Esta quinta-feira dia 9 de Abril, pelas 00h15, o Contentor 13, na RTP2.
Wednesday, 8 April 2015
A não perder.É já amanhã!
Esta quinta-feira dia 9 de Abril, pelas 00h15, o Contentor 13, na RTP2.
Friday, 3 April 2015
Síndrome de Asperger ou Índigo? Doença ou benção?
(Ontem foi o Dia Mundial da Consciencialização do Autismo. Republico um texto que escrevi há 1 ano atrás,quando tive o privilégio de conhecer dois seres humanos fantásticos. O Bruno e a sua mãe coragem, Mina Viana. Para ambos desejo as maiores felicidades.)
Nas últimas semanas tenho pesquisado muito sobre síndrome de Asperger. E tal como eu desconfiava, encontrei muitas correlações entre os "aspies" e os índigos. Cada vez, são mais os profissionais de saúde a chegar à conclusão que a síndrome de Asperger não é uma doença. Esta característica tão peculiar, é considerada um distúrbio neurológico grave pela restante sociedade, não porque o seja de facto, mas porque os aspies são diferentes.
Tenho alguém muito próximo, a quem foram detectadas muito cedo (por volta dos 4 anos de idade) as características de um índigo. Isto aconteceu na Fundação Portuguesa da Criança Índigo, - agora chamada Casa Índigo- depois de várias consultas em psicologia convencional. Anos mais tarde, sabemos que ele é Aspie.
Segundo os crentes na teoria das crianças da Nova Era, os índigos desde muito cedo, mostram dificuldades de sociabilização, começam a falar tarde (entre os 3 e os 4 anos) mas depois falam muitíssimo bem e usam um léxico muito mais desenvolvido que o das crianças da sua idade. São extremamente focados , quase obsessivos, quando fazem alguma coisa de que gostam. Apreciam rotinas, preferem discursos claros e objectivos e não são particularmente entendedores (à primeira) de metáforas ou charadas. São mais pragmáticos que emocionais e por vezes parecem-nos mal educados, mas na verdade eles são apenas extremamente honestos.São extremamente inteligentes em áreas que os apaixonam, podendo aí ser fácil confundi-los com sobre-dotados ou pequenos génios e desinteressam-se pelo resto.Costumam ter grande facilidade com números e têm uma capacidade fora do normal para memorizar factos, datas, e outros detalhes. Não gostam de desporto, não pela actividade em si, mas porque abominam as regras. Desprezam ambientes ruidosos. Detestam locais onde há muita gente,preferem livros e museus a outras actividades lúdicas. Têm tendência para se apaixonarem com facilidade e desde cedo por música clássica. Apreciam estar em casa , mais do que em qualquer outro lugar.São metódicos e organizados. Não são apreciadores do contacto físico com outras pessoas. Estes são os sintomas dos índigos.
Quem é que, conhecendo um aspie não o revê no que acabei de escrever? Sabe-se que dependendo da intensidade desta alteração de DNA, os aspies podem apresentar estas características de forma mais agudizada ou não.
A síndrome de Asperger é considerada a forma mais leve do autismo. Resta saber se efectivamente um aspie é um doente ou pelo contrário, é um Ser saudável, tão ou mais saudável que os restantes, e que, veio a este mundo para precisamente ajudar a curar uma sociedade doente.
Não nos podemos esquecer que todos temos um cérebro em que apenas 10% das suas potencialidades estão em funcionamento. Os 90% servem para quê?
Estarão os Aspies/ Índigos a usar um bocadinho mais que esses 10 % que nós usamos? Se eu tiver em conta que os maiores génios do mundo, como Eisntein, Mozart, ou Newton eram portadores da Síndrome de Asperger, diria que sim.
Thursday, 26 March 2015
"Os homens não são todos iguais. Essa ilusão vai-se desfazendo com o tempo, de desilusão em desilusão, até que cada um assuma a sua real posição na escala hierárquica da vida. Os poderosos mandarão sempre naqueles que detêm menos poder, os quais, por sua vez, imporão a ordem a outros menos poderosos ainda, e assim sucessivamente até se chegar aos que não têm poder nenhum, no fundo da cadeia alimentar da sociedade. "
A Filha do PAPA - Luís Miguel Rocha
Até um dia, Luis :(
A 22 de Abril de 2013 eu entrevistava Luis Miguel Rocha. Não ficámos amigos próximos, não saímos juntos para jantares ou copos, não frequentámos a casa um do outro. Falávamos por aqui e raras vezes por telefone. Comentávamos livros e autores e outros temas que nos suscitavam igual interesse. Ele acompanhava a minha escrita e eu admirava profundamente a dele.Optimista por natureza, não permitiu à doença que hoje o levou deste mundo, interferir na sua vontade férrea de continuar a escrever.
Em Setembro de 2014, depois de ter terminado o meu livro, ganhei coragem e mandei-lho. Queria uma opinião de alguém neutro, que não gostasse assim tanto de mim a ponto de me afagar o ego, dizendo bem de algo que poderia não estar tão bem assim. Passou um mês e o Luis não dizia nada. Passaram dois meses e o Luis continuava remetido ao silêncio. Com mil receios da pior resposta possível, eu também fiz silêncio. No inicio de Dezembro, recebo um e-mail do Luis, dizendo " Eu quero prefaciar o teu livro". Fiquei tão feliz,tão radiante com a notícia e ao mesmo tempo ainda mal podendo acreditar nela. O Luis queria prefaciar o meu livro!
Hoje o Luis morreu. Depois de uma luta sem tréguas contra um cancro estúpido como o são todos os cancros, o Luis deixou-nos. O Luis deixou-me. E deixou-me um prefácio.
O livro que, como várias vezes me pediste " Tem calma, vais arranjar uma boa editora", há-de sair, Luis. E com ele o teu prefácio. Agora mais do que nunca, com um orgulho enorme que tenhas sido tu, a escrevê-lo. Descansa em paz e onde estiveres, inspira quem te quer seguir as pegadas.
