhar e bem treinados no exercício de “lamber botas”. 
Mas tudo isso é irrelevante. Como é irrelevante que quem sofre de incontinência use ou não fraldas. Quem é incontinente, mija-se e pronto. Estar lá a fralda ou não estar, não muda nada.
 Da mesma maneira, querer realmente ser praxado ou aceitar sê-lo para não ser excluído, não altera o facto de que vai sofrer do mesmo rito humilhante. 
As praxes deviam ser encaradas pela Lei como aquilo que geralmente são: um “protocolo de boas-vindas” perfeitamente dispensável, cujo único objectivo é mostrar quem manda, quem está no topo da hierarquia estudantil. Mais: a praxe é obviamente acarinhada por quem – sem sombra de dúvida-sofre de distúrbios que põe em causa o caracter de quem as pratica e reveladora de uma maldade e psicopatia facilmente comprovada pelas actividades humilhantes, traumatizantes e muitas vezes dolorosas que neste contexto se vão aceitando e até aplaudindo. Nada mais estúpido. E triste. Nada mais triste do que, ansiando pela aceitação e sensação de pertença a um grupo, se entregue de bandeja, a dignidade, decência e até mais importante, a segurança psicológica e física. A recepção aos caloiros, quando feita dentro dos parâmetros normais, decorre, ou deve decorrer com algum tempo dedicado à integração, tempo esse que até pode incluir algumas brincadeiras, desde que elas não firam o senso comum que marca limites óbvios à falta de respeito, manifeste-se ele em forma de praxe ou outra qualquer.
O Código Penal é muito claro nesta matéria, quando rotula de crime este tipo de actividade. É infelizmente menos claro, quando tem lacunas graves quanto à sua aplicação. E a razão é simples. Nestes casos é praticamente impossível punir os responsáveis pelas praxes devido ao “consentimento” dos praxados. 
Enquanto isto, ignora-se que consentimento aqui é utopia, se tivermos em conta que, para a maioria dos caloiros há coerção, coacção, chantagem e sei lá mais o quê. Claro que há outras causas que levam alguém a ser praxado: Baixa auto-estima,falta de “tomatinhos no sítio” para dizer NÃO, inconsciência ou até mesmo ingenuidade. 
E é por tudo isto que, mais importante que legislar sobre o sexo dos anjos, como comummente se faz neste país, devia legislar-se sobre as praxes, limitar os parâmetros em que elas podem ser feitas, determinar inequivocamente essa questão do consentimento e responsabilizar as universidades pelas mesmas, quer elas se façam no próprio espaço ou fora dele. 
Que ao menos se aproveite a tragédia do Meco para criar, quiçá, uma task force que inclua polícia, MP, psicólogos e o caralhinho mais que for preciso, para, não só acagaçar quem tem prazer em acagaçar os outros, como também garantir o conhecimento da nova lei por parte das bestas e das suas potenciais vítimas, e consequente entrega dessas mesmas bestas à Justiça. 
Ontem depois do tal debate, fiquei porém com uma certeza: Toda esta questão que envolve as praxes vai acabar por morrer na praia. No que toca às 6 mortes do meco, cada um dos intervenientes diz, contradiz-se, cala-se e, basicamente faz o que quer para safar o coiro. A verdade do que aconteceu tornar-se-á secundária. 
Os pais dos miúdos, quebrados pela dor, vão acabar por ceder, ou tornar-se numa espécie de "mães do rui pedro", de quem todos têm pena mas cuja fé não partilham. 
E se nem a morte destes jovens (os do meco e outros que perderam a vida em consequência das praxes), nos faz mudar o que deve ser mudado, então, não há porque nos queixarmos que os jovens de hoje não têm limites, nem tão pouco haverá formação superior que valha a pena. 
O DR só é meritório e digno de respeito, se o nome que lhe sucede for o do baptismo e por este andar, os consultórios, gabinetes e outras salas de trabalho dos doutores do futuro, terão nas respectivas portas, placas que a mim (pessoalmente), não inspiram confiança. Sejam eles, Dr. Jaime Besta, Dr. Paulo Pulha, ou Dr.João Assassino.


