Wednesday, 23 April 2014

Os cínicos da solidariedade dizem que as pessoas só ajudam os outros porque se querem sentir melhor. E têm razão. Quase nada na vida é feito sem egoísmo. Mas a questão é que há egoísmos bons.


Friday, 18 April 2014

Páscoa



A Páscoa é para mim a época mais especial do ano. Ainda mais que o Natal, que adoro. Mas a Páscoa tem para mim um sentido especial. Único. Não porque Jesus tenha morrido e ressuscitado ao 3º dia.

Na verdade nem sei se tal aconteceu e não me interessa tão pouco.

Interessa-me que a Páscoa marca o fim da passagem por este mundo, de alguém que quer tenha vivido exactamente como descrevem os livros sagrados- o filho de Deus-, quer tenha vivido com um homem excepcional que deixou uma mensagem ímpar, poderosíssima e intemporal, foi, em qualquer dos casos, um homem inspirador, dotado de um QI impressionante, que o soube usar para o que vale realmente a pena: Construir, Unir, Pacificar, Nutrir, Amar.

Sejamos nós capazes de seguir os seus passos, mesmo que não todos, um pedaço do seu trilho e o mundo será efectivamente aquele que (pelo menos assim o dizemos), desejamos alcançar.

Uma Páscoa Feliz para todos.


Tuesday, 15 April 2014

Não há tempo para perder tempo...

Nada nos muda mais e melhor do que os anos. 4 ou 5 vezes as mãos cheias de anos, são uma metamorfose implacável, intransigente e irrecusável. Não há quem não se reformule, endureça e mude definitivamente as lentes com que olha o mundo à sua volta. 
Hoje, depois de em cada dedo eu contar um ano e multiplicá-los aos 10 por 4, as minhas mãos cheias de vivências estão mais hábeis mas também mais ásperas. E quem pode censurar? 
Quem pode dizer com total honestidade que nas curvas da vida nunca derrapou, nunca embateu numa árvore, num muro, nunca capotou e perdeu a esperança de que a meio da noite, num local inóspito e isolado ninguém aparecesse para o salvar? Ou que as forças lhe falhassem para procurar ajuda? São esses momentos que nos tornam mais solitários, às vezes orgulhosamente solitários e convictos de que tantos embates serviram ao menos para nos ajudar a seguir em frente sem outra mão a guiar-nos os passos. 
O tempo muda-nos. Reveste-nos com uma pelicula de arrogância, quer queiramos quer não. Não porque deixemos de ser humildes, mas porque aprendemos a adaptar a nossa humildade às circunstâncias. 
Acabamos por perceber que quem se afasta de nós há 3, 2 ou mesmo 1 década atrás, não poderá em boa verdade reconhecer-nos quando se dá um reencontro. Talvez as feições traiam as nossas mudanças interiores e nos denunciem a pessoa que sempre fomos. Mas basta que nos falem, 5 ou dez minutos, não mais que isso, e serão óbvias as diferenças. 
Já não dizemos que estamos bem quando não estamos, mas também já não somos ingénuos ao ponto de pensar que a pergunta exige uma resposta. 
Morre-nos um pouco, todos os dias, a paciência para coisas que antes nos passavam ao lado e somos surpreendidos com a nossa capacidade de seleccionar o que vale ou não a pena deixar passar ao lado. Já não temos tempo a perder com o que nos desagrada ou fere. 
Sabemos reconhecer o cinismo venha ele de onde vier e sabemos também lidar com ele nem que para isso seja necessário reagirmos como um espelho. 
Já não nos melindramos com críticas nem nos deixamos bajular com elogios. 
O tempo mata-nos muita coisa. E não damos pela sua morte até ao momento em que nos sentimos capazes de desistir do que não nos faz bem. E isso, o tempo também nos ensina. 
Nem sempre desistir é mau. Nem sempre é sinal de fraqueza, de cobardia e muito menos de fracasso. É tantas vezes o contrário. 
Morre-nos com o passar dos dias, também a vontade de agradar a quem na verdade não agradamos, de amar quem não nos ama. 
Os dias que passam por nós, na verdade não passam. Esperam que nós passemos por eles. E vão-nos contando muitos segredos. E quando menos esperamos já eles nos confidenciaram que não vale a pena tentarmos retê-los, seja para o que for, porque seja qual for a nossa vontade, eles só fazem o que querem e ensinam-nos a fazer o mesmo. A fazermos o que queremos, a irmos para onde e com quem queremos. 
Deixamos de aceitar jogos, manipulações e mentiras. Ambas as mãos repletas de anos trazem-nos trilhos que sulcam a nossa pele, mas são esses trilhos as marcas de aprendizados que quem se atreve a ignorar recusa a sua própria história. 
Nada que os anos ensinam é tão importante como a visão exacta da importância. 
Da importância das pessoas com quem convivemos, da importância das coisas que nos são ditas, da importância das coisas que por nós são feitas, da importância do que somos. 
Num dia, ou numa noite em que o tempo que já vivemos nos atravessa os sentidos e nos sustém as memórias, todos os relógios do mundo se unem numa conspiração atemorizante sobre nós mesmos e a nossa própria importância. A importância do que somos. 
E invariavelmente, acredito, a conclusão é sempre a de que somos tão mais importantes quanto o que amámos e fomos amados. E é isto. Ambas as mãos repletas de anos resumem-se a isto: A esta simplicidade, que de tão grande é ridícula. Não importa mais nada. 
O que temos, o que conquistámos o quanto nos realizámos. O que pode realmente mudar a nossa trajectória, o que pode genuinamente penetrar no nosso âmago e transformá-lo numa casca de noz à deriva, é descobrirmo-nos impedidos de amar e de sermos amados. 
Para os que são pais, serão eles, os filhos, os responsáveis por esse equilíbrio entre nós mesmos e o passar dos dias. Para os que são pais, são eles, os filhos, os transmissores de que passamos a depender para nos comunicarmos internamente.
 Para os que são pais, são eles, os filhos, a razão maior da nossa vida, do nosso amor, do nosso tempo. Perdendo um filho, não há apenas um ciclo que se fecha. 
Há um vórtice que se abate sobre nós e nos impulsiona para uma realidade paralela, onde tudo o que os nossos dias nos ensinaram ao longo de décadas da nossa existência perde o sentido e a razão. 
E o tempo, esse professor implacável, dá-nos senão a derradeira, a maior das lições: A de que, termos ao nosso lado quem nos ama e quem amamos é que o faz valer verdadeiramente a pena.