Sunday, 8 March 2015
Há qualquer coisa de mágico, nestes Seres que conhecem tão bem o verbo Amar.
Existe o dia da àrvore, o dia da rádio, da independência, de Camões, dos avós, do idoso, das crianças… das minorias. Mas,…das mulheres? Somos por acaso um grupo de risco, uma espécie em extinção, desprotegida, aos pés da humanidade? Somos? Não. Nós damos. Tanto! Damos vidas ao mundo, damos mundos à vida, damos honra e virgindade, corpo e coração… damos.
É isto que fazemos. Somos mulheres. Damos. Educamos, mimamos, compreendemos e amamos. De uma forma que só nós sabemos amar. É inteiro o amor que damos. Inesgotável. Do amor ao pão para que outros não tenham fome, damos tudo. Do tempo ao sono para que outros descansem, entregamos ainda os sonhos. E fechamo-los. Esquecemo-los naquele milímetro quadrado que é o coração. Alimentamos os vivos e lavamos os mortos. O nosso corpo alimenta. Nutre. Dá prazer. E pela vida fora carregamos essa premissa. A de não fugir de quem precisa de nós. Acreditamos. Temos o dom de acreditar na humanidade que parimos.
O primeiro amor que um homem conhece é o de uma mulher: O da mãe. Trazemos à luz da existência não apenas outras mulheres, mas também os homens. Aqueles que nos pisam, humilham, mal-tratam. E ainda assim abrimos as pernas para lhes mostrar a luz, abrimos os braços para lhes dar aconchego, e outra vez as pernas para lhes dar prazer. O coração, esse, trazemo-lo numa espécie de tombola mágica. Carregamo-lo sempre aberto sem nunca o abrirmos. O coração, trazemo-lo no peito, apertadinho, fechado a sete chaves para que nunca se perca cada homem que amámos, cada filho que nos traz a razão dos dias e o desassossego da vida enquanto um sopro dela nos atravessa o corpo. Guardamos. Tudo o que nos é precioso, guardamos, porque reconhecemos o valor das jóias raras. E o nosso coração é o cofre onde depositamos tudo o que nos tem valor, mas não tem preço. Somos tão especiais, nós, mulheres! Nascemos deusas, e como deusas caminhamos indiferentes aos rótulos e aos clichés.
Que nos chamem de putas ou santas tanto faz. Umas e outras não fazem senão dar. Damos. Até as nossas mãos que já dão,voltamos a dar para levantar, acariciar, acalmar. Conhecemo-nos, impressões digitais de alquimias primevas, o poder de transformar. E transformamos. Trazemos nas pontas dos dedos esse dom de tocar o céu e trazê-lo à terra, se assim o quisermos. E não o fazemos, porque estudamos ou somos profissionais competentes. Se aumentamos a nossa erudição, fazemo-lo tão somente para que não nos olhem apenas como a mulher do soldado ou do pescador que aguenta a solidão, a fome, a luta inteira sozinha.
Não é certamente para nos darem um dia no ano. Um dia em que nos dão flores, uma caixa de bombons e um sorriso de esmola: “Toma lá, hoje é o teu dia”. Todos os dias são nossos! Se todos os dias nós antevemos as dores dos outros e não temos medo de morrer para salvar, se todos os dias, damos por mal empregue o tempo em que dormimos porque é tempo em que não cuidamos, se todos os dias damos… damos com medo de pedir para que os outros não se melindrem…
Tuesday, 16 December 2014
Uma bela critica! Obrigada, Francisco! :)
“Dificilmente passará pela cabeça de alguém que num livro aparentemente algo profético e com contornos bíblicos, contenha romance, sexo, suspense e aventura. Mas afinal, os deuses devem estar loucos e quem sabe se a autora não se conectou também com os planos superiores que evoca, ao tomar consciência total da sua espiritualidade. É a única justificação para o profundo conhecimento que revela sobre as matérias técnicas e dados históricos abordados, e ao mesmo tempo para tamanha imaginação, o que nos leva a questionar se Ana Cristina Pinto não será uma espécie de guardiã, como a personagem retratada no seu livro. Não é esse o papel do escritor, transportar-nos para outros mundos, em que a ficção se confunde com a realidade?”
(Francisco Gomes, jornalista do Correio da Manhã e CMTV)
Saturday, 8 November 2014
Sobre a (In) tolerância...
Quase tudo pode ser eliminado pelo seu oposto. O ódio pode erradicar o amor, o amor pode erradicar o ódio, a alegria/tristeza e o seu contrário, praticamente tudo pode ser banido graças à existência do seu inverso.
Do que me consigo lembrar, a única característica humana que foge a esta regra é a intolerância. Por mais que se faça para acabar com ela, resiste a tudo. Repare-se que numa guerra entre tolerantes e intolerantes, nunca, mas nunca é possível ganhar o tolerante.
Na frase " Eu sou intolerante com a intolerância", onde é que está o "erro"? Está no facto de que quem é intolerante com os intolerantes é intolerante consigo mesmo. E por mais que ele queira acabar com a intolerância, resistirá sempre pelo menos uma: A sua própria.
A tolerância, por definição aceita (tolera) tudo. Inclusive a intolerância. Ao contrário, o intolerante não aceita, não tolera nada. Nem mesmo a intolerância. Não se aceita nem a si próprio, e não se aceitando a si próprio condena-se a existir, porque se perpétua. Este é só mais um paradoxo como tantos outros. E o que eu amo nos paradoxos é que eles nos obrigam a defrontar a nossa pequenez e simultânea complexidade. Somos tão complicados, porra! Somos tão miudinhos, emaranhados, confusos! É disto que somos feitos. De confusão. Não há clareza nem linearidade. Por isso, quando nos queremos menos caóticos digo sempre: Impossível. Nós somos o caos. A experiência humana é o caos e talvez o seu grande objectivo não seja sair dele, mas aprender a viver nele. Sem culpas. Quem é que já pensou nisso?