Wednesday, 22 January 2014

Monday, 20 January 2014

Through the Wormhole

A ver a série documental Through the Wormhole narrada por um dos meus actores preferidos, Morgan Freeman. De vez em quando sinto os meus "tico e teco" a cambalear até caírem para o lado, mas vale a pena. Efectivamente, Deus preenche na perfeição a lacuna que existe no nosso conhecimento. 
Resta saber se quanto mais conhecemos mais nos afastamos Dele ou pelo contrário, mais nos aproximamos.Acredito que, conheça-se o que se conhecer,a existência de um Criador vai muito além de uma questão de conceitos ao mesmo tempo em que se resume a uma simples questão de nomes. Não ficarei espantada se um dia descobrirmos que andamos há milénios a rezar, a tentar das mais diversas formas uma conexão com o que é afinal um imenso emaranhado de equações matemáticas, quânticas, ou um complexo evento cósmico do qual resultaram as 4 forças que parecem comandar o universo ou, (como afirmam alguns homens da ciência) os multiversos. 
Seja qual for o resultado das próximas descobertas, de uma coisa também sei que ninguém me consegue convencer: que somos obra do acaso.
E porquê? Porque se é perfeito demais, não pode ser casual. E tudo o que nos rodeia, inclusive nós, com as nossas imperfeições, somos perfeitos demais.



Saturday, 18 January 2014

Acabei de ler hoje o livro de José Luis Peixoto que se chama "Livro". No caso de algum realizador sentir uma vontade incontrolável de adaptar este romance ao cinema, sugiro um nome igualmente fantástico: "Filme".



O amor é um animal selvagem que chega até nós em silêncio. Aloja-se em nós e ocupa cada ponto do nosso corpo, mais…toda a nossa vida. O seu poder é de contaminação total. O amor é esse conflito permanente: liberta e agarra, é doçura e amargura, refaz e desfaz, ressuscita e adormece, faz-nos sonhar e confronta-nos com a realidade pura e dura. Dá à luz. Mas também tem o poder de nos matar. No amor oscilamos entre tudo poder ser e nada poder ser, a impossibilidade de tudo. É isto o amor…é disto que é feita a vida

Friday, 17 January 2014

Ângela está numa relação e é Complicado.

Esperem um bocadinho. Vou só ali vomitar e já volto..



Thursday, 9 January 2014

Noticia de última hora:


José Sócrates não voltará a justificar as suas opções clubistas.

Decepcionado com os portugueses, devido ao impacto negativo que tiveram as suas declarações após a morte de Eusébio, José Sócrates garante que se Cristiano Ronaldo morrer primeiro do que ele, nunca explicará porque é que foi sempre do Sporting.
" Recusar-me-ei a contar ao povo português, as recordações que tenho daquele dia 31 de Fevereiro, um dia inesquecivel, em que vinha da escola, e decidi, graças a Cristiano Ronaldo, ser um adepto leal ao Sporting, para toda a minha vida".


Wednesday, 8 January 2014

"E no meio de um inverno eu finalmente aprendi que havia dentro de mim um verão invencível."
Albert Camus


Friday, 3 January 2014

Mango recusa-se a pagar indemnização por 1100 mortos no Bangladesh

Janeiro 2, 2014 - Análise, Internacional
Oito meses depois da tragédia que vitimou mais de 1100 trabalhadores precários que faziam roupa para multinacionais europeias e americanas no Bangladesh, foi criado um fundo de 40 milhões de dólares para compensar as famílias das vítimas. Várias das empresas que exploravam estes trabalhadores que recebiam até 38 euros por mês – Bonmarché, El Corte Inglés, Loblaw, Primark, concordaram em contribuir para o fundo. A Mango recusa-se a pagar, divulgou o New York Times.


A tragédia da Rana Plaza, em Savar, no Bangladesh, é apenas mais uma das horríveis faces do modelo de exploração máxima e precarização total do trabalho. Foi em Abril de 2013 que, mesmo com a ameaça clara de derrocada (havia uma racha aberta visível no edifício e houve avisos para que as pessoas não fossem trabalhar), os patrões locais das multinacionais estrangeiras apressaram quem trabalhava na gigante fábrica de roupas a entrar para cumprir os prazos das encomendas. Entre elas estavam encomendas de pólos e tshirts da Mango, entre várias outras empresas.