Lembrei-me agora que queria falar sobre isto. talvez alguém por aqui me consiga elucidar.
Eu sou mulher, é certo ( não tenho duvidas, juro!) eheheh...mas as mulheres têm coisas que eu não entendo. Alguém me explica, porque é que há algum tempo atrás, elas usavam pestanas postiças, querendo fazer crer que eram verdadeiras e agora usam máscaras (rimmel) nas pestanas verdadeiras com efeito de pestanas falsas?
Estou confusa...há coisas que me dão vontade de ser gajo... 



E se...?


"E" e "Se" são duas palavras tão inofensivas quanto qualquer palavra, mas coloca-as juntas lado a lado, e elas têm o poder de te assombrar pelo resto da tua vida. "E se".. E se? E se?



Saturday, 5 April 2014

Delícia, delícia. Assim você me...engorda :)

Merengue de frutos silvestres. 
Há coisas muito boas neste mundo!


Wednesday, 26 March 2014

“Como provar aos homens o quanto estão enganados ao pensar que deixam de se apaixonar quando envelhecem, quando eles nem mesmo sabem que envelhecem justamente, quando deixam de se apaixonar?!”
―Gabriel García Marquez



Tuesday, 18 March 2014

Livros



É a democratização da cultura. Escrevem-se livros.
Quase toda a gente escreve um livro. 
100 páginas quando muito e já está. Sem sumo, mau português. 
A maioria são poemas ou estórias que não acrescentam nada à vida de quem os lê. São assim os democratas da cultura. 
Mulheres que se dizem poetas, homens que se auto proclamam de poetisas...absurdo? Já o li, escrito por gente que assina livros!! Todos autores, escritores da sua vaidadezinha pessoal irritante. 
E depois há os outros. Os que não querem atirar com nada para as editoras antes da certeza, ou pelo menos a convicção de que vai valer a pena. Não para o autor mas para o leitor. Porque quem tem que ganhar com um livro é o leitor. 
Se eu não for capaz de transportar quem me lê para dentro da estória ou da história; se eu não for capaz de o fazer sentir a brisa marítima, enquanto ela o espera no cais; se eu não lhe puder levar o perfume das açucenas; se o meu drama, romance, comédia, tragédia, não invadir o espaço em que aquele livro se abriu; se eu não provocar um soluço, um arrepio, uma gargalhada, o medo a invadir os ossos de quem se retesou na cadeira e virou a página com o coração aos pulos...então porquê escrever, apresentar...vender...tentar ser algo que não sou, porquê escrever?
 Escrever realmente não obedece a democratizações. Quem o faz bem, não precisa delas para nada e quem o não sabe fazer, deve dedicar-se a outra coisa qualquer.