Venham daí os defensores da tolerância e eu digo-vos que são tolos porque permitem à intolerância que continue a existir. Venham daí os intolerantes e eu digo-vos que são estúpidos porque continuarão a eternizá-la. Mas se temos que escolher entre uma coisa e outra, se entre os males temos que escolher o menor, acredito que entre uma e outra, a tolerância nos atira mais para o abismo. A palavra é mais bonita...o conceito, visto à superfície...muito mais agradável. Mas quando tudo se permite, dá-se azo a uma passividade e liberdade que também, tudo destrói. Talvez que, o grande paradigma dos nossos tempos não seja a obtenção de liberdade. Mas de limites. Os limites protegem-nos mais que a liberdade. Ou... o que de bom pode vir de uma carro que se conduz sem travões?
Friday, 10 October 2014
Bares de Alterne
Clientes aliciados a beber com ilusão de sexo
Vistos do exterior, parecem bares vulgares. Contudo, o seu interior esconde os dois mais antigos vícios do homem. Álcool e mulheres. Mas ali não se procura vender o corpo. "Vende-se companhia", conta uma das alternadeiras.
Nos bares de alterne, os clientes são incentivados a pagar bebidas a preços exorbitantes, em troca de convívio. Por alguns minutos de companhia, conversa e talvez uma dança ou duas, um cliente gasta facilmente entre 50 a 100 euros, muitas vezes numa bebida apenas. Cabe à "alternadeira" ser astuta o suficiente, para levar o homem a gastar o máximo no mínimo de tempo possível. Depois da primeira abordagem e do primeiro copo, tudo se torna mais fácil.
Aqui ganha mais quem melhor souber seduzir o cliente. Frutos de relacionamentos problemáticos, casamentos desfeitos, carências afectivas ou insegurança económica, homens e mulheres reconhecem nestas casas o local ideal para se encontrarem e lucrarem com esse encontro. A bem da verdade, elas lucram mais do que eles.
A maioria das mulheres da noite prefere "esconder-se" com os usuais disfarces (perucas e lentes de contacto de cor) e nomes "artísticos", mas também trabalha no alterne quem prefira não usar nada disso, ficando-se apenas pelo nome fictício.
Com uma pseudo-simpatia, pseudo-afecto e uma conversa envolvente em que não faltam as promessas de um possível encontro sexual (raramente concretizadas), estas mulheres conseguem levar os mais carentes e/ou desprevenidos a gastarem muitas vezes o dinheiro que não têm. Mas esse é o preço. O preço do jogo de sedução ilusória que os homens que frequentam as casas de alterne parecem estar dispostos a pagar.
Amplamente difundidas em Portugal, as casas de alterne continuam a constituir um dos mais bem sucedidos negócios da noite. Segundo as estatísticas, das cerca de 30 mil mulheres que vivem do negócio do sexo no nosso país, 10 mil trabalham em bares de alterne.
Embora estes espaços de diversão nocturna se encontrem consideravelmente longe dos velhos padrões da prostituição, o certo é que continuam a ser confundidos com "casas de meninas" onde o sexo é a transacção principal.
A região Oeste acolhe vários destes por isso seleccionamos três para perceber como funcionam. Bares completamente diferentes quanto ao seu aspecto físico e clientela que os frequenta, mas iguais na forma como funcionam.
"Muitos clientes procuram-nos apenas para desabafar". Carla (nome fictício) tem 25 anos, é portuguesa e trabalha na noite há 4. Foi mãe aos 18 de uma menina que nunca conheceu o pai, porque este não a quis assumir nem vê-la uma única vez . Depressa percebeu que os 350 euros que levava para casa, do seu trabalho como caixa num supermercado, mal chegavam para pagar a renda das águas- furtadas em que vivia em Lisboa. Por isso não hesitou quando uma amiga a convidou para trabalhar com ela numa casa de alterne em Setúbal. "Eu precisava mesmo de ganhar mais dinheiro. Com o meu salário já só conseguia aumentar as dívidas e foi em muito boa hora que soube do bar", conta. Segundo o relato de Carla, a sua situação ainda melhorou mais quando foi para um bar de Torres Vedras. "Aqui consegui uma casa melhor e mais barata e como não existem tantos bares em Torres também não há tanta concorrência, logo conseguimos trabalhar mais", afirma.
E em que consiste esse trabalho? Carla foi peremptória ao responder que o sexo nunca fazia parte do acordo entre ela e o cliente: "Limito-me a abordar o cliente, sendo simpática com ele. Apresento-me, pergunto se posso ficar ao lado dele e caso a resposta seja afirmativa a conversa flui naturalmente", revela.
E do que costumam falar? "De tudo. Dos problemas deles. Às vezes até dos problemas que têm em casa, com os filhos, as mulheres. Muitos clientes procuram-nos apenas para desabafar. E nós ouvimos, estamos atentas, mostramos interesse. O cliente gosta disso. Ser boa ouvinte é um requisito fundamental para se trabalhar nesta área", refere Carla. "Depois sugerimos ao cliente que peça uma bebida para ele e outra para nós. Isto deve acontecer nos primeiros 10 ou 15 minutos de conversa, porque não podemos perder muito tempo com o mesmo cliente", descreve.
Decorridos mais alguns minutos de conversa após a primeira bebida, surge o pedido para uma segunda. E assim sucessivamente. A "alternadeira" só abandona o cliente quando percebe que este não está disposto a pagar mais. "Quando o cliente diz que não paga mais, então saímos da mesa e abordamos outro. Mas não somos mal-educadas."Despedimo-nos da mesma forma simpática, porque queremos que esse cliente volte", sublinha.
