Wednesday, 10 September 2014

A Relação com a Mão: Contraceptivo 100% eficaz!

O lugar mais confortável que podemos almejar, quando opinamos sobre o que quer que seja, é sempre aquele que nos permite agradar a gregos e a troianos. E quanto mais polémico for o tema, maior é a tentação para nos colocarmos aí, nesse limbo de conforto, onde não há preto nem branco, tudo é cinza, comodidade, neutralidade, em suma, um pacato banho-maria que nos dá a ilusão de assertividade e equilíbrio. Esse é o reino do Assim-Assim. O problema é que nós podemos ter uma atitude assim-assim para muitas coisas. “Gosta do bife bem ou mal passado? Assim-assim”; “ Prefere o café forte ou fraco? Assim-assim”; “ Como é que lhe corre a vida? Assim-assim”, e por aí vamos. O nosso tanto faz como fez, o deixa andar, o tanto dá como se deu, pode aplicar-se a muitas coisas, mas ao aborto não. Dizer-se: “eu não sou a favor do aborto, mas defendo que a mulher é quem deve decidir” é ter esta atitude assim- assim. Numa questão tão importante e delicada quanto esta não pode haver ambiguidades. Falamos de vidas, não de escolhas que pouco ou nada nos afectam. Não se pode dizer que se é contra o aborto e ao mesmo tempo defender que a mulher tem o direito absoluto e supremo de decidir se interrompe ou não uma gravidez. Não sejamos hipócritas. Quem defende que a mulher é quem deve ter o poder de decisão sobre o que acontece a outra vida, não pode em verdade dizer que é contra o aborto.
Vi alguns comentários que defendem que o aborto não é usado enquanto contraceptivo. Lamento, mas isso não é verdade. Não para todos os casos. Um dos trabalhos que fiz cerca de 2 anos após o referendo que deu a vitória à prática do IVG, deixou bem claro que muitas mulheres, sobretudo as mais jovens abortam por "dá cá aquela palha". Um dos obstetras com quem falei na altura revelou que algumas jovens com idades compreendidas entre os 15 e os 19 anos faziam em média 4 abortos por ano. Num dos casos, (o mais chocante) uma jovem de 22 anos terá recorrido ao aborto 11 vezes no espaço de 2 anos. Ora…estes são casos a nível local! Não estou a reportar este trabalho que fiz, para a totalidade do país. Nem quero imaginar como serão os números para Portugal inteiro. Segundo o DN, entre 2008 e 2012, registaram-se em Portugal cerca de 100 mil interrupções voluntárias da gravidez, sendo que, mais dois anos passados o número terá duplicado. A boa notícia é que os casos após aborto que recorrem às urgências dos hospitais diminuíram consideravelmente. (Para alguma coisa a nova lei teria que servir!) Se falarmos na pílula abortiva (do dia seguinte), então o choque é ainda maior. Existem miúdas que vão busca-la à farmácia, praticamente mês sim, mês não. Não, não estou a exagerar! Isto é preocupante porque estamos a falar de mulheres muito jovens que muito provavelmente no futuro nunca mais poderão vir a ser mães!
Contudo, penso que o mais importante nesta questão é que ainda não percebemos que a mulher, manda sim no seu corpo. Sem dúvida. Mas o corpo que está dentro dela, não é o corpo dela. É o corpo de uma criança, que está em formação, e que como já vimos (um feto com 10 semanas), é um feto como o que se pode ver na imagem. O que eu costumo perguntar sempre é: se não se pode matar uma criança que já nasceu, porque é que se aceita que se mate uma que ainda está em formação? Qual é a lógica disso? É com base nessa reflexão que considero perfeitamente surreal que se argumente que em casos extremos, (como esse mais recente, por exemplo do pai que matou a criança em água a ferver), pais que matam os seus filhos, tenham eles a idade que tiverem, sirvam de exemplo para justificar o aborto. Nada disso serve de exemplo para justificar um aborto! Um crime não pode justificar outro crime! Não faz sentido! Se a vida fosse valorizada pelo tempo que se respira sobre a terra, então os idosos seriam tratados como reis e rainhas, certo? E não o são. São atirados para lares de 3ª idade, abandonados, negligenciados, esquecidos. Um bebé ainda no ventre da mãe não tem menos direito à vida que outro que acabou de nascer. Porque teria? Porque o ouvimos chorar? Porque lhe mudamos a fralda, lhe damos os seios para que ele se alimente? E quando está no nosso ventre? Não se alimenta também de nós? Não chora? Não reconhece o toque da mão da mãe sobre a barriga? Não se acalma quando a mãe lhe fala? Bom, eu sou mãe e posso garantir-vos que um bebé no nosso ventre faz tudo isso. Na primeira ecografia que fiz do meu filho, (tinha ele 6 semanas), estava a chuchar no dedo.