Wednesday, 12 March 2014

Não fujas ainda. Deixa que o nosso ardor prossiga, que os teus passos rematem os meus em movimentos cada vez mais féericos. Chegará o momento (é sempre assim, nos sonhos) em que as ervas, que pisamos, se enrolarão às nossas pernas, impondo-nos a pausa circunspecta que nos obrigará, de novo, a respirar.



Tuesday, 11 March 2014

O Sexo e o Poder

"Tudo na vida tem a ver com sexo. Menos o sexo. O sexo tem a ver com Poder."
(in House Of Cards)


Monday, 10 March 2014

Scorpions, despedem-se de Espanha com a bandeira portuguesa. Amazing!




Friday, 7 March 2014

João Chaves,a voz do Oceano Pacífico da RFM, comigo na Mais Oeste Rádio, a apresentar o Luas & Marés desta quinta-feira.



Amo o Rui Veloso. Amo-o com um amor antigo e intenso. Lembro-me de escutar o “Anel de Rubi” madrugadas adentro, na companhia de amigos e de lhe ter feito uma nova letra que foi a primeira que cantarolei para um público de meia dúzia de adolescentes.
Foi também ao som desta música que dei o primeiro beijo. Nessa altura fui vê-lo a Coimbra e também pela primeira vez senti o que é não conseguirmos fugir ao arrebatamento e ao deslumbre. As músicas do Veloso, foram-me acompanhando ao longo da vida e estiveram presentes em muitos momentos cruciais , como os que me mostraram que na verdade muitas vezes não há mesmo estrelas no céu, ainda que acreditemos ter todo o tempo do mundo para as ver.
Aos 15, 16,17 anos não há rapariga que não sonhe com o seu cavaleiro andante e não foram poucas as vezes que a voz do Veloso me acompanhou nas horas de desatino e dor após o fim de um namorico. “Não, nunca me esqueci de ti”, era um pensamento meu que na voz dele fazia ainda mais sentido. E hoje o Veloso continua a fazer todo o sentido. Não porque ache que já não há canções de amor, mas porque acredito que muitas vezes e cada vez mais, as pessoas invocam o amor em vão. E no final, ou mudamos de postura e aplicamos as regras da sensatez ou seremos obrigados a aceitar que estarmos assim na vida é basicamente o mesmo que estarmos no alterne. Vamos alternando as pessoas que passam por nós, dando assim largas ao nosso “lado lunar” esquecendo que seja a que preço for, vamos também amar. Nem que seja uma única vez na vida, nem que seja um qualquer Chico fininho ou camponesa, a quem juraremos o nosso amor e pediremos que não nos minta. Afinal, o amor e a morte são as duas únicas promessas que a vida nos faz. E o prometido é devido.


Friday, 21 February 2014

Ai,Jesus!!

Quanto mais a gente filosofamos, mais parvamos e idiotas ficamos =D


Friday, 7 February 2014

Está frio, imenso frio.
As nuvens escancararam-se e chove.
O vento consegue penetrar nas paredes e entrar-me no corpo, aqui, nesta sala desassossegada pelas gotas de chuva a bater nas vidraças.
As vergastadas do mau tempo atingem também o meu estado de espírito.
Está frio, aqui.
Há dias em que está frio lá fora e aqui está-se bem.
Hoje não.


Sou uma rapariga às "direitas"



Digam o que disserem a "esquerda" faz-me impressão. causa-me uma atrofia mental qualquer que me impede até de perceber o conceito, a origem, o embrião da coisa.( sim, já sei que o termo surgiu durante a Revolução Francesa, em referência à disposição dos assentos no parlamento; o grupo que ocupava os assentos da esquerda apoiavam as mudanças radicais da Revolução). Segundo a wikipédia (fui lá espreitar)"na Ciência Política, a esquerda é considerada a posição que geralmente implica o apoio a uma mudança do enfoque social, do governo em exercício, com o intuito de criar uma sociedade mais igualitária".Diz ainda " O termo "esquerda" passou a definir vários movimentos revolucionários na Europa, especialmente socialistas, anarquistas e comunistas". Se já estava mau, fala-se em anarquistas e piorou. Sociedade igualitária é uma ova, uma treta, pior do que uma utopia é uma distopia. Em vez de um sonho que não se torna realidade seria um pesadelo, a descida do inferno à terra. Nascemos diferentes. Todos temos ideais diferentes, lutamos em batalhas diferentes, temos diferentes aptidões, vontades diferentes, então que raio de necessidade é esta da igualdade? Defender igualdade na oportunidade não é o mesmo que defender a igualdade no resultado. Eu acredito na 1ª, não acredito na 2ª. A cada um de nós cabe o esforço por ir mais além, por se chegar onde se quer, por se ganhar o que é merecido. MERECIDO! Esta ideologia de esquerda alicia os incompetentes e incentiva os preguiçosos. Desmotiva e arrasa qualquer um que se empenhe, que se esforce, que produza.
A igualdade (neste contexto) é o descaminho da justiça. O inferno é de esquerda, (sim, quem vai para o inferno vai para a esquerda do Pai, já quem vai para o céu...pois...vai para a direita) Quando alguém é completamente idiota dizemos que é um zero à esquerda...Até no candonblé (coisa de gente desocupada) os exus (entidades de níveis inferiores) são de esquerda...Com tudo isto, porque é que na politica o que é de esquerda podia ser bom se em tudo o resto é mau?
Está provado que a esquerda é perniciosa. Se não acreditam vejam as fotos do Che. Eu que sou uma rapariga às direitas e gosto de ver beleza, harmonia e suavidade nas coisas (algumas coisas)fico animadita quando olho para o Che antes da sua chegada ao comunismo e muito triste quando olho para ele no após integração comuna. A esquerda é mesmo uma coisa lixada, pois.