E quando o cliente é mais atrevido e se quer aproveitar da mulher, o que fazem? "Nesse caso, deixamos bem claro que não é para isso que aqui estamos. Nós apenas fazemos companhia ao cliente, Dançamos para ele ou com ele se for o caso. Nunca mais do que isso. Para evitar problemas temos sempre o segurança que vai passando para ver se está tudo bem e evitar abusos. Se for mesmo necessário o cliente é convidado a sair".
3500 a 5000 euros por mês, com alguma sorte, mas também muito "engenho", uma noite pode render a Carla e a mais 5 mulheres que ali trabalham, cerca de 200 euros. Às vezes mais. Em média ganham por mês cerca de 3500 euros mas podem chegar aos 5 mil. Recebem no final de cada noite o valor total da primeira bebida e 50% das posteriores. "Tudo depende dos clientes que entram. Tem mais a ver com a quantidade de clientes do que com o recheio das suas carteiras. Neste bar quase todos os que entram são de classe média/média alta e até alta. Por isso costumam pagar bem. Se forem muitos, melhor ainda", explica.
Aqui os preços das bebidas não diferem muito dos praticados em outros bares. O mínimo que um cliente paga por uma bebida que oferece a uma mulher são 15 euros. Neste caso o copo apenas contém sumo ou água. E poucas são as mulheres que aceitam bebidas nesse valor. "Nem pensar. Eu não estou com um cliente por 15 euros. Peço sempre o primeiro copo no mínimo de 25 euros, nesse caso já pode ser whisky ou vodka, qualquer coisa com álcool. Depois existem ainda outros preços, um copo de 30, 50, ou 60 euros. E temos ainda as garrafas de champanhe ou whisky, embora as de champanhe sejam as mais pedidas", relata.
Neste bar de alterne em Torres Vedras, as luzes criam um convite à intimidade e na pista está o varão onde Carla faz os seus shows de strip-tease (pool dance) e por isso mesmo acaba por ser uma das mulheres mais bem pagas do bar. "Os clientes preferem pagar bebidas às mulheres que dançam. E por vezes até pedem uma table dance ou um privado. É aqui que entram as garrafas de champanhe. Por uma "mini gância", por exemplo, eu tento sempre acordar com o cliente 120 euros para cima, chegando às vezes aos duzentos, em troca de uma dança no reservado", admite a alternadeira.
Como a maioria das mulheres que trabalham no alterne, Carla não parece importar-se que a vejam nua, enquanto rodopia no varão, com uma sensualidade que não passa despercebida a nenhum dos homens que a vêem. "Sinto-me desejada. E isso dá-me poder. Eu sei que é assim que consigo levar o dinheiro que quero para casa. Gosto muito de seduzir. De estar no controle. É o desejo deles que os leva a pagar e eu limito-me a alimentar esse desejo com este jogo. Mas não passa de um jogo. Sexo, só faço com quem eu quero e desejo também", confessa.
Quando perguntamos se Carla se sente realizada com a vida que tem, a resposta não podia ser mais honesta: "Realizada? Não. Claro que não. Gostaria de ter sido enfermeira. Ainda estudei até ao 9º ano. Não foi possível mais. Mas é a vida que tenho. Agora tenho namorado, tenho a minha filha comigo, ganho bem, compro o que quero e ainda tenho a admiração dos meus clientes. A amizade deles. É um mundo quase perfeito".
"O que acontece no privado não tem nada a ver com sexo"
Entre Caldas da Rainha e Rio Maior encontramos outra casa de alterne, que chegou a ter 15 mulheres a trabalhar, quase todas oriundas dos países de Leste. Poucas brasileiras e ainda menos portuguesas.
Tal como noutros bares que o nosso jornal visitou, não existem mulheres a trabalhar ilegalmente. A maioria é casada. Algumas mães. No entanto, ali estão, noite após noite, para ajudarem com mais algum dinheiro no orçamento familiar.
Ao contrário do anterior, este não tem entre os seus clientes homens de classe média/alta. Aqui as classes baixa e média são predominantes. O próprio espaço em si também não convida à entrada de um público mais exigente. Mas as mulheres, não sendo modelos, chamam a atenção, quanto mais não seja devido ao tipo de roupa que vestem. Reduzido. Provocante. Quanto aos preços, o mesmo. Bebidas no mínimo de 15 euros, sendo constituída apenas por sumo ou água, e as alcoólicas de 25 até 30 euros o copo. E claro, depois as garrafas de whisky ou champanhe. 50, 80, 120, 150 euros ou mais ainda se o cliente aceitar pagar.
Aqui as mulheres ganham 60% do que conseguirem que o cliente pague. Em média 100 euros por noite. Cerca de 2.500 euros por mês. Em frente aos espelhos que revestem as paredes da sala principal, Mónica (nome fictício) dança alegremente com as colegas enquanto espera que o bar se encha de clientes.
Também aqui o ritual de aproximação é o mesmo. Primeiro fazem-se as apresentações, depois um pouco de conversa e a sugestão da bebida. Alguns minutos depois observamos Mónica a sair da sala com o cliente em direcção a um cubículo isolado e escuro, onde cabe apenas um pequeno sofá.
Atrás deles segue o segurança com o balde do gelo e a garrafa de champanhe. Trinta minutos depois, Mónica regressa à sala. Ficámos então a saber que o tempo estipulado no privado são exactamente os trinta minutos. Se o cliente quiser mais tempo, terá de pagar outra garrafa, que custa no mínimo 120 euros. Mas Mónica desta vez conseguiu acordar a ida ao privado por mais uns euros. 150. "O que acontece no privado não tem nada a ver com sexo. O que acontece é que alguns clientes preferem estar mais à vontade. A maioria dos nossos clientes são de perto e não querem ser vistos aqui por alguém que os reconheça. Por isso preferem o privado."