Quero que fique bem claro que acredito sinceramente que ninguém é a favor do aborto e que aquilo que se pretende evitar é que mais mulheres continuem a ser penalizadas, quer pela sociedade, quer pela negligência de quem a troco de alguns euros arrisca a fazer o que não sabe ou não tem condições para fazer. Mas também acredito que já vai sendo tempo de nos deixarmos de egoísmos. Não estamos a falar de mulheres que vivem nas décadas de 80/70/60 ou anteriores. Não estamos a falar de mulheres que vivem em países de 3º Mundo, onde a informação e métodos para evitar uma gravidez, são de difícil acesso ou mesmo inexistentes. Estamos a falar de mulheres que tendo a possibilidade de levantar contraceptivos gratuitos nos centros de saúde, preferem assobiar para o lado e nunca lá põem os pés. Estamos a falar de mulheres que em larga escala e independentemente da sua classe social, têm acesso à internet, defendem práticas de libertinagem sexual que vão desde o swing ao mamading, exibem iphones e unhas de gel. Será que é mesmo por causa dos parcos recursos monetários que se recorre tanto ao aborto? Sinceramente, não me parece. O que as leva à IVG é a crise de valores. A crise de humanidade e não a crise monetária.
Hoje só engravida quem quer. Fazer sexo é muito bom, mas há consequências e eu não acredito que exista uma só mulher com mais de 14 anos, neste país que não saiba que as há e quais são. E acima de tudo, que não saiba o que, e como fazer para evitar uma gravidez não desejada. Posto isto, se me perguntarem se eu acho que deveríamos voltar a criminalizar, só posso em coerência dizer que a mesma lei que defende a vida de quem já deu o seu primeiro berro no mundo, deve ser a lei que defende a vida de quem ainda se prepara para o fazer. Reforço que a mulher é dona do seu corpo sim, mas o corpo da criança que ela carrega não é o seu corpo. É outro corpo. Outro ser. A melhor solução de todas creio eu, virá a longo prazo (ou não). Só dependerá de todos nós. Eduquemos as nossas crianças para os valores que valem realmente a pena. Às meninas, ao invés de as considerarmos inocentes e ingénuas, ensinemos tudo o que há para ensinar sobre o sexo e o amor, sobre o quanto é maravilhoso esse encontro de dois corpos que se amam, mas também a importância de conhecer todas as regras desse jogo da sedução. Levemo-las a tempo às consultas do planeamento familiar, ginecologistas, o que for preciso para que elas estejam preparadas, protegidas e conscientes dos seus actos. E isto não é para fazer depois de elas terem 16 ou 17 anos. É para fazer logo que elas comecem a menstruar. Aos meninos, ensinemo-los a assumir responsabilidades, a cuidar do que criam…em suma, a protegerem a sua e a vida de quem com eles se envolve.
Acrescento que para os adeptos do assim-assim existe uma coisa muito boa: A relação com a mão. E atenção que, quando eu falo em relação com a mão, não a sugiro apenas aos homens. As mulheres também podem ter uma relação assim-assim com a mão. Assim-assim, porque será sempre aquele tipo de relação que dá prazer mas nem tanto e faltam sempre muitas coisas: o corpo do outro, os beijos, as caricias e os afectos verbalizados. Por isso é uma relação assim-assim. Dá para o gasto. Para o alívio momentâneo. A vantagem é que uma relação com a mão não coloca ninguém numa situação que não deseja. Diria mesmo que a relação com a mão, já traz um método anticoncepcional incorporado e que é 100% seguro!
Por último…sim, é vergonhoso que o estado pague a quem quer matar e não ajude a quem quer dar a vida. Tudo o resto que possa ser dito a este respeito, na minha opinião, são desculpas, disparates, parvoíces, tretas e uma enormíssima falta de bom senso.