Wednesday, 5 February 2014

"Um dia de monja,um dia de puta, um dia de Joplin,um dia de Teresa de Calcutá, um dia de merda."

Monday, 3 February 2014



Éláaaa...não sei se me candidato...

Candidato, não me candidato, candidato, não me candidato,candidato, não me candidato...candidato...não me candidato!


Monday, 27 January 2014

Auschwitz

O Holocausto de que Auschwitz ficou como símbolo maior, é algo que ainda hoje consegue espantar-nos pelos caminhos a que podem levar o fanatismo ideológico. 
Como não deixa de surpreender que também hoje, perante a monstruosidade repulsiva do Holocausto, haja ainda quem o negue (decerto para que ele volte a acontecer),- como gostariam de o ver de regresso com a destruição de Israel -, nessa fantasia paranóica dos que, com o lenço “fatha” ao pescoço, lambem a propaganda do Hamas e a repetem da mesma forma que os velhos adoradores das SS gabavam nestes, a sincronia dos seus passos de ganso após atulharem as câmaras de gás com as descargas dos seus ódios aos judeus. 
Passaram então 69 anos. Que nunca mais se repita.


Saturday, 25 January 2014

Fazer aos outros o que não gostamos que nos façam a nós: É da PRAXE!

Há uma lista imensa de coisas que não são toleráveis numa sociedade que se diz minimamente civilizada e desenvolvida. Entre muitas outras, vem-me assim à cabeça, conduzir com excesso de álcool, destruir propriedade alheia, defender e/ou praticar a violência doméstica e PRAXAR. Ontem, vinha no carro de Torres para Caldas, e ouvi, durante o percurso, um debate na Rádio Renascença sobre este ritual que marca o início da vida universitária para milhares de jovens. 
Sempre considerei as praxes tão perniciosas como qualquer outra forma de controlo e manipulação de uns sobre outros. Quase uma espécie de bullying consentido pelas vítimas e qualquer forma de bullying, deve ( a meu ver), não apenas ser combatido, mas exterminado, especialmente tratando-se deste bullying: praticado numa fase da vida juvenil, em que demonstrações de poder misturadas com violência gratuitas, não fazem qualquer sentido. 
Como tal, depois de ouvir os intervenientes deste debate na rádio, - entre eles o reitor da Universidade Católica- , afirmando que as praxes enquanto fomentadoras do bom enquadramento dos caloiros no novo meio escolar, devem continuar a existir, eu digo com toda a legitimidade que me assiste, que todas as praxes ,(nos moldes em que são feitas), deviam ser proibidas! Todas! Mesmo as mais inócuas, engraçadas, wathever, "consentidas" pelos caloiros. 
E se a minha opinião é esta porque tenho um filho a frequentar a universidade, e que, para meu alivio não aceitou ser praxado, - (graças a Deus), esteve-se “cagando” para a integração e boa harmonia entre ele e os colegas mais velhos- , também é verdade que penso desta maneira porque acredito que na verdade a maioria dos caloiros não "consente" nada, nem tão pouco lhes passa pela cabeça que o pode fazer. Os caloiros que muitas vezes aparecem nas grandes cidades para frequentar o ensino superior, são da província, (convém não esquecer) e para além de todo um novo meio escolar envolvente, deparam-se com uma nova cidade, distante do local onde deixaram familiares e amigos e sentem-se por isso, perdidos, de parte nenhuma, completamente “estrangeiros”, nesta nova etapa das suas vidas. 
É perfeitamente normal que o maior desejo que têm, seja precisamente o de se sentirem integrados, enturmados, fazendo parte de um grupo de quem esperam posterior camaradagem e protecção. Obviamente que não quero com isto dizer que todos os praxados são uns totós, uns nerds, completamente xoninhas e sem um pingo de personalidade. Agora, também não duvido, que muitos destes miúdos sejam de facto tudo isso e muito mais. Não duvido que muitos entrem no ensino superior exactamente com a mesma postura que levaram do secundário: submissos, habituados a apanhar e bem treinados no exercício de “lamber botas”. 