Mónica tem 34 anos e deixou a Ucrânia há 2. Já se apaixonou mas nunca casou. Um amor não correspondido empurrou Mónica para as teias do alterne. "Ele não me amava. Usou-me. O amor não presta. Não quero amar outra vez. Isso é só ilusão. Maior ilusão que a que vendemos aqui todas as noites. Aqui eu não faço sofrer ninguém, e por amor eu já sofri demais", desabafa. "Antes isto do que a prostituição. Aqui nós só seduzimos o cliente. Somos simpáticas, alegres e damos afecto. É tudo o que a maioria quer de nós. E quando aparece algum que quer mais do que isto temos que saber dizer não. Antes isto do que a prostituição", avança.
Se as mulheres que trabalham no alterne não vendem sexo, quisemos saber o que leva a generalidade das pessoas a pensar que sim, e porque é que esta actividade não é bem vista pela sociedade. "As pessoas são preconceituosas e falam mal do que não conhecem. Muitos dos que dizem mal nunca entraram num bar de alterne", sustenta. Apesar disso, Mónica reconhece que também aqui não há regra sem excepção. "Algumas mulheres fazem sexo por dinheiro. Mas a maioria não faz. E as que fazem, raramente o fazem aqui. Combinam com o cliente e fazem lá fora. Mas isso é péssimo. Para além de elas passarem uma má imagem da actividade, ainda estragam o negócio. Cliente que paga lá fora, não vem pagar cá dentro e isso é mau para o negócio", diz. Por mais irónico que pareça, segundo Mónica, a única coisa que a mantém afastada da família que deixou na Ucrânia é precisamente o seu apego a ela. "Eu dou muito valor à minha família. Sou muito apegada a ela. E é pelos meus familiares que estou em Portugal. Do que eu ganho aqui, pouco fica comigo. Mando-lhes praticamente tudo. Sou eu quem sustenta os meus pais, avós, irmãos e sobrinhos. Não quero que lhes falte nada", indica.
"Eu não sou prostituta"
Com oito anos de experiência na noite e 36 de vida Suzy (nome fictício), confessa "sem papas na língua" que já passou pela prostituição mas trocou a "venda do corpo" pela "venda de companhia". Saltitou por várias casas de alterne, tendo encontrado "poiso" nos últimos tempos num bar mais pobre e de aspecto duvidoso, nos arredores da Benedita.
Com condições semelhantes às dos outros bares, funciona com quatro, no máximo, cinco mulheres, quase todas oriundas de Leste, mas aqui quem "dá as cartas" é uma brasileira rebelde e atrevida, que diz já ter apanhado com toda a tareia que a vida foi capaz de lhe dar.
Com quatro filhos ainda menores a viver do outro lado do Atlântico, dois deles fruto de um segundo casamento que também terminou mal, Suzy conta ter já sido por várias vezes vítima de violência por parte dos homens com quem se relacionou. Por isso, não é de estranhar o azedume na voz, nem a frieza no olhar quando nos fala das motivações que a levaram a procurar esta vida. "Eu sei que já vendi a alma ao diabo. E continuo a fazê-lo quando finjo ser simpática com estes homens que aparecem aqui. Mas é a única maneira de eu conseguir o dinheiro", comenta. Mas assegura: "Eu converso apenas. Seduzo. Mas não chego ao contacto físico. Eu não sou prostituta. Se o cliente me paga bebidas porque fica na expectativa de um dia ter relações sexuais comigo...problema dele. Eu aqui não faço nada disso".
Quando perguntamos se Suzy consegue permanecer sóbria durante toda a noite, apesar do consumo excessivo de álcool, a sua resposta não deixa margem para dúvidas: "Ingerimos poucas quantidades de álcool. Quase sempre 90% de água ou sumos e 10% de álcool. No caso do whisky é ainda melhor, porque podemos trocar por sumo de maçã sem que o cliente repare na diferença". Os bares que visitámos não parecem ter como prática comum o incentivo ou exploração da prostituição (o que constitui o crime de lenocínio). Com ou sem prostituição, as casas de alterne continuarão a vender ilusões e pseudo-afectos.
- Ana Cristina Pinto
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Alguém que posta: " Creme de banana. É muito bonito, não acha?" Remete-me logo para um lugarzinho pimbalhão no meu cérebro e ocorrem-me várias coisas: uma musica do josé cid, a minha ultima visita ao jardim zoológico e uma vontade quase irreflectida de responder: " Bonito,não sei. Mas é muito saboroso"
Tuesday, 7 October 2014
Monday, 6 October 2014
Friday, 3 October 2014
Coisas substancialmente irritantes:
Aquelas torneiras amigas do ambiente.
Primeiro, pareço uma autista a acenar à frente da torneira, por baixo da torneira, à volta da torneira, até conseguir que aquilo comece a deitar água. Normalmente, claro, com a casa-de-banho cheia de pessoas que, obviamente, sabem utilizar eficazmente aquelas torneiras e estão mentalmente a pensar: "coitadinha, deve ter algum atraso..."
Depois, é suposto eu conseguir lavar bem as mãos em 3 segundos, senhores!?
Ou terei eu de obsessiva-compulsivamente carregar, acenar, ou o que quer que faça que active a dita, para conseguir que aquilo se ligue novamente mais umas 3 ou 4 vezes?
Sinto-me quase como um um puto virgem imberbe à procura do ponto G.
P.S.( Ah, pior que isso ainda, é a mija do helicóptero: Sentas-te na sanita e de 10 em 10 segundos agitas os braços no ar, para que a luz volte a acender-se...)
Thursday, 2 October 2014
Wednesday, 1 October 2014
O valor das coisas
Tenho duas gavetas na sala onde só guardo tesouros. Coisas de muito valor.
Uma tem pacotinhos de supari, masala tea bags, caixas de incenso, sabonetes de açafrão e sândalo, um sari lindo, rendado, fiadas de flores de jasmim já secas e esboroadas e ainda um cd de Ravi Shankar. Um cd que quando toca, solta um som tão mágico e envolvente como só uma cítara pode ter.