Tuesday, 9 September 2014

2 kinds of Man



Em conversa, disse-lhe: amei imenso ""o homem sem qualidades". Referia-me ao livro do Musil que comprei numa feira do livro, mas a verdade é que, num aligeirar do discurso , acabara de resumir grande parte da minha vida amorosa.

É que há deles assim...e depois há os outros...

Saturday, 6 September 2014

Mimos & Gatices



É tão bom quando o amor ronrona!
A medida que envelheço dou menos atenção ao que as pessoas dizem...
simplesmente observo o que fazem.


Monday, 1 September 2014

The First or the Last?

"Os homens gostariam de ser o primeiro amor de uma mulher.
As mulheres têm um instinto mais subtil: gostariam de ser o último amor de um homem."

Oscar Wilde in "the importance of being Earnest"



Saturday, 30 August 2014



Depois do bolo, do brinde,dos votos, fica a certeza de que estes 20 anos ao teu lado podiam sim, ter sido melhores, mas se o fossem, não seriam os nossos.Os nossos 20 anos foram únicos. Foram, mais coisa menos coisa,7200 dias de aprendizagem, adaptação, conhecimento,respeito,orgulho, evolução e amor constantes.

Foram 7200 dias de construção de dois seres humanos, um filho e uma mãe que todos os dias se surpreendem e superam. Há 20 anos atrás, deixei, ( como te disse hoje) de ter o "rei na barriga". Mas és, sem dúvida, o meu príncipe. Alguém por quem vale a pena acordar todos os dias. E se tantas vezes fui a tua torre e o teu farol, outras tantas, foste tu a minha torre, o meu farol.

Agradeço-te por me teres escolhido para esta tarefa. A melhor de todas. A mais difícil, mas a mais bonita. Ser tua mãe não foi uma sorte tua. Foi antes uma sorte minha. Ou de ambos. Quero acreditar que um dia dirás que foi uma "sorte" de ambos. Essa constatação transformará o pior dos nossos dias, num dia óptimo. Num dia excelente. Parabéns por mais um aniversário, Rafael. Espero poder dividir contigo pelo menos mais 7200 dias e quando eu já não puder fazê-lo,desejo que continues a partilhar a tua passagem por esta terra com pessoas tão excepcionais como tu. Loveu4ever!





Thursday, 28 August 2014

As Mulheres...

As mulheres são melhores e estão fartas de sabê-lo.
Mas, como os gatos, sabem que ganham em esconder a superioridade.
Os desgraçados dos cães, tal como os homens, são tão inseguros e sedentos de aprovação que se deixam treinar.
Resultado: fartam-se de trabalhar e de fazer figuras tristes, nas casas e nas caças e nos circos.
Os gatos, sendo muito mais inteligentes, acrobatas e jeitosos, sabem muito bem que o exibicionismo vai levar à escravatura vil.

( gosto tanto de ti MEC  )


Monday, 25 August 2014

A propósito do (triste) espectáculo Anselmo Ralph em Cascais... Que espécie de mães/pais levam crianças pequenas, inclusive bebés nos seus carrinhos, para o meio de um recinto onde estão milhares de pessoas (alcoolizadas, drogadas, etc...) ? Mas esta gente lá pode fazer/parir filhos? Esterilizá-los a todos, Já!

Thursday, 21 August 2014

Excelentíssimos Senhores Empregadores, aqui está uma notícia que certamente vos agrada. Reforçada a possibilidade de arranjarem mão de obra quase a custo zero. Aos candidatos a emprego devo dizer que não há motivo para festejar. Terminado o prazo do pagamento parcial ou integral do vosso salário, pelo Estado, voltam ao olhinho da rua, porque o empregador irá de seguida aos centros de emprego procurar alguém nas mesmas condições. Medida para diminuir o desemprego? A sério? Bahhhhh...

http://manda-te.com/noticias/candidaturas-estimulo-emprego/

Tuesday, 19 August 2014

O feminismo é a pior coisa que já aconteceu às mulheres.


Na Holanda, os movimentos feministas pretendem acabar com a definição de género. Não querem que homens e mulheres continuem a ser chamados de homens e mulheres, passando dessa forma, a ser usado por todos o mesmo denominador comum: Humanos. Apenas.