Mas tudo isso é irrelevante. Como é irrelevante que quem sofre de incontinência use ou não fraldas. Quem é incontinente, mija-se e pronto. Estar lá a fralda ou não estar, não muda nada.
 Da mesma maneira, querer realmente ser praxado ou aceitar sê-lo para não ser excluído, não altera o facto de que vai sofrer do mesmo rito humilhante. 
As praxes deviam ser encaradas pela Lei como aquilo que geralmente são: um “protocolo de boas-vindas” perfeitamente dispensável, cujo único objectivo é mostrar quem manda, quem está no topo da hierarquia estudantil. Mais: a praxe é obviamente acarinhada por quem – sem sombra de dúvida-sofre de distúrbios que põe em causa o caracter de quem as pratica e reveladora de uma maldade e psicopatia facilmente comprovada pelas actividades humilhantes, traumatizantes e muitas vezes dolorosas que neste contexto se vão aceitando e até aplaudindo. Nada mais estúpido. E triste. Nada mais triste do que, ansiando pela aceitação e sensação de pertença a um grupo, se entregue de bandeja, a dignidade, decência e até mais importante, a segurança psicológica e física. A recepção aos caloiros, quando feita dentro dos parâmetros normais, decorre, ou deve decorrer com algum tempo dedicado à integração, tempo esse que até pode incluir algumas brincadeiras, desde que elas não firam o senso comum que marca limites óbvios à falta de respeito, manifeste-se ele em forma de praxe ou outra qualquer.
O Código Penal é muito claro nesta matéria, quando rotula de crime este tipo de actividade. É infelizmente menos claro, quando tem lacunas graves quanto à sua aplicação. E a razão é simples. Nestes casos é praticamente impossível punir os responsáveis pelas praxes devido ao “consentimento” dos praxados. 
Enquanto isto, ignora-se que consentimento aqui é utopia, se tivermos em conta que, para a maioria dos caloiros há coerção, coacção, chantagem e sei lá mais o quê. Claro que há outras causas que levam alguém a ser praxado: Baixa auto-estima,falta de “tomatinhos no sítio” para dizer NÃO, inconsciência ou até mesmo ingenuidade. 
E é por tudo isto que, mais importante que legislar sobre o sexo dos anjos, como comummente se faz neste país, devia legislar-se sobre as praxes, limitar os parâmetros em que elas podem ser feitas, determinar inequivocamente essa questão do consentimento e responsabilizar as universidades pelas mesmas, quer elas se façam no próprio espaço ou fora dele. 
Que ao menos se aproveite a tragédia do Meco para criar, quiçá, uma task force que inclua polícia, MP, psicólogos e o caralhinho mais que for preciso, para, não só acagaçar quem tem prazer em acagaçar os outros, como também garantir o conhecimento da nova lei por parte das bestas e das suas potenciais vítimas, e consequente entrega dessas mesmas bestas à Justiça. 
Ontem depois do tal debate, fiquei porém com uma certeza: Toda esta questão que envolve as praxes vai acabar por morrer na praia. No que toca às 6 mortes do meco, cada um dos intervenientes diz, contradiz-se, cala-se e, basicamente faz o que quer para safar o coiro. A verdade do que aconteceu tornar-se-á secundária. 
Os pais dos miúdos, quebrados pela dor, vão acabar por ceder, ou tornar-se numa espécie de "mães do rui pedro", de quem todos têm pena mas cuja fé não partilham. 
E se nem a morte destes jovens (os do meco e outros que perderam a vida em consequência das praxes), nos faz mudar o que deve ser mudado, então, não há porque nos queixarmos que os jovens de hoje não têm limites, nem tão pouco haverá formação superior que valha a pena. 
O DR só é meritório e digno de respeito, se o nome que lhe sucede for o do baptismo e por este andar, os consultórios, gabinetes e outras salas de trabalho dos doutores do futuro, terão nas respectivas portas, placas que a mim (pessoalmente), não inspiram confiança. Sejam eles, Dr. Jaime Besta, Dr. Paulo Pulha, ou Dr.João Assassino.