Na outra, tenho postais ilustrados. Alguns, oferta de amigos e familiares próximos que foram fazendo questão de me mostrar que eu estou no coração deles. Outros, alegremente infantis, feitos pelas mãos dos miúdos.
As palavras ternurentas com que me brindaram nessas recordações de infância, carregam tanta ternura e fé na mãe que eles acreditavam ter, que ainda hoje guardo tudo com a convicção de que se a minha casa sofresse um incêndio, seriam estes pequenos (grandes) tesouros que eu tentaria salvar a todo o custo.
Quando tenho saudades da Índia, enfio o nariz na gaveta e deixo-me inundar pelos cheiros do mercado de Margão enquanto a cítara de Ravi Shankar enche a casa.
Quando é a nostalgia dos filhos ainda pequenos, os cheiros das loções para bebé e os pós-de-talco, os bracinhos pequeninos a enlaçar o meu pescoço, os choros a meio da noite a interromper o sono que foi entretanto roubado por um papão adulto e egoísta…quando é a saudade imensa de ser assim tão importante na vida de alguém: um farol, uma torre, uma fada… as fotos que me mostram os seus rostinhos risonhos não me chegam.
Preciso das palavras. E então leio naqueles postais infantis o maior amor do mundo, cristalizado, perene, imortal.
Um dia, eu hei-de morrer e a Índia, continuará a ser a Índia. Com ou sem dejectos e cadáveres que bóiam indiferentes ao choque dos turistas, o Ganges e o Yamuna, continuarão a ser os rios onde adoraria molhar os meus pés.
Um dia, eu hei-de morrer, e o amor dos meus filhos por mim e o meu por eles continuará vivo.
Com ou sem dramas próprios da nossa convivência, também ela indiferente ao choque de gerações, os nossos dias juntos, serão talvez a minha única marca relevante no mundo.
E é por isto que me são tão importantes estas duas gavetas.
Em mais lado nenhum guardo tanto valor.
Tudo o resto só tem preço.
Tuesday, 30 September 2014
Vanity publishing
«Publicação da vaidade» (ou como quem diz: A arte de editar livros que até podem não valer um caracol mas editam-se na mesma porque a editora não tem nada a perder.)
O que há para dizer? Assim de repente o que me ocorre é: Não gosto. E não gosto porque não considero que isso seja publicar livros. Já recebi várias propostas de vanity. Vários e-mails das editoras, dizendo “ Gostámos muito do seu original, achamos que tem potencial editorial e temos todo o interesse na sua publicação”.
….mas… e lá vem o “mas” aporrinhador, o empata fodas, o desmancha prazeres…mas… apenas se eu passar umas notas porreiras à editora porque: “(…) como deve compreender, a editora não pode suportar os riscos inerentes à publicação de um autor desconhecido”.
Ahhhh…então é assim que funciona! Primeiro pagas e não bufas. Ou seja: Tu dás dois anos da tua vida para escrever uma estória, fazes noitadas, directas, perdes horas em pesquisas disto e daquilo, depois envias para as editoras que te dão primeiro a boa noticia: “ Sim!, Sim!, Sim!” (Lembram-se daquele anúncio da gaja a lavar o cabelo com Herbal Essences? É quase isso.), e logo a seguir a má : “ arrisca tu, que nós só cá estamos para ficar com 90% do PVP, e nem nos vamos preocupar muito com a distribuição porque: há uma, nem são tantos exemplares assim, há duas, já estão pagos e há três, o pior que pode acontecer é correr mal, mas para nós corre sempre bem.
Ah é? Ok. Tudo bem. Amigos como dantes. Olha, o meu original vai continuar na sombra porque eu não vou pagar para que ele veja a luz do dia. Ponto. Se alguma vez se publicar alguma coisa minha, será porque é realmente bom e não porque eu “subornei” alguém para isso.
É isto mesmo: O Vanity Publishing soa-me quase a suborno.
Quem o defende até usa bons argumentos. Reparem: É uma boa maneira de o autor ir ganhando nome, confiança, habilidade na escrita (porque motivado com a crescente massagem ao ego vai escrevendo cada vez mais e melhor.) Será que vai? Hum? Mas admitindo que isso tudo até pode ser verdade: Até lá, o leitor vai ficando cada vez mais confuso na hora de comprar um livro, porque por entre a parafernália de títulos a forrar as paredes das livrarias, arrisca-se e muito, a levar para casa, tudo, menos um bom livro. E já nem me refiro ao conteúdo, porque isso, meus amigos, há gostos para todos os géneros e ainda bem. Refiro-me à forma, à básica e elementar preocupação que quem quer ser escritor deve ter, e quem quer ganhar a vida publicando o que outros escrevem, também: Revisão de textos e correcção de erros gramaticais, ortográficos e por aí fora.
Pois é. O Vanity até pode colocar mais livros na mesa do leitor, mas não deixa de ser um concorrente desleal e duvidoso de todos aqueles que realmente escrevem, sejam eles nomes consagrados ou anónimos lixados.
Monday, 29 September 2014
Dador de Memórias
Vi o "The Giver". Um filme sem um grande enredo, bastante previsível até, mas com uma mensagem poderosa. Cabe que nem uma luva aos nossos dias. Tem alguma similaridade com o " Equilibrium" um filme de 2002 que conta a história dos que sobreviveram à 3ª Guerra Mundial. Os que ainda podiam contar essa mesma história, sabiam que os humanos jamais sobreviveriam a uma 4ª grande ofensiva. Era preciso parar e para isso foi-se o mais longe que se pode. Tomar diariamente um medicamento inibidor das emoções, foi neste filme, a solução encontrada.