A tragédia constituiu mais um marco negro da história da super-exploração. Quem trabalhava na Rana Plaza ganhava tão pouco quanto 38 euros por mês, sem horários regulados e sob a pressão constante das encomendas. A escravatura é o modelo de trabalho das empresas que fazem a sua fortuna com a precariedade total.

O modelo económico destas empresas multinacionais baseia-se no corte de custos com as matérias primas, na desregulação do trabalho, na sua deslocalização para os locais com as piores condições sociais, laborais e ambientais possíveis, como é o caso do Bangladesh. E em nenhum caso as empresas se responsabilizam pelas consequências do que acontecer a quem vive nestes locais e trabalha para que os seus lucros sejam máximos. As vendas anuais da Mango são de 10 mil milhões de euros.

A Mango encontra-se em crescimento, e a sua estratégia foi cortar os seus preços para responder à recessão desde 2008. Fê-lo baixando os custos de mão-de-obra através de outsourcing e deslocalização da produção. A sua deslocalização para o Bangladesh fazia parte desta estratégia, e segundo os trabalhadores produziam-se já roupas da Mango em Rana Plaza.

A empresa espanhola afirma que estavam ainda em fase de testes e recusa-se portanto a contribuir para o fundo de apoio às famílias dos trabalhadores.

Rana Plaza é o mundo de sonho de todos aqueles que defendem a flexibilidade, a competitividade e a concorrência como forma de pôr todas as pessoas que trabalham no mundo a correr para o precipício. Rana Plaza é o desfecho da competição máxima. E muitas destas empresas lavam as suas mãos de pagar qualquer compensação, porque há milhares de outras Rana Plaza para onde deslocalizar-se, e centenas de milhões de outras pessoas para trabalhar a 38€/mês. Em Rana Plaza produzia-se roupa para a Benetton, a Bonmarché, a Cato Fashions, a The Children’s Place, El Corte Inglés, Joe Fresh, Mango, Matalan, Primark e Walmart.


Monday, 30 December 2013

2013, há-de ser um dia,o melhor ano das nossas vidas!

Proponho-vos o seguinte exercício: Agarrem num dos livros de crónicas do Miguel Esteves Cardoso que está por aí esquecido e abandonado na estante da sala. Sim, pode ser esse: "A Causa das Coisas", ou qualquer outro escrito nos anos 80. Sacudam-lhe o pó e abram numa página ao calhas. 
Se abriram numa página em que o autor fala sobre o culto das alcatifas ou sobre salgados que já não existem - como o Salgado Zenha - façam uma segunda tentativa. Sim, pode ser aí. 

Leiam com atenção o costume tuga que é impiedosamente escalpelizado. Vão reparar com uma certa consternação que o nosso Portugalzinho continua arrepiantemente igual. Não há nada a fazer. Para o bem e para o mal, quase 30 anos de integração europeia deixaram a nossa essência tuga absolutamente intacta. Podemos ter agora I-Pods, I-Pads e todo o tipo de I-parvoíces mas continuamos a ser os mesmos I-tugas que sempre fomos. Portugal está entranhado em nós e não há anti-nódoas que nos consiga remover de nós próprios.
Vejam, por exemplo, a página 207:
"...Faltava reparar na característica essencial do optimismo português: nomeadamente, que ele não visa nem o presente nem o futuro. Não. O optimismo português faz-se sentir exclusivamente em relação ao passado. É, numa palavra, retroactivo."

Todos nós o sabemos e sentimos: no fundo, acreditamos que o passado vá melhorar para todos nós. Cada dia que passa, o passado torna-se mais desejável. Lá, há um lugar para todos os portugueses. Nunca chove, nunca inflaciona, nunca falta alegria.