Por mais que a ideia possa agradar às feministas de plantão, a mim arrepia-me. Insurge-me numa revolta contra quem, sendo mulher, se prejudica deliberadamente. (Tanto ou mais do que homens comandados por excesso de brio na sua masculinidade e má vontade). Nunca percebi muito bem a razão de existirem os movimentos feministas. Não foi graças a eles que as mulheres conquistaram por exemplo o tão afamado direito ao voto ou a frequência nas universidades. Ele já existia antes dos primeiros movimentos dos anos 60.

O feminismo não emancipou a mulher. Na verdade, o feminismo prejudicou a mulher ao colocá-lo numa prisão de pensamento negativo e ao promover um beco sem saída de promiscuidade.

O feminismo roubou às mulheres a tendência natural de colocar a família e o casamento - a parte mais significativa da sua existência e pilar de uma sociedade coesa e saudável - no centro das suas vidas. Em vez disso, o feminismo actual envergonha as mulheres e força-as a acreditar que o materialismo da sua carreira deve ser colocado em primeiro lugar. Deve ser o centro. O foco principal. Onde é que isso nos trouxe? Famílias monoparentais às carradas? Famílias desestruturadas, problemáticas, arruinadas?
Um dos objectivos não-declarados do feminismo é gerar nos homens sentimentos de culpa por estes considerarem algumas mulheres mais bonitas que outras. As feministas, que se encontram na secção mais feia do espectro da beleza feminina, ( e desculpem-me as feministas que não têm culpa de serem feias, mas que na sua larga maioria o são, são. Temos pena), querem redefinir o conceito de beleza de modo a que elas sejam consideradas tão meritórias como as mulheres que são genuinamente bonitas.
Ao mesmo tempo que as mulheres (desproporcionalmente lésbicas) da elite feminista se dedicam a fazer uma lavagem cerebral à população idiotizada, elas vão sendo bem sucedidas em enganar as mulheres de modo a que estas se tornem vítimas das tendências narcisistas que se encontram no seu ADN privilegiado. Quando as mulheres dão início ao processo de auto-destruição estético não encontram qualquer tipo de resistência por parte da cultura.
É claro que todas as mulheres merecem ser alvo do desejo e admiração dos homens. A sedução é um jogo que todas queremos jogar, mas como será isso possível deixando crescer os pêlos nas axilas, promovendo o descuido com a aparência, eliminando da vida de milhões de mulheres os cuidados básicos com o corpo, (depilação, maquilhagem, roupas femininas que nos acentuam as curvas e nos deixam visivelmente mais bonitas, o uso dos saltos altos que nos tornam mais elegantes, a lingerie que promove amplamente o tal jogo tão apetecido da sedução? Onde é que fica o nosso encanto se os cabelos curtos – à homem- o uso de indumentária tipicamente masculina, os corpos grosseiramente tatuados com imagens ainda mais grosseiras de caveiras, motivos grotescos e completamente desprovidos de sentido estético têm lugar comum nas nossas vidas?
A ideia de igualdade amplamente difundida pelas feministas colocou-nos num patamar de escravização a uma existência que em nada nos dignifica. Lutemos pela igualdade de oportunidades. Basta! É o quanto basta! Lutemos pela liberdade de escolher o que nos faz felizes sem ostracizarmos as mulheres que fazem escolhas diferentes.

A mulher que quer apenas ser mãe e dona de casa deve sê-lo sem culpas, pois o trabalho de educar bem os homens e mulheres do futuro é tão importante e meritório quanto o da mulher que é directora de uma importante multinacional ou ocupa o cargo de 1ª Ministra. Ser mulher é uma dádiva que ironicamente, muitos homens parecem percebê-lo melhor do que nós.

Lembremo-nos do tempo em que nós éramos olhadas com respeito, cortejadas com verdadeiro interesse. Lembremo-nos dos tempos em que os homens nos ofereciam flores, abriam a porta para entrarmos antes deles, em casa ou no carro, e puxavam a cadeira para nos sentarmos.

Lembremo-nos que já fomos olhadas pelos homens com a exclusividade que hoje nos faz falta e que se nos faz falta essa exclusividade é porque hoje, graças aos movimentos feministas somos (quer queiramos quer não) uma espécie de inovação ao jogo do toca e foge, alvos insatisfeitos da "queca mágica" e aqui minhas senhoras…tudo o que temos semeámos, regámos e colhemos.

Mulher com M grande não é feminista. É feminina.


Wednesday, 13 August 2014

"Dizem que o Emídio Rangel morreu. Não é verdade Quem entra na história, quem a faz fica eternamente vivo".