Em " O Dador de Memórias", a injecção milagrosa do esquecimento também pareceu ser a única capaz de propiciar a paz. Esquecer quem fomos, do que somos capazes, o que sentimos e porque nos emocionamos. Quando eu digo que a mensagem é poderosa, digo-o sobretudo por pensar que o caminho para um " The giver" ou "Equilibrium" real já está aberto. O que foi durante muito tempo considerado impossível, pela ciência, começou a tornar-se um facto comprovado no final da década de 1990, graças ao neurocientista egípcio Karim Nader. Hoje já se sabe que a PKMZeta é a proteína capaz de apagar memórias. E é eficaz.
A questão que importa aqui é: Se perdermos o que nos define enquanto seres humanos, ainda que nos salve de nós mesmos não nos condena a um outro tipo de morte? Talvez à pior das mortes? Aquela, em que vivemos mas não nos sentimos vivos? Quem não sente, quem não recorda, quem não se emociona, quem, em suma, vive automatizado, não pode em boa verdade dizer que está vivo. Ou pode?
Mafalda ao Poder! Já!!!
Esta é a Mafalda, a Contestatária, do Cartunista argentino Joaquín Salvador Lavado, mais conhecido por Quino.
A Mafalda “nasceu” a 29 de Setembro, há 50 anos atrás.
É assim um bocadito “cota” mas está cada vez mais fresca e mais aguerrida e sempre actual.Sempre questionando e ralhando e contestando…faz-nos falta uma Mafalda na Assembleia da República!Ai isso faz!
Tuesday, 23 September 2014
Vida de uma solteira (taralhoca) no Facebook.
Maria Albertina faz like numa foto.
Stalker 1, faz like também, mesmo quando não percebe o que leu.
Maria Albertina posta uma foto com uma frase que indica que terá sofrido muito nas mãos dos homens e jamais voltará a confiar na espécie. Stalker 1 comenta em 0,2 segundos e dá a entender que nem todos os homens são iguais. Stalker 2 comenta logo de seguida, que deverá confiar apenas nos homens que demonstram ter sentimentos verdadeiros e não querem, como outros, saltar-lhe apenas para a cueca. Stalker 1 comenta de seguida, que ela não deverá confiar em qualquer homem que lhe diga que não é como os outros. Maria Albertina suspira e não comenta mais.
Stalker 1 mete conversa no chat, embora Maria Albertina esteja em modo "aparecer offline", com a frase "então, estás escondida?!". Maria Albertina suspira e não clica em ler a mensagem, vendo apenas a primeira frase que ele escreveu, para ele não saber que ela viu efectivamente o que ele disse.
Maria Albertina comenta um post de João Diogo, a quem realmente acha piada, picando-o. Stalker 2 vê, e também sendo amigo, comenta. Stalker 1 está neste momento deprimido porque Maria Albertina continua a comentar post's de outras pessoas, mas não lhe responde no chat.
Stalker 1 insiste, com a cartada da pena "então, estás chateada?".
Maria Albertina suspira de tédio e responde: " Não, estava a jantar. Tudo bem?" Stalker 1 sorri e tem um orgasmo mental:" Afinal ela liga-me!".
Stalker 2 mete conversa no chat "como correu o dia, linda?". Maria Albertina pensa: "não me chames linda."
Maria Albertina pensa: "porque raios o João Diogo não mete conversa?....Estúpido!"
João Diogo envia finalmente um link de um cãozinho fofinho. Maria Albertina sorri e pensa:" Ohhh , que querido!! Ele até gosta de cãezinhos como eu!".
Stalker 2 continua a ser ignorado.
Stalker 1 continua a ser ignorado.
João Diogo mete conversa com Lurdes, Marta e Leonor, com a mesma foto do cãozinho.
Maria Albertina pensa que a relação pode dar em algo, já que parecem ter imensas coisas em comum.
João Diogo pensa que este fim-de-semana vai facturar.
Stalker 1 já bebeu metade de uma garrafa de Whiskey.
Stalker 2 manda o Facebook à merda e vai ver porno.
Stalker 1, faz like também, mesmo quando não percebe o que leu.
Maria Albertina posta uma foto com uma frase que indica que terá sofrido muito nas mãos dos homens e jamais voltará a confiar na espécie. Stalker 1 comenta em 0,2 segundos e dá a entender que nem todos os homens são iguais. Stalker 2 comenta logo de seguida, que deverá confiar apenas nos homens que demonstram ter sentimentos verdadeiros e não querem, como outros, saltar-lhe apenas para a cueca. Stalker 1 comenta de seguida, que ela não deverá confiar em qualquer homem que lhe diga que não é como os outros. Maria Albertina suspira e não comenta mais.
Stalker 1 mete conversa no chat, embora Maria Albertina esteja em modo "aparecer offline", com a frase "então, estás escondida?!". Maria Albertina suspira e não clica em ler a mensagem, vendo apenas a primeira frase que ele escreveu, para ele não saber que ela viu efectivamente o que ele disse.
Maria Albertina comenta um post de João Diogo, a quem realmente acha piada, picando-o. Stalker 2 vê, e também sendo amigo, comenta. Stalker 1 está neste momento deprimido porque Maria Albertina continua a comentar post's de outras pessoas, mas não lhe responde no chat.
Stalker 1 insiste, com a cartada da pena "então, estás chateada?".
Maria Albertina suspira de tédio e responde: " Não, estava a jantar. Tudo bem?" Stalker 1 sorri e tem um orgasmo mental:" Afinal ela liga-me!".
Stalker 2 mete conversa no chat "como correu o dia, linda?". Maria Albertina pensa: "não me chames linda."
Maria Albertina pensa: "porque raios o João Diogo não mete conversa?....Estúpido!"
João Diogo envia finalmente um link de um cãozinho fofinho. Maria Albertina sorri e pensa:" Ohhh , que querido!! Ele até gosta de cãezinhos como eu!".
Stalker 2 continua a ser ignorado.
Stalker 1 continua a ser ignorado.