"...Há séculos que os portugueses se empenham em preparar e construir um Passado digno para os bisavós. É por isso que os profetas dos portugueses são os historiadores, e as utopias nacionais nada têm a ver com amanhãs - foram ontem. A lógica ancestral é a do "deixa passar". Logo que uma coisa passa para o passado, passa a ser a melhor de todas.
Isto deve-se ao jeito enorme que temos para esquecer as misérias. Um português que tenha passado a mocidade fechado numa jaula infecta a pão e água, acusado de crimes que não cometeu, lembra-se da experiência como mais ninguém neste mundo. Passados uns anos, dirá qualquer coisa como "Ah, eu nessa altura não tinha nada, mas era feliz. Tinha a minha salinha, o meu pãozinho, o meu cantarozinho de águinha fresquinha, e ninguém me chateava, a não ser quando era espancado regularmente por uns tipos porreirinhos que tudo faziam para que eu não me maçasse".

Tudo o que passou é bonito aos olhos portugueses e a língua reserva-lhe os mais ternos diminutivos. Quando alguém morre, por exemplo, torna-se universalmente amado e sobe aos topes que em vida nunca alcançou. Isto irrita alguns, sobretudo os vivos que teimam em ser amados antes do tempo certo (ou seja, enquanto ainda estão vivos).

"...Em 2003, 1983 será um dos melhores anos das nossas vidas, e 2003 será, sem dúvida, o pior de sempre. É preciso, por isso, esperança: basta esperarmos vinte anos para vermos quanto estamos felizes e bem servidos neste ano de 1984".
(MEC, in "A Causa das Coisas)

Em 2014, 2003 será um dos melhores anos das nossas vidas e 2014, será, sem dúvida, o pior de sempre. É preciso, por isso, esperança: basta esperarmos vinte anos para vermos quanto fomos felizes e bem servidos neste ano de 2013, e no ano logo a seguir sentiremos uma nostalgia ímpar e um brilhozinho nos olhos de cada vez que recordarmos a nossa felicidade tão perfeitamente vivida em 2014. Não duvidem. Em vez disso aproveitem e sejam mesmo muito felizes!



Sunday, 29 December 2013

Um Livro para ler em 2014:"A menina que roubava livros." de Markus Zusak. Já é um filme e a estória passa-se na Alemanha Nazi. E para 2014, vai comigo também uma certeza. Talvez a única. Um dia a história (a história mesmo e não a estória), há-de olhar para trás e louvar o que o Hitler fez de bom. Por exemplo, foi ele que matou o Hitler.



Saturday, 28 December 2013

E este ano a série que me fez esperar e desesperar por novos episódios foi esta: The Game Of Thrones. Tenho tantas saudades tuas,khaleesi! E gosto tanto do que tu escreves, George RR Martin!Temporada nova, aparece depressa por favor!





Friday, 27 December 2013

Dúvidas existenciais que não passam com chocolate e que levo para 2014:

Casa dos Segredos 1: Quem é que no seu perfeito juízo perde tempo a ver aquilo?
Casa dos Segredos 2: O horário para pornografia na televisão não devia limitar-se ao pós- midnight?
Saltos de 18 cm: Porque é que eu não consigo correr com eles? Correr?? Andar!...Andar já é utopia!
Escritores: Alguém que não consegue escrever uma frase com 10 palavras sem dar 20 erros pode escrever livros?
Atracção: é uma coisa que podemos sentir por outros e que os carros também têm?
Jet 7: Quem é a Paula Bobone e porque é que ela escreve livros sobre etiqueta?
Teorias da Conspiração: Porque é que os believers da "coisa" continuam a chamar-lhes "Teorias"?
Expressões: É suposto que as expressões" Vai-te fo**", "Andoriiii" e "Não és a última Coca-Cola do deserto" me causem tanta satisfação e pena em simultâneo?






Para ir a Óbidos ainda antes de 2014. Porque em lugares que temos no coração somos sempre felizes.

"Deixamos algo de nós para trás ao deixarmos um lugar. Permanecemos lá apesar de termos partido e há coisas de nós que só reencontramos lá voltando. Viajamos ao encontro de nós ao irmos a um lugar onde vivemos uma parte da nossa vida, por muito breve que tenha sido."

texto do filme | night train to lisbon