Nuno Santos



Tuesday, 12 August 2014

Captain, oh my captain!

E morreu hoje um actor que era qualquer coisa.Qualquer coisa de extraordinário, claro. O cinema vai perdendo e ganhando, com os que partem e com os que vai descobrindo. Nós é que perdemos sempre, porque há filmes que só se tornam grandes graças a quem lhes dá vida. E porque esses ( os que lhes dão vida), já nasceram grandes. Espero que ainda esteja muito longe o dia em que Morgan Freeman será noticia pelas mesmas razões. Porque nesse dia eu choro.





What's Love Got to Do with It ?

Hoje descobri "What's Love Got to Do with It". Um filme fantástico, baseado na vida de uma das mais brilhantes artistas de sempre : Tina Turner.
Com interpretações fabulosas de Angela Basset e Laurence Fishbourne, (ambos desempenham de forma notável os papéis que na vida real couberam a Tina e Ike Turner). 
O filme é pesado. Sofrido. Não mais do que as vivências da diva do rock. Fala de abandono, maus tratos, toxicodependência e suicídio. Ou da vontade dele. Mas há um provérbio tibetano logo no inicio da película, (Tina acabou por converter-se ao budismo), que achei lindíssimo e muito poderoso: "A flor de Lótus nasce e cresce na lama. E quanto mais lama ela tiver a sustentá-la maior e mais bonita se torna". 
Foi assim com a Tina Turner e é assim com qualquer um de nós. Basta que a beleza do que está à nossa volta nunca saia dos nossos olhos e que o crescimento pessoal seja uma exigência diária, particular e intransmissível.
Para quem nunca viu, recomendo "What's Love Got to Do with It".Tenho a certeza de que vão gostar.


Sunday, 10 August 2014

Welcome Home!

Sexta e Sábado, foi assim. A trabalhar para estes 5, em Viseu.Porreiro, sem dúvida. Mas bom mesmo foi chegar a casa.

Tuesday, 5 August 2014

(Que gente tão curiosa !)

O Abel quer saber se eu gosto dele.  Tendo em conta o perfil do Abel, ( Anarquista, benfiquista, fã do Quim Barreiros e da Ruth Marlene, devorador de reality shows e leitor assíduo da revista Maria), espero que tenha um irmão chamado Caím.

Monday, 4 August 2014

My Everything

A Mariana hoje fica com mais 1 aninho. 16 Primaveras, Outonos, Verões e Invernos, tudo a que ela tem direito. Tem sido uma aventura. De agora em diante, as aventuras serão (se Deus assim o permitir), ainda melhores. Mais intensas, interessantes e como não podia deixar de ser, pedagógicas. Já lhe cresceram as asinhas e volta e meia já faz uns voos. Estou cá para ela, sempre. Observo-a, dou-lhe umas dicas, mas cada vez a amparo menos. Porque cair faz parte e quem não cai, nunca aprendeu a voar sozinho. De todas as coisas que lhe ensinei, espero que ela retenha pelo menos duas: A primeira, é que o melhor da chegada é sempre a viagem. O que dá realmente gozo, não é a festa em si, mas a sua preparação. A segunda, é que a vida é uma paleta com muitas cores, embora às vezes nos pareça ter apenas o preto e o branco, outras ainda, apenas o preto.« Mas a vida é uma paleta, não te esqueças. Tem muitas cores. O meu coração é teu, filhota.


Wednesday, 30 July 2014

Pain...

“A dor é uma coisa estranha. Um gato que mata um pássaro, um acidente de automóvel, um incêndio… A dor chega, BANG, e eis que ela te atinge. É real. E aos olhos de qualquer pessoa pareces um estúpido. Como se te tornasses, de repente, num idiota. E não há cura para isso, a menos que encontres alguém que compreenda realmente o que sentes e te saiba ajudar…”
— Charles Bukowski