João Diogo mete conversa com Lurdes, Marta e Leonor, com a mesma foto do cãozinho.
Maria Albertina pensa que a relação pode dar em algo, já que parecem ter imensas coisas em comum.
João Diogo pensa que este fim-de-semana vai facturar.
Stalker 1 já bebeu metade de uma garrafa de Whiskey.
Stalker 2 manda o Facebook à merda e vai ver porno.
Sunday, 14 September 2014
AS “estampas” da nossa vida…
Acredito que todas as mulheres têm outra mulher pela qual, em algum momento das suas vidas foram trocadas. Essas, as que nos levaram algum dia ao término de uma relação, se forem tão ou mais bonitas que nós (e nós temos olhos na cara para ver isso) até compreendemos. (Não no momento, mas mais tarde). Mas quando isso não acontece, quando o homem que amávamos ou nos dava pelo menos a volta aos sentidos, nos troca por alguém francamente pior, então esse facto transforma para todo o sempre, a outra, (a ladra), numa "estampa". Uma croma purulenta, vurmosa e infecta. Eu tenho uma "estampa". Ou duas. A minha amiga também tem uma e não deve haver mulher que não tenha a sua. Até mesmo as próprias “estampas” são bem capazes de ter um destes exemplares a assombrá-las, por mais difícil que isso nos pareça. Mas confiando na lei de Murphy, temos que acreditar que há sempre pior.
A primeira “estampa” que a vida me deu, foi há uns bons anos atrás. Tinha então 15 anos. Era a minha primeira paixoneta, coisa de adolescente e nunca passámos dos beijinhos. Mas eis que surgiu a primeira larápia dos meus afectos. Era já na altura uma miúda feia, com um nariz demasiado pontiagudo, demasiado sardenta, com uns olhos pequeninos e apagados. Nada de interessante portanto. Mas ela somou e seguiu e uma noite, em que eu estava num bailarico da aldeia, cheia de esperança de o ver (a ele), encontrei-o aos beijos com aquela coisa achinesada, atrás do palco de onde ressoava a cacofonia pimba. Tudo bem. Tinha 15 anos. Facilmente parti para outra, depois de ter chorado 3 dias seguidos. Não há muito tempo, encontrei-os aos dois, também numa festa da aldeia, mas já não os vi aos beijos. Ele tinha uma bebedeira descomunal e ela, ao nariz em forma de gancho e olhos mortiços, somava um buço que vai daqui a Paris. Ele estava coxo, marreco, e com um rosto enrugado e macilento, marca de muitas noites bem regadas a álcool. Nunca largava a cerveja e ela agarrava-se ao balcão do bar improvisado, olhando para ele de soslaio, volta e meia dizendo-lhe qualquer coisa. Parecia zangada. Até que a “coisa” deu para o torto e ele deu-lhe um estalo tão grande que ela rodopiou para o outro lado do balcão. Veio ajuda. Alguns homens agarraram-no e ralharam-lhe por ele estar a fazer aquelas figuras tristes. Mas ele continuava a falar alto e a chamar à mulher todos os nomes de que se lembrava. Até que cambaleante, seguiu para casa com ela atrás. «Coitada.» Ouvi dizer, «Hoje é mais uma noite em que ela vai apanhar e acabar a dormir na rua.» Foi quando me lembrei dos meus 15 anos e daqueles 3 dias de pesar por ter sido preterida. Não consegui deixar de sorrir quando pensei : “Abençoadas lágrimas. Esta levou-o, mas não levou grande coisa.” Alívio. Alívio não, gratidão mesmo. Felicidade extrema!
Ontem uma amiga, mostrou-me uma foto em que posava alegremente a “estampa” dela. Fiquei chocada, horrorizada a olhar para aquilo. A única imagem que me veio à cabeça foi a de um travesti que encontrei a deambular pelas ruas do Porto, na década de 80. Podia jurar que se tratava da mesma pessoa. Receei ter pesadelos ontem à noite. Se ao invés de loura (falsa), ela tivesse o cabelo preto, podia bem passar pela matriarca da família Adams. E isto levou-me (como era esperado), a recordar-me da minha estampa mais recente. Outro “mistério da fé” que eu nunca vou perceber. É claro que eu não me acho linda de morrer, nem tenho a pretensão de ser o máximo que algum homem pode desejar (era o que faltava!), tenho plena consciência de que não subo ao pódium dos cânones da beleza feminina, mas por amor da santa! Aquilo é pior que uma albina! Aposto em como ele consegue ver-lhe a comida no percurso que faz da garganta ao intestino grosso! Tem sinais na pele (até onde se pode ver), com diâmetros que davam para fazer ringues de patinagem artística! O rosto é tão parco em harmonia que me dá a sensação de que o Criador (faltando-lhe peças), foi buscar aos falecidos, uma orelha aqui, outra ali, o nariz dacolá, o olho direito deste e o esquerdo daquele…C’órror! E o gosto pela roupa e acessórios? Será que ela não tem amigas? Sim, amigas de verdade que sejam capazes de lhe dizer: “ Querida, isso não te favorece…e é pindérico.” Enfim…
A minha amiga, a tal que foi trocada por um travesti, que é bonita e tem um charme de fazer inveja, anda com a foto da sua “estampa” no telemóvel. E a razão é muito boa: “ Quando estou com uma crise de auto-estima – confessou-me – olho para ela e sinto-me logo muito melhor.” Nunca tinha pensado no quanto isto é terapêutico. Acho que vou fazer o mesmo à minha. Download da foto que há tempos consegui apanhar no Facebook e sou capaz de ir um bocadinho mais longe: Imprimir e colar em pontos estratégicos da casa. Sei que é cliché mas é bem capaz de funcionar: Uma na dispensa para afastar as formigas e outra na casa de banho para me estimular o recto em dias de obstipação. Fica bem mais económico do que o Dulcolac e o Activia e é bem capaz de surtir o mesmo efeito.
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