Monday, 28 July 2014

Alcorão VS Tora... O Profano do Sagrado

Não há heresia mais traiçoeira do que o fundamentalismo religioso. Isto preocupa-me. 
Tomem-se os exemplos mais conhecidos, os vértices do triângulo mitológico formado por judeus, cristãos e muçulmanos em torno do mesmo Deus. 
Não é preciso mais do que um olhar, a leitura de duas linhas, um minuto do som que emitem, para termos a exacta sensação de que os fundamentalistas de qualquer das três doutrinas estão do lado do filme em que mora o bandido. Só para lembrar exemplos mais vivos na memória, cito três,- que, ainda por cima fazem ou fizeram a política do fundamentalismo religioso: Bush, Bin Laden, Bini Netanyahu (acreditem, Ariel Sharon foi quase um menino de coro ao pé dele). O que é que os três inspiram ou inspiraram? Ódio, medo, repulsa. No que é que os três basearam a sua popularidade? Na disseminação de ódio, medo e repulsa. E como medo, ódio e repulsa podem estar ligados ao que é divino, criador, iluminado? Só pela via da apropriação indébita. 
Os ditos fundamentalistas tomam para si o que não é seu nem de ninguém: a interpretação absoluta e definitiva do que se coloca como a manifestação do transcendente -- os textos sagrados. "Está escrito", rosnam. Sim, está escrito. Mas o que significa? Alguém escreveu, alguém representou, traduziu para uma linguagem, com todos os limites que uma linguagem tem, e que a faz, desde que o mundo é um mundo escrito e retratado, passível de interpretações.
 O exemplo que gosto de citar é a primeira frase do primeiro versículo do Evangelho de João: "No princípio era o Verbo". Que verbo é esse, com maiúscula, e que se atreve a "fazer-se Deus", e mesmo a "ser Deus"? Para mim, é extremamente claro: se o que foi dado ao evangelista para desenhar, designar, representar o infinito, foi a palavra, o escrever, o que pode ser mais infinito do que o verbo? João constrói, com maiúscula, o verbo dos verbos, o infinitivo absoluto. Confessa, em três linhas, que propõe no Verbo, a representação de Deus -- a mais grandiosa, na minha opinião. Pois bem, eu posso estar aqui a dizer disparates, consequência de uma aprendizagem individual que pode até ser duvidosa. Ou posso ter tido o “insight” do milénio. Não importa.
 A visão dos fundamentalistas, por ter sido interpretada autonomamente, eu não li nem encontrei lá o mesmo que eles encontram. Por isso não acredito no mesmo em que eles acreditam. E se eu perguntar a um deles o que quis o evangelista dizer, ele condenará a pergunta. 
O mundo, deste terceiro milénio, vê-se sob a sombra da batalha movida por esses sequestradores do sagrado, os que tomam como seu o que é de Deus. São literal e etimologicamente, os sacrílegos - aqueles que querem legislar o sagrado e, portanto, usurpar o que é de todos. O mundo está sob o domínio desta gente. Piorou com a reeleição de Bush (agora um passado infeliz). 
Os postos de Condoleeza Rice e Alberto Gonzales mostraram desde logo o caminho a seguir por uma humanidade expropriada do seu sentido: Humanidade. E hoje assistimos ao inevitável, tendo em conta o percurso feito até aqui. 
Vamos embalados nos braços de hereges vestidos de santos, até nos adormecermos. Deixamos que nos adormeçam. Sobretudo quando não são as nossas guerras, as nossas casas bombardeadas e os corpos de quem amamos mutilados.
 Há quem fale em anti-Cristo, a figura mítica do apocalipse popular. Não, esses tipos não são tão espectaculares assim! Ao mesmo tempo, são equânimes: são anti-Cristo como são anti-Maomé, anti-Abraão, anti-Alá… São sobretudo e acima de tudo, anti-todos-nós! - Já poucos reconhecem a importância da paz, simples assim, como deve ser. Apenas Paz.
 O problema crucial é: Nós, que almejamos a paz, só vamos vencer quando a palavra guerra deixar de fazer sentido e a palavra tolerância deixar de ser apenas uma palavra e passar a ser um modo de vida. Mas um modo de vida assim, não pode ser totalitário. A tolerância para poder existir terá que ser ela própria intolerante de vez em quando. Ou é possível mantê-la viva, sendo tolerante com os intolerantes? Não pode. E é por isso que esbarraremos sempre nesta perpétua condição humana. Haverá sempre uma “Gaza” por aí.
 É uma fatalidade que nos corre no sangue, não importa o tipo. Em algum lugar do mundo, a cada 31 de Dezembro, alguém dirá sempre: “ Feliz Atentado Novo”. 

( Escrito em 2004  para o  blog " Divagações". Continua tão actual! )